Toleman listrada? Williams Michelin branca? Pinturas raras da F1 – Parte 4

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Quando o Projeto Motor decidiu fazer um artigo sobre pinturas raras na F1, a ideia primeva era publicar apenas um texto, com 10 ou 15 fotos. Tanta coisa interessante foi surgindo ao longo das pesquisas que, em pouco tempo, já tínhamos material para criar uma seção dividida em três partes. Com a ajuda dos companheiros do comitê editorial, mais a de conhecidos d’outros cantos, como o colega Vitor Veine (que mais uma vez apareceu com sugestões), estamos chegando neste momento à quarta parte da série.

CONFIRA as outras três partes desta série aqui: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

O processo está começando a ficar cada vez mais “cabeludo”: envolve histórias um tanto obscuras e que invadem com mais afinco os véus dos anos 70 e 80. Sem mais delongas, confira abaixo os 15 membros selecionados para este pedaço do especial. Tem alguma sugestão ainda não publicada? Mande nos comentários.

1. Lotus “World Wide Racing” dourada e preta (1971)

heAtrelada legalmente à morte de Jochen Rindt, ocorrida um ano antes, no mesmo palco de Monza, a Lotus não poderia participar de forma oficial do GP da Itália de 1971. Para não ficar de fora, Colin Chapman inscreveu sua esquadra no evento sob a alcunha “World Wide Racing”, e aproveitou o ensejo para levar ao templo o ousado modelo 56B, empurrado por um propulsor (projetado pela Pratt & Whitney) que trocava a tradicional arquitetura de compressores recíprocos por uma turbina, tal qual um avião – uma ideia, aliás, que merece um texto à parte no futuro. A pintura também mudou: saiu o patrocínio dos cigarros Golf Leaf, entrou uma maravilhosa base dourada com filetes em preto nas pontas. Pena que a falta de equilíbrio e o excesso de peso do chassi tenham impedido Emerson Fittipaldi de ir além do 18º lugar na classificação, terminando o páreo em oitavo.

2. Mapfre-Williams azul (1976)

1976 - WilliamsEsta foi mais uma das histórias malucas de Frank Williams na época de vacas magras da F1. Em 1976, insatisfeito com a perda de espaço na Frank Williams Racing Cars após a associação com Walter Wolf, o britânico decidiu mostrar que ainda tinha poder interno e aceitou a proposta do espanhol Emilio Zapico, bancado pela companhia de seguros Mapfre, para correr seu GP natal, em Jarama, representando a escuderia. A situação foi um pouco caótica: Frank cedeu ao ás latino um FW04 do ano anterior, que estava encostado na sede, e comandou pessoalmente a empreitada, usando para isso a estrutura e até alguns mecânicos da recém-rebatizada Walter Wolf Racing. Entrementes, a inscrição de Zapico na prova se deu por um time teoricamente independente, denominado Mapfre-Williams. O livery é o que aparece acima: predominantemente azul. Só que o piloto sequer conseguiu se classificar entre os 24 que largavam, terminando o classificatório em 27º.

3. Ragno Arrows Beta toda laranja (1981)

1981 - ArrowsDe 1980 para 81, a Arrows deu adeus à linda coloração dourada da cerveja germânica Warsteiner pelo laranja da marca de ferramentas italiana Beta e pelo branco das cerâmicas Ragno, também do provenientes do país da bota. Para a etapa inaugural, na África do Sul (que acabou não contando para o calendário oficial, conforme Lucas Berredo já nos contou), a equipe apareceu provisoriamente com o A3 todo coberto de laranja. Para o restante do ano, casulos laterais e base do bico passariam a ser alvos.

4. Renault toda amarela (1982)

1982 - Renault A pintura amarela com faixas negras e brancas se tornou símbolo da Renault em sua primeira passagem pela F1 como construtura, entre os anos 70 e 80. Nos testes de pneus que antecederam a estação de 1982, contudo, Alain Prost surgiu em Jacarepaguá guiando esta derivação quase toda amarelada do veloz porém frágil RE30B. Detalhe para o despojamento do mecânico à esquerda, usando uma mera bermuda à altura do umbigo como uniforme.

5. Spirit laranja e branca (1984)

1984 - Spirit Praticamente sem lenço nem documentos para competir em 1984, após ter sido abandonada pela Honda, a Spirit disputou quase todo o certame com o modelo 101, empurrado pelo 4-cilindros turbo de 1,5 litro da Hart, decorado por um branco quase todo imaculado, devido à ausência de patrocínios. Para o GP da Holanda, como não tinha compromissos comerciais, a esquadra decidiu homenagear o piloto da casa Huub Rothengarter, representante da esquadra naquele momento, com uma composição especial em laranja. Não ajudou muito: o ás partiu em 27º, o pior posto de largada do time no ano, e abandonou na 54ª passagem por problemas no acelerador.

6. Tyrrell azul e vermelho “britânico” (1984)

1984 - TyrrellDurante a controversa temporada de 1984, a Tyrrell utilizou diferentes patrocínios na lateral do  012. O mais famoso é a máquina de café Delonghi, que estampava o bólido de Stefan Bellof em sua épica atuação no GP de Mônaco. Outros apareceram, porém. Em etapas como da Alemanha e Holanda, por exemplo, a companhia de computação neozelandesa Systime deixou o 012 assim: azul na base e estampado com faixas vermelhas e brancas no bico e nas entradas laterais de radiador, em alusão à bandeira do Reino Unido.

7. Toleman branca e vermelha listrada (1984)

1984 - TolemanEsta seria uma história ainda mais soturna não fosse o personagem relacionado um tal de Ayrton Senna. No GP de Portugal de 1984 a Toleman preparou uma pintura especial para o TG184, toda listrada em vermelho e branco do habitáculo até a caixa de transmissão. Por quê? Sinceramente, não conseguimos descobrir qual empresa estava por trás da ação. Pode ser a Magirus, companhia especializada em preparar caminhões para bombeiros e que explicava a presença do escarlate no desenho ao longo de boa parte do certame. De qualquer maneira, o fato é que o brasileiro obteve no Estoril sua melhor colocação de largada até então, terceira, e correu para terminar no mesmo posto, alcançando o terceiro pódio da carreira.

8. Lotus de Ayrton Senna #11 (1986)

1986 - Lotus Os traços pretos e dourados estão ok, assim como os decalques com o logotipo da John Player Special. Qual a peculiaridade, então, desta imagem de Ayrton Senna durante um dos primeiros testes com o Lotus 98T-Renault (o circuito é desconhecido), de 1986? É o número. Sabe-se lá por que razão o futuro tricampeão treinou nesse dia com o #11, que só havia usado antes numa aparição pela F3 em Snetterton.

9. Jordan 196 com pintura do 195 (1996)

1996 - JordanO 196, guiado por Rubens Barrichello e Martin Brundle em 1996, certamente é um dos Jordan mais bonitos já confeccionados. Um dos motivos é a elegante pintura dourada provida pelo cigarro Benson & Hedges. Contudo, a marca tabagista ainda não havia ratificado acordo com o time quando houve a primeira aparição oficial do monoposto. O shakedown, então, ocorreu usando a nada agradável combinação de verde-azulado, vermelho e branco utilizada na campanha antecedente. Uma prova do quão a coloração pode contribuir para um carro de F1 ser bonito ou não, como já diria o filósofo Cléber Machado.

10. Williams FW19B com pintura do FW20 (1997)

1997 - Williams 2Antes de lançar o limitado FW20, com o qual Jacques Villeneuve não conseguiu defender a coroa em 1998, a Williams realizou seus primeiros ensaios de pré-temporada, em Silverstone e Jerez, com uma versão híbrida do FW19 (base do carro anterior; alguns componentes do novo). A grande novidade é que a BAT (British American Tobacco) decidiu trocar a marca de cigarros que estampava nos carros da escuderia bretã: saía a Rothmans, conhecida especialmente pelo desastre ocorrido com Ayrton Senna em 1994, e entrava a Winfield. Estamos falando, portanto, de um Williams de 1997 usando o polêmico vermelho de 98.

11. Williams Michelin branca (2000)

CZ92lV2UcAATk_a Quando anunciou seu ingresso à F1, em janeiro de 2000, a fornecedora de pneus Michelin logo fisgou uma das equipes mais importantes da grelha: a Williams. Descontente com supostos privilégios da Bridgestone para a Ferrari, a operação inglesa se mostrou disposta a virar cliente principal da futura concorrente. Tanto que cedeu à empresa um FW21B (bólido de 1999 com pequenas modificações) e até seu piloto de testes, o guerreiro Jorg Müller, para as primeiras provas práticas com os compostos franceses. Para essas ocasiões, o modelo passou de vermelho para um branco quase inteiriço, interrompido apenas por algumas faixas azuis e pela presença de imagens do Bibendum, mascote da marca, nas laterais e no bico.

12. Minardi preta (2001)

Formula One LaunchSem dinheiro para seguir com sua aventura no automobilismo, Giancarlo Minardi vendeu ao magnata australiano da aviação Paul Stoddart, no comecinho de 2001, a equipe que fundara 22 outonos antes. A apresentação do PS01 (repare que o modelo já passava a levar as iniciais do nome do empresário), na sede de Faenza (Itália), ocorreu com a presença dos dois negociantes (em pé), mais o estreante Fernando Alonso e um chassi pintado todo de preto, carregando apenas adesivos da companhia de transporte aéreo European, pertencente a Stoddart.

13. BAR 555 azul e dourada (2006)

2006 - BARApós ser impedida pelos chefões da F1 de usar dois liveries diferentes nos carros da BAR/Honda, a BAT decidiu então privilegiar a Lucky Strike a partir de 2000. Porém, quando a categoria passou a correr na China, o grupo optou por promover naquele país outra marca de cigarros sob seu guarda-chuva, a 555 (bastante conhecida entre os fãs do esporte a motor pelas aparições como patrocinadora da Subaru no Mundial de Rali). Por isso, tanto em 2005 quanto em 2006 o vermelho e preto de uma deu lugar ao azul e dourado da outra. O resultado mais expressivo contando os dois páreos foi obtido por Jenson Button no segundo ano: quarto posto.

14. Renault azul metálica e amarela (2007)

2007 - KovalainenFernando Alonso não foi a única ausência sentida pela Renault na pré-temporada de 2007. Junto com o bicampeão espanhol, a montadora perdeu o patrocínio da companhia de cigarros Mild Seven, parceira de longa data (desde a Benetton, em 1994). Para seu lugar entraria o banco neerlandês ING, que traria a estranha companhia do laranja e branco às faixas amarelas. Antes disso, nos primeiros testes com o R27, o time fez suspense e pintou as partes que seriam ocupadas pela insígnia da instituição financeira com um tom metálico de azul. Antes o modelo tivesse ficado assim para a estação completa.

15. Red Bull branca e marrom (2008)

2008 - Red BullO GP do Brasil de 2008 marcou a despedida de David Coulthard. A fim de homenageá-lo, a Red Bull trocou o habitual azul do RB4 por uma base branca com detalhes em marrom. Nas áreas voltadas a patrocinadores, o nome da bebida energética foi substituído pela inscrição “Wings for Life”, instituição de caridade oficial da empresa. Nem mesmo o gesto da equipe inspirou o escocês, que já vinha protagonizando um campeonato totalmente errático. Coulthard se classificou somente em 14º no grid e, pior do que isso, colidiu com Kazuki Nakajima logo na primeira curva da corrida, aposentando-se de forma um tanto tétrica.

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.

  • Luiz Felipe Mello

    Essa pintura da 555 na BAR era espetacular!

  • Gilberto Batista de Sousa

    Aquele teste de pneus era em Jacarepaguá (falecido, infelizmente), pode ter certeza.
    E achava legalzin aquela pintura da Renault com aquela laranja da ING.

  • Gustavo Segamarchi

    Essas pinturas da Renault e da B.A.R estão maravilhosas. Poderiam ter sido as pinturas originais, de fato.

    Detalhe para o Gunther Steiner(Esquerda) ao lado do Alonso na Minardi.

    • Leonardo Felix

      E aí, Gustavo, tudo certo? O cara da esquerda é o Paul Stoddart. Mas há certa semelhança com o Steiner mesmo hahahaha.

      Abraços!

      • Gustavo Segamarchi

        Valeu, Leonardo.

        Vou alterar *_*