Trapalhada da Mercedes entra para galeria de estratégias furadas da F1

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As pessoas muitas vezes têm dificuldade de entender isso, mas automobilismo, em qualquer categoria, é um esporte coletivo. Tudo bem que é o nome do piloto que acaba representando todo o trabalho por detrás daquele específico carro no pódio, só que sem engenheiros, mecânicos e até os patrocinadores corretos que podem financiar o melhor equipamento, não existe vitória.

A derrota de Lewis Hamilton no GP de Mônaco do último domingo (24) mostrou como é importante um time concentrado para fazer seu piloto vitorioso ao final da prova. O inglês tinha o melhor carro, dominou todo o fim de semana, administrou a prova com maestria, e perdeu tudo em uma chamada terrível para ir aos boxes com a entrada do safety car.

A explicação foi de um mal-entendido no rádio, quando o atual campeão pensou que seus adversários tinham parado e reclamou dos pneus. Só que o pitwall não teve a velocidade de fazer o cálculo correto e perceber que o piloto perderia uma vitória garantida se entrasse nos boxes. O resultado foi o amargo terceiro lugar e muitos pedidos de desculpas após a corrida.

Só que é bom lembrar que esta é a segunda vez apenas nesta temporada que a Mercedes mostrou que tem dificuldade de responder rápido a situações de tática de paradas. No GP da Malásia, a equipe levou um verdadeiro baile da Ferrari e de Sebastian Vettel e acabou sendo presa fácil.

Isso não quer dizer que a o time da estrela de três pontas irá perder o título, mas gera uma insegurança considerável nos pilotos. E a história mostra que não foram poucas as equipes que conseguiram construir grandes carros, mas que pecavam na hora da estratégia.

Quem não lembra dos verdadeiros “olés” que a Benetton, de Michael Schumacher na pista e Ross Brawn nos boxes, deu na Williams em 1994 e 95? Depois, o mesmo aconteceu durante quase todo o restante da década de 90, quando o piloto e o engenheiro se transferiram para a Ferrari.

O problema, muitas vezes, não era somente o talento de Brawn em pensar rapidamente suas estratégias e a habilidade do grande campeão em executá-las com perfeição, mas é que a Williams entrava em um desespero tão grande de tentar se precaver ou fazer algo melhor, que os erros aconteciam.

Frentzen tenta segurar pelotão de pneus slicks na chuva, em Mônaco
Frentzen tenta segurar pelotão de pneus slicks na chuva, em Mônaco

Um caso que ficou bastante marcado foi o GP de Mônaco de 1997. A Williams tinha Heinz-Harald Frentzen na pole position e Jacques Villeneuve na terceira colocação, enquanto Schumacher saía em segundo. Uma garoa caiu poucos minutos antes da prova e a maioria das equipes resolveu ir para o grid com pneus intermediários, enquanto que a equipe inglesa, confiando na informação de seu serviço de meteorologia, resolveu arriscar largar de compostos para pista seca.

Só que a chuva aumentou já na volta de apresentação, e não existia mais nada a se fazer para evitar a tragédia. Villeneuve parou para a troca na terceira volta e Frentzen, na quarta, e os dois cruzaram no quinto giro em 17º e 16º, respectivamente, enquanto Schumacher sobrava na frente.

Recentemente, a própria Ferrari andou cometendo erros grotescos de estratégia. Como esquecer do GP de Abu Dhabi de 2010? Os italianos anteciparam a parada de Fernando Alonso para marcar Mark Webber, o concorrente ao título mais próximo na pontuação, mas se esqueceu que Sebastian Vettel, que liderava, também estava na disputa com chances matemáticas. Resultado: o espanhol ficou preso atrás de Vitaly Petrov pelo resto da prova e perdeu o campeonato por três pontos.

Agora é esperar se a Mercedes vai aprender a lição e começar a se concentrar um pouco mais nas chamadas de box, ainda mais em uma temporada em que, mesmo ainda tendo o melhor carro com sobras, tem uma Ferrari mais próxima se aproveitando de todos os seus erros.

 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Gustavo Segamarchi

    Eu não acredito que houve um erro da Mercedes, mas sim uma estratégia para o Rosberg vencer a corrida, pois ele já havia vencido na Espanha. O Reginaldo Leme falou na transmissão que se o Rosberg vencesse ele seria o 4º piloto com mais vitórias em Mônaco, atrás de Ayrton Senna, Graham Hill e Alain Prost. Por fim, eu não acredito em erro.