Stock Car e DTM: invasão de pista, acidente e ordem descabida no rádio

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Os vencedores da Stock Car e do DTM do último final de semana acabaram passando como figurantes em meio a tantas confusões e polêmicas.

Os problemas na categoria brasileira começaram ainda na sexta-feira, quando cachorros invadiram a pista durante os treinos extras em Curitiba. Não é a primeira vez que este tipo de coisa acontece no automobilismo internacional. Tem os famosos casos de Bruno Senna, em que ele atropelou um cachorro durante ma etapa da GP2 na Turquia, e de Cristiano da Matta, que bateu em um alce e sofreu sérias lesões, mas é sempre uma situação perigosa que deve ser evitada ao máximo.

Neste domingo, no entanto, é que a coisa pegou para valer. Primeiro, foi o grave acidente envolvendo Thiago Camilo, Felipe Fraga e Raphael Matos e Felipe Lapenna. Camilo, com problemas no carro, passava lentamente pela reta dos boxes quando foi acertado por Matos por trás. Os outros dois acabaram atingindos no meio da confusão.

Veja o lance:

Matos e Lapenna saíram bem de seus carros. Já Camilo caiu no chão assim que deixou o seu, aparentando sentir muita dor. Mas a preocupação ficou em relação a Fraga.

O tocantinense ficou dentro de seu cockpit. Os relatos são de que ele chorava muito e sentia dores. A preocupação incial era de fraturas nas pernas e até na coluna. Tanto ele quanto Camilo foram levados de âmbulância para o hospital.

Segundo o site Grande Prêmio, em notícia publicada na noite do último domingo, os dois estavam bem, e após exames, não foram constatadas nenhuma fratura ou qualquer outro tipo de lesão.

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Nestes momentos, sempre vem aquela voz com a frase “automobilismo é um esporte de risco”. Acidentes realmente acontecem nas competições a motor e a velocidade os torna ainda mais periogosos. Mas estudar o que aconteceu sempre é importante para se tentar evitar repetições. E mesmo quando não existe culpa, este tipo de precaução falta à Stock, que parece se mexer apenas quando o mundo cai.

Existia sinalização de um carro lento na reta para os demais? Se existia, por que Matos estava tentando uma ultrapassagem, já que em trechos de bandeira amarela este tipo de manobra é proibida? Se não existia, por que a direção de prova não acionou as bandeiras imediatamente? Se só as bandeiras não estão sendo suficientes, que tal estudar avisos mais ágeis por rádio ou sinais luminosos no volante, como acontece na F1? E no caso de Thiago Camilo, será que não deveria estar mais perto da mureta à direita?

Não é questão de encontrar culpados, mas do execercío de questionar, estudar e tentar evitar que novos acidentes como este aconteçam. É melhor assim do que esperarmos uma morte para só então pensarmos nas opções.

Para fechar com chave de ouro o final de semana da Stock, um grupo de CRIANÇAS entrou na pista. Uma delas chegou a atravessar o traçado, causando nova entrada de um safety car. Isso sim é daquelas coisas inacreditáveis. Não vou dizer que só acontece por aqui, pois na Europa e nos Estados Unidos, ao contrário do que muitos pensam, também rolam erros de organização incríveis. Mas, mesmo assim, isso não quer dizer que podemos relaxar no Brasil. Uma criança atravessando uma pista de corrida durante uma prova, seja na Stock Car ou no Campeoanto Municipal de qualquer lugar, é inaceitável.

DTM

A polêmica do automobilsimo internacional neste final de semana, no entanto, ficou por conta do certame alemão, na etapa de Spielberg, na Áustria. Em meio a uma disputa com os pilotos da Mercedes Robert Wickens e Pascal Wehrlein, o diretor esportivo da Audi, Wolfgang Ullrich, mandou que seu piloto, Timo Scheider, batesse em seus adversários.

“Timo, tire ele da corrida”, bradou o dirigente pelo rádio. Só que a comunicação entrou ao vivo na transmissão da televisão. Na curva seguinte, o alemão deu um toque na traseira de Wickens, que acabou levando junto seu companheiro de marca para a área de escape.

Confira:

Scheider foi excluído da corrida pelos comissários e o Tribunal Desportivo irá estudar a questão da mensagem de rádio e se uma nova punição pode ser imposta ao piloto, equipe ou montadora pode ser imposta.

Curioso que o caso acontece na semana em que tivemos a suspensão de Cacá Bueno por causa de xingamentos via rádio aos comissários da CBA. Enquanto alguns podem apontar a situação na Alemanha como uma justificativa para a penalização do piloto carioca, ela na verdade só dá oportunidade para mostrar como a decisão da CBA e do STDJ foi exagerada.

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Ninguém está falando aqui que os pilotos podem sair chamando todo mundo de imbecil. Claro que um código de conduta e ética deve ser respeitado. Mas o uso da comunicação para punições tem limite. E os dois casos mostram isso. Cacá teve uma explosão emocional perante a um erro grotesco da organização, que não deu a bandeira quadriculada no momento certo, o que acabou criando toda uma situação de risco.

A Audi mandou seu piloto bater propositalmente em um adversário. Ele fez. O rádio é a prova. Entenderam a diferença?

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.