Suspensão-asa: um dos segredos da superioridade aerodinâmica da Mercedes

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A Mercedes criou há algum tempo o conceito de um único braço inferior na suspensão dianteira de seus carros. Quando surgiram, causaram uma certa estranheza por seu formato simplificado de uma haste única, e não mais triangular como de costume na F1. Algo que parecia até que poderia se quebrar no calor das corridas.

Eles foram aprimorando este conceito ao longo do tempo, e, claro, acabaram sendo copiados. A Ferrari, por exemplo, atualmente mantém praticamente o mesmo modelo, porém, um pouco mais simplificado como o inicial criado pela Mercedes.

A equipe prateada, no entanto, superou as expectativas para este dispositivo, desenvolvendo um braço inferior que mais se parece com uma ASA DIANTEIRA (destacada abaixo em cinza escuro no desenho). Sim, se você observar, os carros da Mercedes possuem “‘dupla asa dianteira”, a convencional na frente do nariz, e duas menores entre as rodas dianteiras. Menores modo de falar, por que para um braço de suspensão inferior elas são enormes, achatadas e com perfil de asa invertida, ou seja, se tornaram “suspensão-asas” que seguram as rodas dianteiras.

Como isso funciona:

suspensao diant mercedes 15

O ar frontal passa pela asa dianteira frontal, parte dele é desviado diretamente para dentro dos dois braços da suspensão dianteira (seta laranja), passando sobre a asa “falsa” (braço inferior), seguindo para a abertura dos sidepods, melhorando a refrigeração geral do motor, acabando por contornar e desembocar no difusor traseiro.

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Certo, mas neste modelo da Mercedes a coisa fica ainda mais eficiente. O design geral desta suspensão dianteira foi modificado e as duas hastes diagonais que ligam a suspensão ao amortecedor dianteiro foram deslocadas bem para cima, deixando mais espaço livre para o ar passar por entre os braços, reduzindo assim o “arrasto” nesta região (seta amarela).

Mas o efeito principal desta falsa asa dianteira (braço inferior da suspensão) é na verdade aumentar a pressão aerodinâmica diretamente sobre as rodas dianteiras, evitando escapadas de frente.

Então, nas retas e curvas de alta, a frente do carro fica grudada, sem muitas escapadas e mexidas bruscas no volante para recuperar a aderência (os pilotos agradecem). Repare que quando aparecem as imagens onboard dos pilotos da Mercedes, o carro parece tranquilo, sem muitas mexidas, quase deslizam pela pista, um primor de tecnologia alemã.

Comparando com imagens de Sauber, Lotus, etc, parecem cavalos bravos sendo domados, principalmente em dias de chuva.

Não é à toa que a Mercedes vem dominando este campeonato. Com mais esse “par de asas dianteiras”, até a Manor (com motor Mercedes) pode acabar dando um pau nas medianas. Resta saber se a Ferrari vai copiar este modelo mais sofisticado e desenvolvido de “suspensão-asa”. Se copiar, aí a briga vai ser acirrada, não só dentro, mas também fora das pistas.

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Ubiratan Bizarro Costa

Designer industrial, cria e constrói protótipos de veículos experimentais desde 2001, estudioso e amante da aerodinâmica e engenharia da F1, começou a escrever matérias técnicas em 2009 para seu blog quando criou o dispositivo PCP ( protetor de cockpit ), logo após o acidente de Massa. Em 2012 foi convidado pela FIA onde apresentou seu projeto PCP aos engenheiros da FIA em sua sede em Paris ( a qual continua sempre em contato enviando projetos). Escreveu suas matérias técnicas para sites como Pódium GP, Tazio e Auto Racing. Atualmente desenvolve e constrói um novo protótipo para veículos de competição, se não pirar antes.....

  • Gustavo Segamarchi

    A Mercedes sabe fazer MÁGICA, mesmo.

    Na F1, a Mercedes não está chorando. Ela está vendendo lenço.

    • Junior Burgman

      Isso é, mas é estranho a FIA permitir isso, na época da Red Bull já teriam proibido.