Undercut? Graining? Glossário de termos técnicos do automobilismo

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A temporada do esporte a motor já começou e vai ficar ainda mais embalada com as primeiras provas da F1. Então, não vai faltar material para quem gosta de acompanhar as corridas, tanto no noticiário como em análises que você encontra em publicações como o Projeto Motor.

É o momento em que você verá alguns termos sendo utilizados para explicar alguma novidade técnica ou algo que se passa no meio das provas – termos que parecem supercomplicados, mas que, na verdade, só são utilizados porque expressam precisamente a ideia desejada.

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Muitas das expressões têm origem em inglês, mas são facilmente associadas ao seu real significado. Portanto, para você ficar afiado para acompanhar com atenção a sua categoria favorita, o Projeto Motor faz um pequeno glossário com termos técnicos do automobilismo.

Se você sentiu falta de algum termo que não mencionamos, coloque nos comentários abaixo que atualizaremos este post!


AERO-RAKE: Provavelmente você vai ouvir falar deles nos primeiros treinos livres de sexta-feira. Trata-se daquelas “grades” que são acopladas aos carros para fazer testes aerodinâmicos. A peça está repleta de sensores, usados para medir o fluxo de ar e verificar se o comportamento é igual ao que se previa no túnel de vento e CFD. Os dados coletados são de grande valia para fazer a correlação entre o real e o virtual e conduzir o desenvolvimento aerodinâmico de forma mais objetiva. Não confundir com rake (veja abaixo).

vandoorne

APEX: pode ser traduzido como ápice. É o ponto imaginário de uma curva em que o piloto realiza sua tangência. O Apex de uma mesma curva pode variar de piloto para piloto, dependendo do estilo de cada um.

ARRASTO: em aerodinâmica, é a força de resistência do ar durante o movimento – quanto maior a superfície de contato com o ar, maior a resistência apresentada. Sendo mais específico às corridas, uma asa com maior inclinação proporciona maior arrasto e “segura” mais os carros nas retas; por isso, em pistas de alta velocidade, as asas são menos inclinadas. O DRS também tem essa função: como o próprio nome indica (Drag Reduction System, ou sistema de redução de arrasto), a ferramenta diminui o arrasto, o que reduz a resistência do ar e proporciona maior velocidade final.

BRAKE BY WIRE: sistema eletrônico de freios, utilizado na F1 desde 2014, com a introdução dos motores V6 turbo híbridos. De forma resumida, o recurso corrige qualquer possível instabilidade nas rodas traseiras gerada durante a alimentação do ERS e entrega exatamente o nível de frenagem requerido pelo piloto no pedal.

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DIFUSOR: é a estrutura da parte inferior traseira do carro. Cada vez mais complexos com o passar do tempo, os difusores têm como objetivo acelerar a passagem do ar a fim de criar uma zona de baixa pressão e, assim, aumentar o downforce (ver abaixo). É um dos setores que ganham mais atenção dos projetistas, pois possui papel direto na eficiência de um modelo.

DOWNFORCE: pode ser traduzido como pressão aerodinâmica. Nada mais é do que a força aerodinâmica que empurra o carro contra o solo, provocando maior estabilidade e aderência.

DUTO-S: conceito já bastante difundido na F1, em que o ar que chega à parte inferior do bico é conduzido até sair pela parte de cima, o que tem como objetivo encaminhar o fluxo de forma mais eficiente à traseira.

A saída do duto-S da Mercedes
A saída do duto-S da Mercedes

EFEITO COANDA: o efeito Coanda explica que um fluído (gás ou líquido), quando desviado, tende a permanecer unido à superfície pela qual passa. Na F1, isso faz com que as equipes usem a curvatura dos sidepods (ver abaixo) para direcionar o ar para o difusor (ver acima), o que aumenta a pressão aerodinâmica.

FLATSPOT: o famoso “pneu quadrado”. Em uma travada de freios maior, a porção do pneu que está em contato com o solo pode ficar levemente achatada. Um exemplo clássico em que isso aconteceu foi em Nurburgring-2005, quando Kimi Raikkonen obteve um flatspot em seu pneu dianteiro direito, que passou a “quicar” e resultou em uma dramática quebra de suspensão.

Nem todos os flatspots são dramáticos como este de Heidfeld em 2011
Nem todos os flatspots são dramáticos como este de Heidfeld em 2011

FLOW-VIZ: é aquela tinta fluorescente que as equipes usam, a exemplo do aero-rake, em alguns momentos específicos dos treinos. A função é semelhante: avaliar com mais detalhes o fluxo do ar de uma área específica do carro. A tinta é posta em determinada superfície e, assim que o bólido deixa a garagem, o trajeto do ar fica evidente – já que a tinta ainda não está seca.

GRAINING: pode ser traduzido como granulação, mas muitos conhecem como macarrãozinho. Quando o pneu não chega à sua temperatura de funcionamento ideal, pedaços de borracha vão se formando na superfície, onde permanecem grudadas. Assim, o piloto tem de limpar os compostos, removendo a granulação, para reaver o nível de aderência ideal.

Flow-viz é aquela famosa tinta fluorescente dos carros
Flow-viz é aquela famosa tinta fluorescente dos carros

GRAND CHELEM: resume a corrida perfeita por parte de um piloto, em que o mesmo registra a pole position, a volta mais rápida e a vitória liderando todas as voltas. É um feito raro: até 2017, apenas 24 pilotos marcaram Grand Chelems na categoria.

LASTRO: sua função primária é complementar o peso do carro e atingir o valor mínimo por regulamento (733 kg em 2018). Sua função secundária é ser usado para distribuir o peso, melhorar o equilíbrio e baixar o centro de gravidade. Por isso, as equipes fazem o possível para construir um carro leve e usar a maior quantidade que puder de lastro – quanto mais lastro ela conseguir usar, mais recursos ela terá para refinar o acerto. Na prática, são formados por blocos de tungstênio

LONG RUN: é uma longa sequência de voltas dada por um piloto, sem intervalos no box. Normalmente os long runs são simulações de corrida, com tanque cheio, em que os pilotos completam vários giros seguidos.

MARBLES: traduzido literalmente como bolinha de gude ou, em tradução livre, farofa. São os pedaços maiores de borracha dos pneus que se acumulam na pista, fora do traçado percorrido pelos carros. A foto que ilustra o topo do post é um exemplo.

MGU-H/MGU-H/ERS: são algumas das peças que compõem a unidade de potência V6 turbo híbrida, usada pela F1 desde 2014. Ao todo são seis itens que recuperam energia das frenagens e do escapamento, armazenam e “empurram” o carro. Neste artigo, explicamos a função de cada uma delas.

OVERSTEER/UNDERSTEER: pode ser traduzido literalmente como sobreesterço e subesterço ou, de forma livre, saída de traseira e saída de frente. São comportamentos de carros frequentemente descritos por pilotos. Um carro sai de frente quando a dianteira aponta para fora da curva durante a tangência; no segundo caso, é a traseira que escapa durante a tomada.

PUSHROD E PULLROD: é o sentido da montagem da suspensão. No pushrod, a barra se encontra com o sistema de amortecimento a partir de seu topo, empurrando-o para baixo. No pullrod o contato se dá pela base, puxando os elementos para cima.

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RAKE: pode ser chamado de ângulo de ataque de um carro. Um carro com alto rake possui o nariz mais baixo do que a traseira, o que melhora o desempenho do difusor (ver acima). O contrário também existe, quando a frente é mais alta que a porção dianteira. Não confundir com aero-rake (veja acima).

Traseira da Red Bull é mais alta do que a frente
Traseira da Red Bull é mais alta do que a frente

SANTO ANTÔNIO: é a barra anticapotagem do carro, situada acima do capacete do piloto. O santo antônio evita lesões cervicais ou à cabeça caso o carro caia de rodas para cima. É uma das partes mais resistentes dos F1 atuais, que devem passar pelos mais resistentes testes de impacto.

SIDEPOD: é a porção lateral do carro próxima ao cockpit, que tem função tanto aerodinâmica quanto mecânica. As entradas de ar laterais do sidepod possuem os radiadores, que são importantes para manter a refrigeração dos motores; além disso, o local é trabalhado com cuidado pelas equipes para direcionar o ar da melhor maneira possível para a traseira.

SUPERLICENÇA: é o documento exigido para que um piloto possa largar em um GP de F1. Desde 2016, a superlicença é dada apenas aos competidores que cumprem certos pré-requisitos definidos, incluindo resultados determinados em categorias de base. No entanto, a superlicença não é obrigatória para pilotos que fazem testes oficiais (como a pré-temporada) e treinos livres de sexta-feira – Sean Gelael, Nikita Mazepin e Alfonso Celis são alguns exemplos de pilotos que ainda não possuem superlicença e que participaram de atividades da F1.

UNDERCUT: importante em corridas sem reabastecimento, em que a estratégia é determinada pelo desgaste dos pneus. É a tática de fazer o pitstop antes de seu oponente da frente e, assim, ganhar a posição, fazendo uso da(s) volta(s) extra(s) calçado com a borracha nova.

Imaginemos a seguinte situação: um piloto está 1s atrás do rival imediato. Ele vai ao box para fazer sua troca e perde 22s com a parada, logo, retornando à pista com 23s de desvantagem para o mesmo oponente. No entanto, como está com pneus novos, ele consegue virar 2s mais rápido que seu concorrente, que ainda está com compostos gastos – a diferença, então, cai para 21s. Quando o rival faz seu pitstop e perde os mesmos 22s para a troca, o piloto consegue ganhar a posição graças ao chamado undercut.

 

Quem chega forte para a temporada da F1 em 2018? | Debate Motor #108

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.