Se o automobilismo fosse pornografia, Goodwood seria seu xVideos

3

A tradição anual do Festival de Velocidade de Goodwood é um dos momentos mais sublimes do automobilismo mundial. Estamos falando de um dos maiores cultos ao carro e ao esporte a motor já vistos. Uma história que o Projeto Motorcontou no ano passado, quando foi realizada a 23ª edição do evento, debutado em 1993. A 24ª ocorreu no último fim de semana, mais uma vez usando como palco um trecho de 1,86 quilômetro do icônico traçado de subidas de montanha, que abrigou competições oficiais entre os anos 1930 e 60.

Qualquer fã da graxa e do ronco dos motores tem muitos motivos para se deliciar. Goodwood é um evento único, capaz de reunir em três dias de exibições bólidos das mais variadas procedências: do passado ou do presente; de categorias de monopostos, resistência, turismo, GT, rali, ovais… Confira a seguir os principais destaques da edição 2016 registrados em vídeo.

As sessões de F1

Elementar dizer que os momentos mais esperados pelos espectadores de Goodwood são as sessões de F1. O séquito, repetido em todos os três dias de festival, arrepia sem exceções os aproximadamente 180 mil fãs que visitam as instalações. Neste ano tivemos a participação repetida de clássicos como os McLaren MP4-6 #1 de Ayrton Senna (1991), conduzido por Stoffel Vandoorne, e MP4-2 #8 do tricampeonato de Niki Lauda, este guiado por Jenson Button.

Novidade foi a presença do Brawn GP #22 usado pelo próprio Button em sua campanha do título, embora pilotado não pelo britânico e sim pelo compatria Martin Brundle. Outros modelos da era moderna, tais quais Mercedes W05 Hybrid (2014), Red Bull RB8 (2012), Lotus E20 (2012), Ferrari F60 (2009) e Toyota TF105 (2005), também desfilaram. Menção honrosa para a participação de “Sir” Jackie Stewart a bordo do BRM P48 de Graham Hill (60 e 61), e de Stéphane Richelmi acelerando o silencioso Renault elétrico da Fórmula E.

Abaixo um resumo dos desfiles de sexta-feira:

Aqui uma compilação do que rolou no sábado:

Atual líder da temporada 2016 da F1, Nico Rosberg ficou responsável por exibir o W04 ao público, e não se furtou em entreter a galera com alguns zerinhos:

Mais emoções sobre rodas

Muita coisa rola na subida de Goodwood, algumas praticamente ao mesmo tempo. Fica difícil, assim, apontar de forma precisa quais são os destaques de cada edição, mas o Projeto Motor resolveu escolher alguns dos momentos mais emocionantes do último encontro. O primeiro deles é o de Alessandro Zanardi, bicampeão da Indy e, mais recentemente, atleta paralímpico multimedalhista, esmerilhando um BMW Z4 GT3.

E o que dizer deste Kamaz de 9 toneladas, da fabricante 14 vezes vencedora do Rali Dakar na classe caminhões, andando de lado pelo estreito traçado?

Eis que, enquanto Andrew Jordan (volante do Campeonato Britânico de Turismo) concedia entrevista ao programa oficial do evento, Mike Whidett (vulgo “Mad Mike”), especialista em drifts, resolveu estacionar seu Mazda RX8 com uma técnica bastante peculiar…

Mad Mike também foi responsável por outro momento emblemático: ele levou Charles Gordon-Lennox, o conde de March e Kinrara, criador do festival, para uma voltinha recheada de saídas de lado a bordo do RX8, um brinquedo de 800 cv.

Quer ter uma noção mais completa de como é a rota de Goodwood? Então confira este insano vídeo a bordo do Renault 5 Maxi Turbo de Jean Ragnotti, usando uma especial câmera de 360°.

Por fim, espante-se ao ver Duncan Pittaway domando o lendário Fiat S76, apelidado de “Besta de Turim”. Trata-se de um protótipo construído em 1910, com um absurdamente insano propulsor de 28,5 litros (!!!!) e mais de 300 cv, com intuito de quebrar os recordes de velocidade máxima alcançada pelos automóveis da época (pouco mais de 200 km/h).

Ops! Alguns dos deslizes do evento

Conforme o douto leitor pôde perceber, Goodwood está longe de ser uma mera exibição de baratinhas desfilando a velocidades de cruzeiro. Muitos ases aproveitam para levar as carangas ao limite, e em alguns momentos acabam extrapolando. Confira alguns pequenos erros cometidos ao longo da edição deste ano.

Começaremos com este quase-pecado cometido por Williams Evens enquanto guiava um belíssimo exemplar do Blitzen Benz 200, esportivo concebido em 1909 e que ostentava um 4-cilindros em linha de 21,5 litros e 200 cv. Esta raridade detinha, à sua época, o recorde de maior velocidade final já obtida por um carro (aquele índice que o Fiat “Besta de Turim” nascera para romper): 202 km/h. Evens rodou com o bólido branco e dourado logo no início de sua volta, mas por sorte conseguiu evitar a batida.

Vaughn Gittin Jr. tinha em mãos uma fera um pouquinho mais moderna, apesar de também temperamental: um Ford Mustang RTR de última geração. O ás se empolgou durante a sequência de sobre-esterços controlados e colocou as rodas traseiras sobre a terra, perdendo o para-choque na brincadeira. O mais impressionante: ele continuou a passagem como se nada tivesse acontecido, proporcionando mais uma leva de drifts mesmo com o muscle danificado.

Já o Jaguar XJR 12D, joia do Grupo C que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1990, vinha dando trabalho a Justin Law até… soltar a roda dianteira direita. O condutor teve sensibilidade de perceber o problema a tempo de desacelerar, visto que não vinha economizando em nada os 740 cv gerados pelo protótipo em sua subida.

Festival em fotos

Separamos mais alguns momentos dignos de nota nesta pequena seleção de imagens:

Lendário Mazda 787B
Lendário Mazda 767B
Jenson Button conduzindo o MP4-2
Jenson Button conduzindo o MP4-2
Emerson Fittipaldi deu as caras na edição 2016
Emerson Fittipaldi deu as caras na edição 2016
Porsche 906, o popular Carrera 6
Porsche 906, o popular Carrera 6
Jackie Stewart conduz o Lotus 33 de Jim Clark
Jackie Stewart conduzindo o Lotus 33 de Jim Clark
BRM P154 que serviu a Pedro Rodríguez em 1970 na CanAm
BRM P154 que serviu a Pedro Rodríguez em 1970 na CanAm

Ficou com vontade de saber mais sobre o evento? Confira nas páginas especiais do Goodwood Festival of Speed, Goodwood Revival e Goodwood Road & Racing, todas no Facebook, ou no site oficial.

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.

  • MPeters

    Só algumas correções, sem querer sem grosseiro. Mad Mike é piloto de drift dos campeonatos neozelandês, americano e japonês, ele não utiliza carros de rali.
    Vaughn Gittin Jr. não deu bola por ter perdido o parachoque traseiro porque piloto de drift tá acostumado com isso, aliás, essas peças são modificadas em carros de drift para sair com facilidade com o mínimo de danos.
    Na primeira foto da pequena galeria de imagens o carro é um Mazda 767B, que veio anteriormente ao 787B.

    • Leonardo Felix

      Olá, MPeters, tudo bem?
      Não se sinta grosseiro. Seus apontamentos foram muito válidos. As informações sobre o Mazda e o Mad Mike já foram arrumadas. A última é mais um lirismo do texto, mesmo.

      Abraços!

  • Gustavo Segamarchi

    FANTÁSTICO.

    Realmente, o X Vídeos com MOTORGRAFIA em várias categorias.

    Vamos dizer que os carros seriam como as atrizes….