Vai começar a temporada da Fórmula E. Fique esperto nas novidades

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A Fórmula E inicia neste próximo final de semana, com corridas na sexta-feira (22) e sábado (23) em Diriyah, na Arábia Saudita, a sexta temporada de sua história. E será um campeonato com algumas novidades interessantes, principalmente pela chegada de novas montadoras que completam o que já era um clube com integrantes importantes do mercado.

As novas competidoras serão Porsche e Mercedes, que substitui a HWA, empresa parceira que iniciou de forma planejada a operação na época anterior. Desta forma, a Fórmula E passa a contar com quatro fabricantes alemãs, com BMW e Audi também no grid. No total, a Fórmula E pode se orgulhar de ter nove fabricantes diferentes de unidades de potência elétricas. Além das quatro alemãs, também fornecem Penske, DS, Jaguar e Mahindra.

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No total, serão 12 equipes no grid desta temporada, uma a mais do que no último campeonato, com a chegada da Porsche. Entre as clientes, ou seja, que compram seus motores elétricos, estão Virgin (Audi), NIO (Penske rebatizado NIO), Techeetah (DS) e Venturi (Mercedes).

Esquadrão de marcas alemãs da Fórmula E
Esquadrão de marcas alemãs da Fórmula E (Fotos: F-E)

Para aumentar ainda mais os números, a categoria também acrescentou mais um destino em seu calendário e visitará agora 12 cidades diferentes. Como Diriyah e Londres sediarão rodadas duplas, serão 14 corridas durante a temporada que vai de novembro de 2019 a julho de 20.

Os competidores da Fórmula E

A Fórmula E terá na temporada 2019-20 o maior grid de sua história, com um total de 24 carros. Conheça as equipes e pilotos que estarão na busca pelo título:

ENVISION VIRGIN (GBR)
Motor: Audi
Pilotos: #2 Sam Bird (GBR) e #4 Robin Frinjs (HOL)

NIO 333 (CHN)
Motor: Nio (Penske EV-3 rebatizado)
Pilotos: #3 Oliver Turvey (GBR) e #33 Ma Qinhua (CHN)

MERCEDES-BENZ (ALE)
Motor: Mercedes-Benz
Pilotos: #5 Stoffel Vandoorne (BEL) e #17 Nicky de Vries (HOL)

GEOX DRAGON (EUA)
Motor: Penske
Pilotos: #6 Brendon Hartley (NZL) e #7 Nico Muller (SUI)

AUDI (ALE)
Motor: Audi
Pilotos: #11 Lucas di Grassi (BRA) e #66 Daniel Abt (ALE)

DS Techeetah (CHN)
Motor: DS
Pilotos: #13 Antonio Felix da Costa (POR) e #25 Jean-Eric Vergne (FRA)

PORSCHE (ALE)
Motor: Porsche
Pilotos: #18 Neel Jani (SUI) e #36 Andre Lotterer (ALE)

VENTURI (MCO)
Motor: Mercedez-Benz
Pilotos: #19 Felipe Massa (BRA) e #48 Edoardo Mortara (SUI)

JAGUAR (GBR)
Motor: Jaguar
Pilotos: #20 Mitch Evans (NZL) e #51 James Calado (GBR)

NISSAN E.DAMS (FRA)
Motor: Nissan
Pilotos: #22 Oliver Rowland (GBR) e #23 Sébastien Buemi (SUI)

BMW Andretti (EUA)
Motor: BMW
Pilotos: #27 Alexander Sims (GBR) e Maximilian Gunther (ALE)

MAHINDRA (IND)
Motor: Mahindra
Pilotos: #64 Jérôme d’Ambrosio (BEL) e #94 Pascal Wehrlein (ALE)

O calendário

Não foi só o grid da Fórmula E que aumentou para esta nova temporada. A categoria também terá um calendário de provas com uma cidade a mais. Contanto com as duas rodadas duplas, serão 14 corridas no total.

Das 12 pistas diferentes que receberão os carros do campeonato, 10 são urbanas. A duas exceções são as etapas de Marrakech, no circuito Moulay El Hassan, e Cidade do México, em uma versão reduzida do Hermanos Rodríguez, que também sedia o GP de F1 local.

Confira as provas e datas:

22/11/2019 – Diriyah (Arábia Saudita) 1

23/11/2019 – Diriyah (Arábia Saudita) 2

18/01/2020 – Santiago (Chile)

15/02/2020 – Cidade do México (México)

29/02/2020 – Marrakech (Marrocos)

21/03/2020 – Sanya (China)

04/04/2020 – Roma (Itália)

18/04/2020 – Paris (França)

03/05/2020 – Seul (Coreia do Sul)

06/06/2020 – Jakarta (Indonésia)

21/06/2020 – Berlim (Alemanha)

11/07/2020 – Nova York (EUA)

25/07/2020 – Londres (Inglaterra) 1

26/07/2020 – Londres (Inglaterra) 2

O carro da Fórmula E

O atual modelo é a segunda geração de carro da categoria, que leva o nome Gen2. O chassi foi desenvolvido pela empresa de engenharia Spark Racing Technologies. Os pneus são fornecidos pela Michelin e os freios pela Brembo.

A bateria é produzida pela McLaren e equipes e montadoras que passaram que seleção da FIA podem fazer e desenvolver seus próprios motores, inversores, transmissão, suspensão traseira e sistemas de software.

Felipe Massa, com seu Venturi-Mercedes, durante a pré-temporada da Fórmula E em Valência
Felipe Massa, com seu Venturi-Mercedes, durante a pré-temporada de Valência (Foto: Fórmula E)

O carro desenvolve 250 Kw de potência, algo em torno de 335 cavalos. A velocidade máxima é de 280 km/h e o modelo faz 0-100 km/h em 2s8. O peso total do monoposto é de 900 kg.

Segundo a Fórmula E, o Gen2 produz um barulho de cerca de 80 decibéis, o que seria 10 a mais do que um carro de rua médio a 110 km/h. Por outro lado, o som é baixo o bastante para ser aceitável dentro das leis da maioria das cidades do mundo para eventos nas áreas centrais.

Formato das corridas

As corridas têm 45 minutos mais uma volta. A programação de cada ePrix acontece toda em apenas um dia, com exceção óbvia das rodadas duplas. Assim, tudo começa com o treino livre e classificação pela manhã e corrida no começo da tarde.

Desde a adoção na última temporada do Gen2, que consegue fazer toda a prova com a mesma carga de bateria, não é preciso mais pit stops ou troca de carros.

Os pilotos possuem duas maneiras de conseguirem potência extra durante as provas para atacarem os rivais. Nos circuitos existem faixas fora do traçado em que quando eles passam, conquistam o “modo ataque”. Após armado, o piloto pode acionar o disposto e terá 35 Kw a mais durante algumas voltas.

Detalhes como local da faixa de ativação, número de ataques possíveis para cada piloto e a duração de cada utilização é anunciada pela FIA apenas 60 minutos antes do início das corridas. A ideia é dar o mínimo de tempo possível para equipes pensarem na estratégia, aumentando o uso randômico.

Pelotão da Fórmula E durante etapa de Nova York da temporada 2019-19
Pelotão da Fórmula E durante etapa de Nova York da temporada 2019-19 (Foto: Steven Tee / LAT Images/Fórmula E)

A outra forma de conseguir uma potência a mais no carro é trabalhando bem as redes sociais ou possuindo uma boa base de torcedores. Os cinco pilotos mais votados em eleição no site da Fórmula E e Twitter a cada etapa recebem a oportunidade de usar a partir de 22º minuto da prova uma carga extra de energia de até 100 Kj/s por alguns segundos.

A sessão classificatória para o grid de largada tem os pilotos divididos em quatro grupos de seis carros com seis minutos para marcarem seus tempos. Os seis melhores passam para a Super Pole, onde cada um completa uma volta rápida por vez para definir as três primeiras filas. O pole position conquista três pontos para o campeonato.

Mudanças para a temporada 2019-20

– Motores gêmeos foram banidos. A única equipe que utilizava este artifício era a Nissan, que por isso precisou para esta temporada fazer uma unidade de potência totalmente nova e homologá-la com a FIA em setembro.

– O nível de energia do Modo Ataque foi aumentado de 225 Kw para 235 Kw.

– Os pilotos não poderão mais armar o Modo Ataque durante períodos de bandeira amarela em todo o circuito.

– Para cada minuto de corrida sob condição de safety car, 1 kWh será subtraído do total de energia disponível de cara carro no momento em que a corrida foi neutralizada.

– O piloto que for o mais rápido no estágio de grupos da classificação receberá um ponto no campeonato.

Brasileiros da Fórmula E

Dois brasileiros bastante conhecidos do público e com passagens pela F1 iniciam a temporada 2019-20. Lucas di Grassi está desde o começo da categoria, sempre correndo pela Audi, e foi o campeão da terceira época da competição, a 2016-17.

O piloto de 35 anos terminou todos os campeonatos da Fórmula E entre os três primeiros, sempre brigando pelo título. Em conversa com o Projeto Motor, ele admitiu, no entanto, que para voltar a levantar a taça, ele e a equipe Audi precisam estar entre os melhores desde o começo e não apostar em um crescimento durante a disputa.

Lucas di Grassi, pela Audi, e Felipe Massa, Venturi, serão os representantes brasileiros na Fórmula E
Lucas di Grassi, pela Audi, e Felipe Massa, Venturi, serão os representantes brasileiros na Fórmula E na temporada 2019-20 (Foto: Fórmula E)

“Tem bem menos mudança agora do que da temporada quatro para a cinco. E foram dois anos já que a gente começou o campeonato para trás e se recupera. Vamos trabalhar de uma forma diferente este ano para começarmos melhor.”

De qualquer maneira, com o bom final na 2018-19, Di Grassi acredita que para a competição que começa neste final de semana, a base que ele tem é boa para iniciar de cara entre os melhores.

“Para ganhar o campeonato, você precisa ser muito consistente. Um campeonato tão competitivo como a Fórmula E, você precisa ter uma média boa. Tivemos muita desclassificação, muita quebra [na última temporada]. As corridas boas foram muito boas. Em Berlim, uma vitória bem dominante e México foi aquela vitória nos últimos metros que nunca vou esquecer. A gente se adaptou bem a esse carro novo. Com as novas regras, a tendência é melhorar para a gente”, explicou.

O outro representante do país no grid é Felipe Massa, novamente pela equipe monegasca Venturi, que este ano troca o seu motor próprio para se tornar cliente da Mercedes. Na primeira experiência na categoria, na última temporada, ele terminou apenas em 15º na classificação geral, com 35 pontos, com um pódio na etapa de Mônaco, quando terminou em terceiro.

“Temos um novo motor. A Mercedes está apenas chegando. Ano passado estávamos usando uma unidade de potência completamente diferente. Então, temos muito que trabalhar, muito que aprender e muito que entender até a primeira corrida”, declarou o ex-Ferrari ao canal da Fórmula E durante a pré-temporada em Valência.

Transmissão

As corridas da Fórmula E podem ser vistas ao vivo pelo canal por assinatura Fox Sports.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.