Sete motivos pelos quais Schumacher deixou sua marca para sempre na F1

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Você pode não gostar de Michael Schumacher por vários motivos, principalmente se levar em conta o lado torcedor. Pode até questionar se seus números realmente refletem o que ele representa na história da F1. Mesmo assim, não pode negar: o alemão foi um baita piloto e está entre os grandes ao lado de Fangio, Senna, Prost, Clark e outros tantos.

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Por isso, aproveitando as festividades do aniversário de 50 anos do heptacampeão, que segue em tratamento secreto em sua casa na Alemanha por conta de um acidente de esqui que sofreu em dezembro de 2013, vamos listar sete motivos, um para cada de seus títulos, para não deixar Schumacher de fora de qualquer lista dos melhores da F1.

1. Se encaixou com a F1 do seu tempo:

Todo piloto que se destacou em algum momento da F1 certamente teve que passar por uma adaptação ao momento da categoria. Com regras que mudam de tempos em tempos, além da evolução da tecnologia, tivemos campeões que souberam ser cerebrais quando isso era mais importante, administradores de problemas, absurdamente rápidos, agressivos nas ultrapassagens, cerebrais e por aí vai. Schumacher soube entender bem o que enfrentaria entre a década de 90 e a de 2000.

Schumacher se tornou um mestre em concretizar estratégias impossíveis

Desde os tempos de Benetton, ele conseguia seguir à risca as estratégias desenhadas por sua equipe, seja lá quais fossem, para terminar as corridas na frente. Pitstops a menos, pitstops a mais, pitstops em momentos diferentes, seja lá o que era necessário, ele fazia acontecer dentro da pista. Além disso, entendia como ninguém quando precisava de uma ultrapassagem a qualquer custo ou quando simplesmente manter a posição de pista era a opção mais sábia.

Isso tudo, em uma F1 que mais do que em qualquer outra época, o importante era acelerar do começo ao fim, sem precisar cuidar de equipamento ou se preocupar com consumo de combustível e desgaste de pneus.

2. Bom dentro e fora da pista:

Schumacher era um excelente piloto. E, nos bastidores, soube trabalhar como poucos. Enfrentou o desafio de encarar uma Ferrari em baixa em 1996 após vencer dois campeonatos pela Benetton e até o primeiro título, em 2000, foi o obrigado a driblar muitas dificuldades. E, para isso, sua postura para cativar mecânicos, engenheiros e todo time que trabalhava com ele foi essencial.

Mais do que isso, ele se controlou para não chutar o balde nas crises, sobrando em maturidade e paciência para formar aos poucos uma equipe que se tornaria quase imbatível, com ele, claro, como ícone.

3. Construiu um império:

Schumacher se tornou o grande o líder da era mais vitoriosa da Ferrari

Sim, ele era o primeiro piloto da Ferrari e tinha muitas regalias. Mas ele fez por merecê-las ao se impor como peça fundamental para levar a escuderia de Maranello ao seu melhor momento de todos os tempos.

Schumacher criou ao seu redor, indicando os principais nomes da área técnica, um império baseado em vitórias, sucesso e muito trabalho. Não tinha como ser de outro jeito. O resultado disso foi a sequência de cinco títulos mundiais, além dos vices de 1998 e 2006.

4. Tecnicamente completo:

Chuva ou seco, carro bom ou ruim, Schumacher tinha um repertório que sempre encontrava um caminho para o sucesso

Schumacher pode não ter sido, talvez, o maior piloto da história. Ele não foi o melhor em vários quesitos a serem avaliados quando classificamos um às das pistas. Mas o que ele tinha de mais forte não era um item ou outro, mas o repertório completo.

O alemão tinha poucos pontos fracos. Ele andava bem no seco, na chuva, em ritmo de classificação, de corrida, conquistou grandes resultados com carros bons, ruins ou com problemas mecânicos. Um piloto tecnicamente cheio de “coelhos na cartola”.

5. Se chocou com grandes:

A carreira de Schumacher se desenrolou em um momento interessante, entre duas gerações. Como ponte entre elas, o heptacampeão teve a oportunidade de dividir pistas com grandes pilotos como Senna, Piquet, Prost e Mansell, ainda em suas primeiras temporadas na F1, e também Hakkinen, Alonso, Raikkonen, Damon Hill e até mesmo bons coadjuvantes como Montoya, Coulthard, seu irmão Ralf e os brasileiros Barrichello e Massa.

Ainda muito jovem, Schumacher já teve chance de lutar roda-a-roda com alguns dos grandes pilotos da história como Senna e Prost

E na maioria dos embates, ele não decepcionou. Em sua segunda corrida na F1, na estreia pela Benetton, ele terminou à frente do companheiro, o tricampeão Nelson Piquet, em seu primeiro final de semana no carro, enquanto o brasileiro estava há três anos na equipe.

Em sua primeira temporada completa, em 1992, Schumacher venceu uma corrida e terminou na terceira posição do campeonato, apenas três pontos atrás do vice, Riccardo Patrese na imbatível Williams FW14B, e à frente das duas McLarens, inclusive de Ayrton Senna.

Depois, quando os grandes nomes da geração dos anos 80 deixaram a F1, ele engoliu os principais rivais, dando pouca margem para rivalidades.

6. Foi controverso:

Não estamos negando: Schumacher também soube cumprir o papel de vilão em algumas ocasiões. Os acidentes causados por ele nas decisões dos títulos de 1994 e 97, entre outras polêmicas, são marcas inapagáveis de sua carreira.

Se por um ângulo isso é algo ruim, por outro lado fazia com que seu nome estivesse sempre no centro das atenções e das rodas de discussão sobre a F1. Schumacher conseguiu se tornar o grande personagem da categoria, estivesse ou não no alto do pódio. E para a categoria, isso foi importante em um hiato de falta de ídolos e polêmicas como as dos tempos da rivalidade entre Senna e Prost.

Em 1994, Schumacher venceu o título ao jogar o carro em cima de Damon Hill, tirando o inglês do GP da Austrália

7. Recordista:

Mais uma vez: Schumacher talvez não seja o maior piloto da história. Aqui mesmo no Projeto Motor, já explicamos nossa preferência por outro nome neste ranking. Mas temos que admitir: o cara foi um monstro no quesito quebra de recordes.

Entre as estatísticas gerais mais importantes da F1, até hoje ele segue na liderança:

– Sete títulos mundiais;
– 91 vitórias;
– 77 voltas mais rápidas;
– 155 pódios;
– 22 hat tricks (vitória, pole e volta mais rápida na mesma corrida);
– 5.111 voltas na liderança;
– 24.144 quilômetros na liderança.

Desde que se aposentou, ele perdeu apenas duas marcas das mais importantes da categoria:

– Pole position, superado por Lewis Hamilton: 83 x 68
– Primeiras filas, também superado por Hamilton: 132 x 116

 

Debate Motor #90: Schumacher tem o devido reconhecimento no mundo da F1?


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.