Título de 90 mostrou que até ídolo como Senna pode ser perverso na F1

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Exatos 25 anos atrás, o público presente à largada do GP do Japão, em Suzuka, testemunhou um dos episódios mais controversos na história da F1.

Metros após o sinal verde, o pole position Ayrton Senna, da McLaren, largou mal e perdeu a liderança para Alain Prost, piloto da Ferrari e rival na luta pelo campeonato. Mas era o auge da antipatia mútua entre os dois e o brasileiro não parecia inclinado a aceitar um revés para o francês na corrida que, por uma combinação de resultados, poderia definir seu bicampeonato.

Senna e Prost voltam aos boxes após o famoso acidente (Divulgação)
Senna e Prost voltam aos boxes após o famoso acidente (Divulgação)

Então partiu para uma manobra tão esquisita quanto condenável: buscou um espaço utópico no lado interno da pista e posicionou-se ao lado de Prost. Ali o acidente tornou-se iminente: a lateral esquerda do McLaren MP4/5 tocou o aerofólio traseiro da Ferrari 641 e os dois se chocaram a mais de 200 km/h. Enquanto o francês saiu remoinhando e estacionou na brita, Senna bateu com violência na barreira de pneus. O título, entretanto, era dele.

A atitude de Senna ainda é amplamente debatida hoje. Em solo brasileiro, boa parte da imprensa se colocou a favor do tricampeão ou lavou as mãos. O julgamento que à época se tinha era de que a vingança fora justa em razão de um episódio semelhante – talvez com um pouco menos de cinismo – ocorrido entre os rivais no mesmo GP do Japão, um ano antes. Naquela ocasião, Senna ainda se recuperou do choque e venceu o páreo, mas foi desclassificado pela Fisa (Fédération Internationale du Sport Automobile) por cortar uma chicane para voltar à pista.

Outra alegação foi a de que o brasileiro fora injustiçado na prova de 1990. Ayrton, pole em Suzuka pelo terceiro ano consecutivo, solicitara aos fiscais da Fisa  que as posições de primeiro e segundo no grid fossem trocadas. Isso porque o vice-líder da grelha, Prost, se posicionaria no lado esquerdo do asfalto, mais próximo ao pitlane e, consequentemente, onde a pista era mais emborrachada, o que permitia maior aderência aos carros.

A Fisa negou o pedido. E Ayrton encarou aquilo como uma afronta do presidente da entidade, Jean-Marie Balestre, que era francês como Prost e, dizem, não ia lá muito com a cara do brasileiro. O vídeo abaixo demonstra o clima tenso no briefing dos pilotos pouco antes da corrida. Vejam também como Senna se irrita com o questionamento do compatriota Nelson Piquet, da Benetton, sobre possíveis colisões durante a prova – relembrando, sem dar nomes, o que acontecera entre Ayrton e o arquirrival Alain na temporada anterior.

A mídia estrangeira, em geral, é mais rígida em relação ao que aconteceu. De certa forma, uma argumentação à qual o comitê editorial do Projeto Motor, com ligeira variação, concorda. O consenso é de que Senna, talvez frustrado com um suposto favorecimento de Balestre a Prost, não estava conseguindo responder à pressão da Ferrari na luta pelo campeonato. Se antes o sul-americano podia observar de perto as “manobras” do europeu, ocupando a mesma garagem da McLaren, as coisas se tornariam mais difíceis com Prost em Maranello.

Bom desempenho de Prost nas provas anteriores a Suzuka afetaram Senna (Divulgação)
Bom desempenho de Prost nas provas anteriores a Suzuka afetaram Senna (Divulgação)

É importante também lembrar que a 641 tinha se mostrado bem mais rápida que o MP4/5 nas duas provas anteriores, em Portugal e na Espanha. No Estoril, Senna no fundo teve sorte de terminar a corrida à frente de Prost, prejudicado por um incidente com o companheiro Nigel Mansell – que venceria a corrida – logo nas primeiras voltas. Já em Jerez, uma falha no radiador do MP4/5 comprometeu o fim de semana de Ayrton e permitiu a aproximação do francês, vencedor em solo ibérico, na briga pelo campeonato.

Dois componentes, portanto, pesavam na mente do brasileiro. Se Prost vencesse as duas corridas remanescentes, seria sua segunda derrota consecutiva para o francês na briga pelo título mundial. Por outro lado, se o ferrarista abandonasse uma das duas provas, o troféu era de Ayrton. Não é difícil imaginar então por que Senna estava tão preocupado em largar à frente do rival em Suzuka.

Contudo, nada, mas nada, ao menos na opinião do autor, justifica o que aconteceu na largada do GP do Japão de 1990. Senna colocou tanto a sua vida quanto a de Prost em risco numa atitude que considero uma das mais execráveis na história da F1 – e acreditem que essa constatação é difícil, principalmente vinda de alguém que se apegou à arte de acompanhar automobilismo graças à influência de Ayrton na cultura pop brasileira dos anos 90.

Em sua tentativa de derrotar Balestre e Prost, Senna preferiu se igualar a ambos em matéria de cinismo e mesquinharia e adotar o caminho mais fácil de vencer o campeonato, que, de certa forma, ficou maculado por causa de tal atitude. Ninguém se lembra de uma “decisão do título” e sequer do campeonato, como Leonardo Felix expõe neste belo texto; a primeira memória é do acidente.

Título de Senna em 1990 foi maculado por acidente (Divulgação)
Título de Senna em 1990 foi maculado por acidente (Divulgação)

O pior no episódio de Senna é que essa tática rasa e censurável do tricampeão respingou nas temporadas seguintes da F1 – como no caso de Michael Schumacher, discípulo do brasileiro tanto em ética quanto em talento, em 1994 e 97 – e mesmo em campeonatos de base. Numa corrida da F3000 Japonesa, em 1992, Hitoshi Ogawa e Andrew Gilbert-Scott colidiram na mesma curva em alta velocidade. Só que desta vez as consequências foram graves: Ogawa foi morto e Gilbert-Scott, um câmera e dois fotógrafos ficaram feridos, o que dá a medida exata do que poderia ter acontecido se Senna e Prost estivessem num dia mais azarado.

Claro: é muito importante sempre separar artista e obra. Senna foi o piloto mais virtuoso da história da F1, dono de velocidade e talento inigualáveis. Mas há certa perversão em sua personalidade que é difícil de ignorar, infelizmente trazida à tona toda vez em que assistimos ao acidente de Suzuka. Mesmo os mitos falham, afinal.

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Lucas Berredo

Natural de Belém do Pará, tem uma relação de longa data com o automobilismo, uma vez que, diz sua família, torcia por Ayrton Senna quando sequer sabia ler e escrever. Já adolescente, perdeu o pachequismo e passou a se interessar pelo estudo histórico do esporte a motor, desenvolvendo um estranho passatempo de compilar matérias e dados estatísticos. Jornalista desde os 18 anos, passou por Diário do Pará e Amazônia Jornal/O Liberal, cobrindo primariamente as áreas cultural e esportiva como repórter e subeditor. Aos 22, mudou-se para São Paulo, trabalhando finalmente com automobilismo no site Tazio, onde ficou de 2011 até o fim de 2013. Em paralelo ao jornalismo, teve uma rápida passagem pelo mercado editorial. Também é músico.

  • Augusto B. Tremarin

    Só mais uma de várias matérias/supostas análises totalmente tendenciosas desse site, que parecem ter como único objetivo de forçar uma suposta desconstrução do Senna. Mas o que esperar de quem se define com a frase “Já adolescente, perdeu o pachequismo e passou a se interessar pelo estudo histórico do esporte a motor”. Essa vontade incessante de ser do contra é de uma preguiça…

    Comparar o que o Senna fez em 90 com o que o Prost fez em 89 beira a desonestidade. Engraçado, não tem UMA matéria sequer pra falar sobre tal campeonato e a vergonha que foi a corrida de Suzuka. “Suposta preferência de Balestre”, hahahaha. O próprio cara antes de morrer admitiu ter favorecido o Prost nesse certame.

    A batida do Senna foi uma mensagem muito importante. Que ele não ia se submeter as patifarias e safadezas do Balestre. Agora, se você quiser comparar isso com o que Schumacher fez com Hill em 94 e Villeneuve em 97, eu prefiro acreditar que é por desonestidade mesmo.

    • vinicius alexandre

      A matéria tem como objetivo mostrar que Senna era um ser humano como qualquer outro que que como ser humano também podia cometer atitudes PRECIPITADAS. Como citado na matéria a batida poderia ter sido pior até mesmo pra posição em que ambas se encontravam na pista como o caso do acidente fatal do Hitoshi Ogawa em 1992 na mesma pista e curva.

  • David Félix Krapp

    É bem controverso esse assunto… ao mesmo tempo que é profundamente desapontante e antidesportiva a atitude de Senna, todos tinham bem fresca a história de 89… Prost jogando o carro em Senna e o pior, politicagem pós corrida para tirar a vitória dele… é um sentimento bem estranho… como diria um antigo professor meu… explica, mas não justifica… Senna fazer o que fez é explicável ? Sim, foi um senso de vingança/justiça e creio que todos a época viram dessa forma… é justificável ? Absolutamente não, de forma alguma, pra começo de conversa é antidesportivo…

  • Delgado

    O Piquet criticou a atitude da direção de prova em 1989, e falou que haviam feito uma enorme cagada com o Ayrton, portanto ele citou nomes.
    Senna fez algo que pode ser considerado condenável, mas isso só mostra o óbvio: era humano, cometia erros, tinha ressentimentos, como qualquer um.
    Convenhamos, qualquer homem que preze o nome não teria ficado impassível e deixado sem resposta o que aconteceu em Suzuka em 1989. Prost bateu nele propositalmente, e as imagens aéreas não deixam dúvida sobre isso; Senna vai aos boxes, troca o bico do carro, volta e vence a corrida, e Balestre o desclassifica baseado em um argumento pífio que ele achou no regulamento. Vários outros pilotos fizeram a mesma coisa naquela temporada, sem terem sido penalizados, e nem mesmo advertidos, como Ron Dennis provou exibindo imagens, em conferência de imprensa. E depois, Balestre quis culpar Senna de várias coisas passadas.
    Em 1990 houve a concordância em trocar o lugar do pole position, pedido feito antes da classificação; quando Senna fez a pole, voltaram atrás e o puseram no lado sujo da pista. Só quem tem sangue de barata não iria se vingar.
    Aliás, Senna não bateu o carro com a Ferrari de Prost; havia um meio de se evitar a batida: se Prost tirasse o pé, nada teria acontecido, e ele poderia recuperar a posição no decorrer da corrida, pois tinha um carro melhor, e que se adaptava mais àquela pista;mas onde estava a inteligência e frieza do chamado “Professor”? Ele conhecia Senna muito bem; foi absurdo ele dividir aquela curva.
    Certamente o Senna não gostou de ganhar o título daquela maneira, mas deixar o que aconteceu em 1989 sem resposta não era uma opção.

    • Leandro Farias

      A resposta poderia ser na pista. O motor Honda era um diferencial e Senna era muito melhor em Suzuka: Ganhou em 88, e conseguiu vencer em 89 na pista, apesar da desclassificação.

      Prost tava fazendo das tripas coração, mas além de ser questionável se ele teria VELOCIDADE pra segurar Senna após uma eventual ultrapassagem (carro superior, vale lembrar), é se o carro iria aguentar também. Se ele adotasse uma postura conservadora de poupar equipamento, veria Senna ser bi. Se fosse pra cima, poderia quebrar ou rodar e fazer com que Senna sequer precisasse terminar a prova.

      • Delgado

        A resposta foi na pista. Ele deixou a opção se haveria o acidente ou não para o Prost. O carro de Prost se adaptava melhor àquela pista, portanto ali era superior às Mclaren e com a condução do francês havia boa probabilidade dele conseguir superar Senna durante a corrida. Mas corridas são assim; Prost assumiu o risco e se deu mal, assim como no ano anterior fora bem-sucedido; Do que não há dúvidas é que ele sabia que Senna não deixaria barato o que ele fizera em 1989, pois ele o conhecia muito bem; portanto ele não foi nenhuma vítima.

        Um desfecho triste para um campeonato, mas perfeitamente compreensível. E previsível, depois da atitude da direção de prova.

        Se alguns condenaram a atitude de Senna, como Jackie Stewart, outros como Derek Warwick (totalmente insuspeito), James Hunt e Gerhard Berger não viram nada demais e não criaram tanta celeuma, nem tiveram sua sensibilidade agredida pela atitude de Senna.

        • Leandro Farias

          Resposta na pista é ganhar dele. Deixar opção de bater ou não bater tira da prova, tira da pista e por isso é claro que não é resposta na pista.

          • Delgado

            É ridícula ima opinião desse nível.

            É claro que a resposta foi na pista. Ao contrario de 1989, em 1990 Senna deixou que Prost escolhesse se haveria ou não uma colisão. E o ingênuo ou covarde Prost escolheu que não iria até o fim da corrida e entrou no jogo de Senna. Qualquer outras análise é espúria e sem valor.

          • Leandro Farias

            Ridícula só por ser discordante da sua? Claro que não!

            O Prost ia fazer a corrida dele, assim como o Senna fez em 89. Prost em 89 e Senna em 90, abdicaram de correr pra ganhar do jeito mais sujo. Regra é regra: se Prost trapaceou em um ano, Senna trapaceou em outro. E o legado disso, a gente viu em 94 e 97.

          • Delgado

            Não por ser diferente da minha. Apenas não vejo lógica nela. A resposta foi na pista, ainda que de modo tão discutível quanto o que Prost fizera no ano anterior. Também não acredito que isso tenha gerado um “legado” como alguns gostam de dizer. Cada um é responsável por seus atos, em se tratando de homens adultos e profissionais experientes. Portanto não faz sentido responsabilizar esses pilotos pelo que aconteceu em anos posteriores. Cada um faz suas próprias escolhas e convive com elas.

          • Delgado

            Ele deixou opção para Prost, que poderia ter escolhido tirar o pé; mas preferiu dividir a curva. Qualquer um qur viu a corrida sabe dissso. Em 1989 foi Prost que não deu nenhuma opção ao Senna, colidindo com ele propositalmente.

    • Senna bateu deliberadamente em Prost e o culpado é o francês? Me poupe…

      • Delgado

        Senna bateu em Prost em 1990 e foi o responsável; Prost colidiu de propósito em Senna em 1989 e foi o culpado. Ambos eram pilotos experientes e homens adultos, responsáveis por seus atos. Mas como disseram vários pilotos e ex-pilotos, como James Hunt por exemplo, se Prost quisesse, poderia ter evitado a colisão. Se não o fêz foi ingênuo demais e não era nenhum “professor”. Não precisava ficar chorando depois. Ambos cometeram seus erros e pagaram por isso. Nada demais se a pessoa não for excessivamente sensível e delicada.

  • Marcus Lima

    Como já dito aqui, há um equivoco no texto: houve a troca de posição, prévia ao largada, o pole largou do lado de dentro, com menos aderência. Tirando isso, concordo no sentido que o que se tenta é remover um pouco desse exagero de ” bondade suprema”. Concordo. Agora, entendo. Primeiro, é preciso lembrar fatos que, por não estar informado ou por ter esquecido, quem escreveu esse artigo esqueceu:
    1- Ele foi, de forma flagrante, prejudicado por uma incomum troca de posições da grelha, largando pelo lado sujo.
    2- Ao ser sacaneado, isso beneficiaria um rival direto na disputa pelo título.
    3- Havia antecedentes entre os dois do ano anterior.

    Enfim, isso me ajuda a compreender, não aceitar a atitude. Não, de forma alguma eu acho que a atitude de Ayrton é correta. Mas entendo o tamanho da raiva que o cara deve ter sentido. Não acho que a batida foi apenas um castigo ao Prost, a assunção de um risco ridiculamente alto. Foi, acima de tudo, um desafio a FISA. Do tipo: depois de terem me sacaneado de todos os jeitos, e agora, vocês vão fazer o quê?
    Agora, esquece tudo isso e pensa na ira do cara. De fato isso para mim faz da personagem Senna algo mais interessante e complexo: porque faz de Ayrton um cara distante desse boneco de louça babão que a dupla Globo-Galvão inventaram. Um cara capaz de jogar um carro a 200 km por hora em alguem, mas que sai de outro para tentar salvar um companheiro em apuros, é um cara interessante: exatamente, uma personalidade complexa, e bem distante do mito construido. Além de tudo: que puta piloto né.

  • Ilmar Fernandes Souza Junior

    Desculpem colocar religião no meio, mas o único perfeito sobre esta Terra foi Jesus. E, não sei não, ele surrou os vendilhões do Templo de Jerusalém… Não seria o Senna que daria beijos e carícias no Prost…

  • Gabriel Pena Catabriga

    Excelente texto, sou sennista declarado e para mim o campeonato de 90 foi uma mancha na carreira do Senna. Ta certo, ele estava envolto em ódio daqueles que o sacanearam em 89, sua superlicença foi suspensa para 90 caso ele não pedisse desculpas públicas para o Balestre sobre suas declarações, ele pensou em desistir de correr, e apareceu uma declaração assinada por ele pedindo desculpas, que na biografia O Herói Revelado, deixa no ar que era falsa. No Briefing para 90 Piquet sugeriu que os pilotos que passassem reto pela chicane não poderiam retornar, devido a segurança de ir contra o fluxo normal, e o Balestre aceitou numa boa, somado ao episódio do pedido de mudança do pole para o lado limpo, o cara explodiu!

    Agora há um outro lado, o Prost foi muito ingênuo e não se preocupou em se defender de uma tentativa do Senna. Vejam o vídeo da largada no youtube, o Prost conhecia o Senna e não precisava ser muito experiente para saber que o troco seria dado. Ele se expôs no momento em que trás o carro para dentro da curva, foi presa fácil para vingança. Mas não apaga a atitude errada do Senna.

    Só para apimentar mais a discussão assistam também no youtube um vídeo mostrando o on-board dos dois em 1989 no momento do acidente. Se o carro do Senna não estivesse do lado o Prost cortaria a chicane pela grama.

    • Emerson Silva

      Senna não se irritou com o Piquet com quem não falava mais, e sim com o Balestre

  • Bravo Rezende

    Grande piloto! Mas Ayrton por mais que fosse agressivo dessa vez passou do limite. Lembro de nesse dia ficar muito chateado pelo esporte e pela F1. Esperar um ano inteiro pra dar o troco… Isso não existe em esporte. Fora da pista era pedante marionete, monossilábico e vítima do fútil bom mocismo.

  • Frank Rock

    É aquele negócio: ninguém é perfeito
    Os caras eram Gênios do esporte, mas seres humanos, e somos animais
    Muitas vezes a emoção supera a razão. E ainda há aquele estereótipo que sulamericanos, latinos, tem sangue quente, e por isso não conseguiram números mais expressivos ainda do que os que tiveram, etc…lembrando que nas categas de base ele já era muito agressivo, beirando o desleal, coisa que schummy alcançou, por exemplo, e nem precisava disso, com o talento que tinha. Talvez influencias de Briatori, vai saber
    Pelé, Senna, Jordan, Ali, até ativistas historicos, vai pesquisar e verá que todos tiveram, em algum momento, pelo menos uma atitude beeeem questionavel, na carreira ou na vida publica

    • Lucas Berredo

      Frank,

      Concordo 100% com o que você falou. Eles são gênios, mas no fundo são seres humanos e sofrem pressão. O Senna estava muito preocupado com a recente ascensão da Ferrari e, assim, na minha opinião (sem nenhuma base historiográfica), creio que naquele trecho da temporada ele sentiu que poderia perder o campeonato. Daí talvez a premissa para o episódio de Suzuka.

      Obrigado pelo comentário e abraço!

  • Vicente Camara

    Lucas, o lado que o Prost largou foi o de fora, não o do pitlane (como diz o texto) mas o próximo à arquibancada. É sempre difícil criticar o Senna no Brasil pela imagem imaculada, praticamente de beato que foi criada. Nesse caso, como dizia o Rubinho, ele era apenas um brasileirinho contra o mundo, foi a solução que encontrou para exorcizar os seus demônios. No entanto, nenhuma das sacanagens que fizeram com ele justificaria o que ele fez. Ou, colocando em outro plano, a corrupção dos políticos justificaria a minha corrupção pessoal? Não. É uma das histórias mais interessantes e controversas.

  • Otavio Romanini Poli

    Belo texto! Senna foi realmente um dos maiores pilotos da F1. Por isso, nós brasileiros o considera (exageradamente) um ídolo inabalável, e mesmo suas atitudes ruins são consideradas e justificadas como atos heróicos. Não acho que arriscar vidas seja a melhor forma de se vingar. Está certo que Prost nunca foi santo, mas justificar as más atitudes de um citando as do outro não faz e nunca fez bem para o esporte.

  • Gustavo Segamarchi

    Acho que as atitudes do Senna não foram desleais, não! Ele lutou com unhas e dentes pelo título. O Prost também não é santinho na história.

    Pelo o que li na análise, vocês estão desmerecendo toda a história de vanguarda do Senna. Não fiquem defendendo o Prost.

    Parece que fui chato, mas o Senna tinha espírito de campeão e não deixava barato.

    Se não fosse por essas atitudes ”errôneas”, hoje o Senna não seria o maior piloto que a F1 já teve.

    Me desculpem se fui chato, não foi a minha intenção.

    • Thiago Henrique

      O engraçado é que quando o Schumacher bate ele é vigarista e quando o Senna batia era porque tem espirito de campeão.

      • Gustavo Segamarchi

        Claro, man! KKK.

        Senna é Senna. O Schumy aprendeu com o trapaceiro do Briatore, KKKK.

    • os dois poderiam ter morrido na batida sua besta

      • Gustavo Segamarchi

        Eu não pedi a sua opinião, Brother.

        Sossega o seu facho, aí, Beleza.

    • Leandro Farias

      Regra é regra. Se Prost trapaceou, Senna também.

  • Tiago Paulo

    Acho plenamente justificável. Vamos lembrar, em 89 o Prost não só bateu como foi exigir do compatriota (chegado dele) a punição para o Senna, existem registros do Prost discutindo com o Balestre. Foi um tapetão absurdamente pior. Segundo ponto é sobre o lado do grid, no texto dos senhores dá a entender que o Senna pediu algo fora do comum, o que não é bem assim, no dia da corrida determinaram que o pole largaria do outro lado, do lado SUJO da pista, o Senna tentou reverter isso e não conseguiu. Vejo esse movimento dele como plenamente normal e humano, o cara foi injustiçado pela dupla 4 vezes até ali, valeu a “vingança”. E tem outro ponto, eles confiavam muito na segurança dos carros até então, fazia tempo que ninguém morria.

    • Lucas Berredo

      Tiago,

      É verdade que o Balestre não ia muito com a cara do Senna, OK. E em nenhuma parte do texto, a gente considera o pedido do brasileiro como ‘fora do comum’. O que tentei explicar eram as possíveis razões para o Senna ter tomado aquela atitude.

      De qualquer forma, respeito sua opinião, mas, sinceramente, jogar o carro em cima de outro pra definir um campeonato… eu não acho justificável. Acho antidesportivo e lastimável. Melhor seria se ele tivesse enfrentado o Prost na pista.

      Obrigado pelo comentário e abraço!

      • Tiago Paulo

        Concordo em parte, o que questiono sobre o texto é esse parágrafo:

        “Outra alegação foi a de que o brasileiro fora injustiçado na prova de 1990. Ayrton, pole em Suzuka pelo terceiro ano consecutivo, solicitara aos fiscais da Fisa que as posições de primeiro e segundo no grid fossem trocadas. Isso porque o vice-líder da grelha, Prost, se posicionaria no lado esquerdo do asfalto, mais próximo ao pitlane e, consequentemente, onde a pista era mais emborrachada, o que permitia maior aderência aos carros.”

        Quem lê isso sem conhecer o resto da história é levado a pensar que o Senna arbitrariamente pediu para trocarem o lado da pista. O texto não comenta que de fato a FISA trocou o lado da largada entre o treino classificatório e a corrida, que o pole largar do lado sujo da pista não era usual e dava uma vantagem óbvia e clara ao segundo colocado (largar com mais tração). Na minha opinião isso seria sim um motivo para o piloto se sentir injustiçado.

        Pensando pelo lado humano, se ele perdesse aquele campeonato para o Prost seria ainda pior, pois por 2 anos consecutivos estaria sendo derrotado pela politica e não na pista(sim pois sem a fatídica colisão a pole dele em 90 teria sido jogada no lixo por um ato estranho da FISA).

        Sinceramente “vingança” é algo lastimável realmente, eu vivo minha vida evitando isso, não devolvo nem uma fechada no trânsito, mas não consigo condenar algo assim. Fazendo um paralelo, se o Hill tivesse jogado o Schumi pra fora em 95, não conseguiria condenar ele depois do que sofreu em 94. Mas no fim isso é opinião pessoal.

        • Hecto Silva

          É isto aí, o Prost é um piloto fantástico, na minha opinião o único daquela época do nível do Senna, mas na parte política o Prost era terrível, o fato dele ser amigo do Balestre (francês) ajudou muito a ele usar está força política, contra seus opositores. Quem não se lembra do Mansell reclamando do Prost no item “politicagem”, quem não se lembra o Balestre acreditando que o Senna tinha um motor Honda com muita mais potência que o de Prost, mesmo o motor sendo sorteado. Foi por esta razão que Bernie Eclestone pediu que as equipes de F1 substituísse o bairrista Balestre pelo neutro Max Mosley.

  • Paulo Vargas

    Só queria ressaltar, que a matéria se refere à Senna como um Bandido! Não consigo enxergar na atitude de Senna, perversidade……….Agora, se nada do episódio de 89 e mais ainda, do episódio da mudança no lugar do grid em 90 tivesse acontecido, estaria eu tbm a concordar com toda “perversidade” de sua atitude. Mas aquilo que aconteceu estava previsto e Prost(apesar de não ser quem tomou o 1º passo) tanto quanto Senna fez parte daquele resultado. Pra mim e pra muita gente fora do Brasil tbm isso ficou bem esclarecido como um caso à parte na carreira de Ayrton, pois nunca houve outro registro de semelhante atitude. Em fim acho um pouco demais o título de perverso quando ali foi um enredo de 3 personagens, ou melhor 4: Ayrton, Prost, Balestre e a FISA!

    • vinicius alexandre

      Pelo meu ver a matéria não se refere a Senna como um bandido,aliás depois de tanto ler matérias e ver vídeos sobre esse incidente acredito que Senna teria sido mais feliz se tivesse ganho o campeonato da melhor forma que eu acredito que seria na pista indo pra cima do Prost.

    • Lucas Berredo

      Oi Paulo, tranquilo?

      Ser perverso é ser eticamente reprovável ou de caráter duvidoso. Dado o que o Senna fez em 1990, arriscando não apenas sua vida como a de outros pilotos, creio, sim, que podemos chegar à esta conclusão.

      É um caso à parte, verdade, mas que, queira ou não, definiu um título mundial para o brasileiro. Prost também não era ‘santo’, muito pelo contrário, mas a atitude dele em 1989 não credenciava Senna a fazer o mesmo na temporada seguinte.

      De qualquer forma, obrigado pelo comentário e continue nos acompanhando. Aqui no Projeto Motor a gente abre espaço para todo tipo de opinião, desde que não haja ofensas.

      Muito obrigado novamente e abraço!

      • David Félix Krapp

        Se a atitude de Prost em 89 também é reprovável haverá um post sobre o assunto ? Com título similar ? Aliás, poderiam aproveitar uma declaração do Nelsão recente dizendo que o Prost tentou algo similar na disputa pelo título de 83 ?