Talento e personalidade forte: Verstappen mostra que pode ser grande

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Max Verstappen não está decepcionando nesta sua primeira temporada na F1. O mais jovem piloto da história a andar no Mundial, aos 17 anos, já mostrou que tem talento e também personalidade forte para enfrentar o duro ambiente da categoria.

Em 13 provas, já são cinco resultados dentro da zona de pontuação, incluindo um quarto lugar no GP da Hungria. Ele soma 30 pontos contra 11 do companheiro, Carlos Sainz, e ocupa uma boa 11ª posição no campeonato. Isso tudo no seu segundo ano com carros de corrida após kart.

Verstappen foi outro que acumulou punições em Montreal (Divulgação)
Verstappen foi outro que acumulou punições em Montreal (Divulgação)

É verdade que ele cometeu alguns erros bobos em uma ou outra corrida, algo normal e compreensivo para quem está fazendo a estreia neste nível, independentemente da idade. Ao mesmo tempo, tem mostrado que não tem medo de arriscar para conhecer os limites, o que muitas vezes também resulta em acertos que acabam em bons resultados.

A última corrida, em Cingapura, é um exemplo disso. Após conquistar a oitava posição no grid, ele teve um problema na largada e perdeu uma volta. É verdade que foi beneficiado pela entrada do safety car ainda no princípio da prova, o que lhe permitiu descontar este giro de desvantagem, mesmo assim, sua recuperação para terminar na oitava colocação da prova, no final, chamou a atenção de muita gente.

Para melhorar ainda mais sua imagem, especialmente com o público, ele negou, de forma bastante enfática, o pedido da equipe Toro Rosso para deixar seu companheiro Sainz ultrapassá-lo nas voltas finais. Naquele momento, o time acreditava que, por ter pneus mais novos, o espanhol teria mais chances de lutar com o carro que estava à frente, de Sergio Pérez, da Force India.

O holandês explicou sua decisão ao destacar sua corrida de recuperação e pelo fato de que dificilmente tanto ele quanto o parceiro conseguiriam superar o mexicano, que aproveitava bem seu motor Mercedes nas retas.

“Se você está uma volta atrás e consegue se recuperar para voltar aos pontos como a melhor Toro Rosso, então, para mim, não existe razão para trocar posições”, declarou Verstappen após a prova. “Com Checo, não conseguiríamos ultrapassá-lo porque com sua velocidade máxima era inviável. ”

O seu próprio chefe, Franz Tost, defendeu a decisão de ele se manter à frente, explicando que Sainz teria que se aproximar mais do holandês para poder requisitar a troca . Claro que, depois da corrida, a opinião do dirigente pode ser apenas um jogo de cena para o público, após Verstappen assumir uma posição que obviamente seria elogiada pelos fãs.

“Max estava certo porque Carlos simplesmente estava muito longe, entre três a cinco décimos. Ele deveria ter mostrado que poderia passar Max antes de tentar alcançar Pérez.”

A jovem revelação já tinha mostrado antes este forte traço de personalidade ao rebater uma crítica de Felipe Massa após seu acidente no GP de Mônaco, em que ele bateu na traseira da Lotus de Romain Grosjean.

O brasileiro pediu uma punição para Verstappen e usou o episódio para apontar que experiência ainda seria algo importante para estar na F1. “Por que deram uma superlicença para um garoto de 17 anos?”, questionou o piloto da Williams. A resposta veio, e dura. Na corrida seguinte, no Canadá, os dois estavam na coletiva da FIA e o holandês lembrou a batida de Massa em Montreal, um ano antes, também acertando a traseira de um adversário, Pérez, e sentenciou:

“Vou continuar a lutar, especialmente quando estiver lutando por pontos. Vou para cima. Não vou mudar meu estilo de pilotagem.”

O caso foi brilhantemente analisado aqui no Projeto Motor por Lucas Berredo, que já elogiou o representante da Toro Rosso. De qualquer forma, vale mais uma vez destacar que com um belo desempenho dentro da pista e uma postura firme fora, Verstappen já vai formando um pacote interessante para qualquer grande equipe.

Max ouve conselhos de seu pai, o ex-piloto Jos Verstappen, sempre presente nas provas do filho
Max ouve conselhos de seu pai, o ex-piloto Jos Verstappen, sempre presente nas provas do filho

No momento, ele ainda tem sua carreira amarrada à Red Bull. A empresa dos energéticos, porém, é centro de uma especulação que vem tomando bastante força de que poderia deixar a categoria, pelo menos como equipe. Assumindo o lado de patrocinadora, a companhia passaria a ter liberdade para colocar seu piloto onde quisesse no futuro.

Muita gente também cogita que a Ferrari já estaria de olho no novato. Este, inclusive, teria sido um dos motivos para a renovação de Kimi Raikkonen para 2016, apesar do desempenho pífio do finlandês. A equipe italiana estaria tentando, na verdade, ganhar tempo para esperar o fim do compromisso do garoto com organização de Dietrich Mateschitz.

Ainda é cedo para apontar que Verstappen fará na F1. Com apenas 13 corridas no currículo, a amostragem de desempenho ainda é insignificante. De qualquer forma, ele já rebate os críticos de sua entrada tão precoce na categoria, e vem mostrando talento e muita maturidade. Dá para apostar, não?

Assista à análise do GP de Cingapura de 2015 na edição #9 do Debate Motor:

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.