Vai ter equipe nova na F1 nos próximos anos? | Debate Motor #180

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Fãs da F1 gostam de uma novidade. E uma equipe nova no grid sempre é uma coisa legal e que chama a atenção de todo mundo quando chega.

A última equipe que entrou na categoria foi a Haas, com um projeto construído do zero. Em 2018, a F1 teve ainda a entrada da Racing Point, porém, adquirindo o espólio da Force India. Times novos, do zero mesmo, também se inscreveram através de uma concorrência da FIA realizada em 2009 para a temporada de 2010, quando foram selecionadas Campos, USF1 e Manor.

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As esquipes tinham uma promessa do então presidente da FIA, Max Mosley, de que a F1 teria um teto orçamentário em vigor, o que as deixaria mais próximas das rivais estabelecidas. Além disso, existia um novo pacote de motores, da Cosworth, mais barato do que das outras montadoras. Só que a proposta do teto de gastos não foi para frente, barrada pelos times da F1, e o propulsor inglês nunca foi competitivo o bastante, o que deixou o ambiente para entrada das novatas o pior possível.

O que aconteceu com as estreantes de 2010?

A Campos não conseguiu o financiamento para estrear e acabou sendo vendida de última hora para entrar na F1 como HRT (ou Hispania). A USF1 faliu antes mesmo de construir o carro. E a Manor vendeu seu nome para a Virgin, conglomerado britânico, que a batizou nos anos seguintes. Naquela temporada acabou entrando também a Lotus (uma nova versão), que depois de um tempo foi renomeada de Caterham. Essa última foi escolhida para a vaga da Toyota, que resolveu deixar o Mundial ao final de 2009.

Bruno Senna, pela HRT, em 2010

Agora, a situação é parecida, com novas competidores se interessando na proposta da F1 para 2021. Os pontos principais que chamam a atenção são o teto orçamentário, divisão mais justa das verbas da categoria entre as equipes, maior equilíbrio esportivo por conta de regras aerodinâmicas mais restritivas e uma padronização de mais itens do carro. Além disso, o caminho percorrido pela Haas, que entrou no Mundial utilizando uma parceria técnica com a Ferrari, também brilhou aos olhos, com um caso de sucesso para estreantes que queiram gastar menos em desenvolvimento de peças que podem ser adquiridas de uma escuderia grande.

Qual é o cenário para uma nova equipe hoje?

Pelo menos duas novas organizações mostraram interesse em entrar na F1 já em 2021. A Panthera Team Asia F1, liderada por Benjamim Durand, ex-chefe da equipe SMP do Mundial de Endurance, foi a primeira a anunciar o projeto. O time diz ter financiamento de empresas asiáticas e que já estaria trabalhando em uma base próxima a Silverstone, na Inglaterra. Tim Milne, ex-Renault, Honda, Toyota, Super Aguri, Caterham e por último Manor, foi contratado para ser o chefe de aerodinâmica.

A outra possível concorrente é a… Campos! Sim, Adrián Campos está de volta. Desta vez, o projeto do ex-piloto espanhol é com o empresário Salvatore Gandolfo. Ele também já estaria formando uma equipe técnica com Bem Wood, ex-Prost e Mercedes, como chefe de aerodinâmica, e Peter McCool, ex-Super Aguri, como diretor técnico. Até mesmo pilotos já estariam na mira, com o alemão Pascal Wehrlein e o espanhol Alex Palou, ambos gerenciados por Gandolfo em sua empresa Monaco Increase Management (MIM), surgindo como nomes ventilados no noticiário.

A Campos, é bom lembrar, faz bom papel nas principais categorias de base da FIA com equipes na F2 e F3. Além disso, também cuida da operação da Mahindra na Fórmula E.

Equipe Campos Racing, hoje na F2 e F3, pretende entrar na F1
Jack Aitken é piloto da Campos na F2 (Foto: Joe Portlock / LAT Images / FIA F2 Championship)

O que acontece agora?

No meio de tantos anúncios de interesse e formação de equipes, a FIA e a F1 (leia-se Liberty) resolveram pronunciar-se. Ainda durante o GP de Singapura, Jean Todt afirmou que a FIA ainda não tinha recebido uma candidatura séria e oficial para inscrição no Mundial. Nesta última quinta-feira (03/10), após o surgimento da informação sobre a Campos, a F1 publicou comunicado oficial sobre o assunto dando outro banho de água fria:

“Após notícias nos últimos dias de diversas entidades que indicaram a ambição de participarem do Campeonato Mundial de F1 FIA, enquanto a F1 aprecia o interesse, podemos confirmar que não existe nenhuma discussão séria com nenhuma pessoa ou empresa sobre a admissão de uma nova equipe.”

Ross Brawn, diretor técnico da F1, já avisou que, sendo abordado por diversas novas possíveis novas equipes nos últimos meses, tem sugerido o adiamento de inscrições para 2022 por conta da grande mudança de regulamento e regras de governança que a categoria vai passar em 21. O inglês acredita que assim as novatas entrariam em um ambiente mais estável.

Toda esta questão foi discuta no Debate Motor, programa transmitido todas as quintas-feiras através do canal do Youtube do Projeto Motor. Assista à análise da equipe do site no vídeo no alto deste texto ou diretamente no Youtube.


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