Se liga, Alonso: como Graham Hill conquistou a desejada tríplice coroa

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Com o anúncio da participação de Fernando Alonso nas 500 Milhas de Indianápolis, um esquecido título do automobilismo reapareceu no noticiário: a tríplice coroa, quando um piloto conquista o GP de Mônaco, as 24 Horas de Le Mans e prova em Indy.

Quem acompanha o Projeto Motor já leu há algum tempo sobre a questão, quando apontamos que Juan Pablo Montoya é o competidor que poderia reviver essa láurea, por já ter vencido no principado e no quadrioval americano. Mas a verdade é que, enquanto o colombiano ou o espanhol não chegam lá, apenas um piloto conseguiu juntar esses três títulos: Graham Hill.

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O inglês, que também possui dois mundiais de F1, nunca foi considerado o piloto mais talentoso de sua geração, uma das melhores da história, mas sempre foi muito focado e tinha uma grande experiência com mecânica, o que lhe dava um bom conhecimento para desenvolver e se adaptar a diferentes carros.

Vamos relembrar então as vitórias de Graham Hill:

GP de Mônaco – 1963, 1964, 1965, 1968 e 1969

Até 1993, quando Ayrton Senna chegou a sua sexta conquista nas ruas de Monte Carlo, Graham Hill foi conhecido como “Mr Mônaco” por seu ótimo aproveitamento na prova, com cinco triunfos nos anos 60.

O estilo tocador e paciente do inglês se adequava perfeitamente às exigências da corrida, que sempre promoveu poucas chances de ultrapassagens, mas muitas surpresas por conta de problemas mecânicos e acidentes nos guardrails.

A primeira vitória veio em 63. A sua rivalidade com Jim Clark estava começando a esquentar, após a batalha pelo título do ano anterior, quando Hill conquistou seu primeiro título. No começo do ano, eles também dividiram as vitórias nas corridas extracampeonato, deixando a expectativa pelo embate ainda mais alta.

Hill e Clark no GP de Mônaco de 1966
Hill e Clark no GP de Mônaco de 1966

O GP de Mônaco marcou a abertura da temporada no final de maio. Os dois dividiram a primeira fila, com o escocês da Lotus na pole e o inglês em sua BRM ao seu lado. Hill pulou na frente e o adversário caiu para terceiro. Mas Clark se recuperou e assumiu a ponta. Ele partia para a vitória, quando uma quebra na caixa de câmbio na volta 58 o tirou da prova e deixou o caminho aberto para o adversário.

A partir desta vitória, parece que Hill se entendeu de vez com os caminhos do tradicional circuito de rua, embalando em mais dois triunfos consecutivos, todos pela BRM. Ele teve sua sequência interrompida, mas voltou a vencer em 68 e 69, agora pela Lotus.

Curiosamente, este seu último triunfo no principado também foi o derradeiro de sua carreira na F1. Naquele mesmo ano, em Watkins Glen, nos EUA, ele sofreu um forte acidente em que fraturou as duas pernas. Depois disso, nunca mais conseguiu o mesmo sucesso. Ele ainda seguiu na F1 até 1975, mas sem brilhar como antes.

De qualquer forma, é impressionante pensar na sua ligação com o circuito de Mônaco se considerarmos que de um total de 14 vitórias, cinco foram lá. Ou seja, mais de um terço de suas conquistas.

Graham Hill, em 1969, celebra sua última vitória em Mônaco e na F1
Graham Hill, em 1969, celebra sua última vitória em Mônaco e na F1

500 Milhas de Indianápolis – 1966

A forte rivalidade de Hill e Clark chegou à tradicional prova do automobilismo americano. Em uma invasão na metade da década de 60, diversos construtores e pilotos da Europa resolveram se arriscar na corrida. Naquele ano, além dos dois adversários, Jack Stewart também alinhou em Brickyard.

Graham Hill, em sua foto de vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 1966
Graham Hill, em sua foto de vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 1966

O evento entrou para a história da Indy 500 como um de seus mais polêmicos. O escocês da Lotus, que já tinha vencido a corrida no ano anterior, liderava, quando rodou e precisou entrar nos boxes para uma checagem no carro. Nas contas de sua equipe, ele estava uma volta à frente de Hill e ainda voltou na ponta.

No final, porém, Hill foi quem recebeu a bandeira quadriculada com seu Lola-Ford, já que para a cronometragem, que era feita manualmente, ele tinha assumido a liderança quando o adversário fez seu pit. Colin Chapman entrou com um protesto, mas o resultado foi confirmado no dia seguinte.

Sendo assim, Hill já se colocava naquele momento, com três triunfos em Mônaco, um mundial de F1 e a vitória na Indy 500, como um dos mais importantes da história. Só que ainda faltaria mais uma coisa…

24 Horas de Le Mans – 1972

Apesar de sempre ter mantido o foco na F1, Hill nunca deixou de correr em provas de esporte-protótipos e endurance. Em 1972, quando sua carreira na categoria de monopostos já estava na fase final, ele entrou para o time oficial da Matra da modalidade. Ele já tinha participado da prova em Le Mans em quatro oportunidades, com um segundo lugar no currículo na edição de 64.

Naquele ano, a Matra diminuiu a sua participação em outras provas da categoria para se concentrar em um bom resultado em Sarthe, ao contrário da Ferrari, que seguiu de olho no Mundial de provas de longa duração.

O time desenvolveu o modelo MS670, que entraria para a galeria de ícones de Le Mans, e chegou como favorito à vitória na corrida francesa. Quatro carros foram inscritos, sendo que Hill correria ao lado de Henri Pescarolo, outra lenda da prova.

hill le mans 72 matra

Os principais rivais pareciam ser os Lola T280, que chegaram a liderar parte da prova, com as Alfa Romeo T33 também na briga. Durante a noite, porém, dois Matras assumiram a prova, com as duplas Hill/Pescarolo e François Cevert/Howden Ganley.

Ao amanhecer, Jo Bonnier bateu violentamente o seu Lola, passando pelo guardrail e indo parar nas árvores próximas à curva Indianápolis. O sueco acabou não resistindo e morreu.

A corrida seguiu, com os Matras sem qualquer outra concorrência. Hill e Pescarolo terminaram com a vitória, uma volta à frente de Cevert e Ganley. Com o resultado, o inglês se tornava o primeiro – e até hoje único – piloto da história a completar a Tríplice Coroa do automobilismo.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Dox

    Estranhei a traseira curta da Matra e descobri que 2 correram assim e outras 2 usaram a mais longa, que na época ajudava para descer a Mulsanne, ainda sem as chicanes.
    E correr as 24 horas em 2 pilotos não é mole.

    • Guilherme Laporti

      Os caras eram apaixonados por corridas, naquela época era outro nível kkkkk