Verstappen e surpresas: entenda a louca corrida de Interlagos

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O GP do Brasil voltou a ter uma edição bastante movimentada neste domingo com ultrapassagens, acidentes e polêmica em Interlagos. Max Verstappen largou na pole e conquistou a corrida, a sua terceira na temporada.

O holandês se destacou durante toda prova com ótimo ritmo e duas ultrapassagens sobre Lewis Hamilton. Na primeira, após perder a ponta por conta de um undercut da Mercedes, na freada do “S” do Senna. Na segunda, pelo fato do inglês não ter parado na entrada de um safety car, no mesmo ponto na relargada, porém, por fora, em um bela manobra que surpreendeu o hexacampeão.

A partir do segundo colocado, só surpresas. Pierre Gasly, que já vinha em boa fase pela Toro Roso desde que foi rebaixado da Red Bull, completou a dobradinha da Honda e consolidou seu ressurgimento para a F1 após um péssimo início de temporada.

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Interlagos pôde ainda conferir uma chegada emocionante entre o francês e Lewis Hamilton, com Gasly cruzando a linha de chegada apenas 62 milésimos à frente. O inglês terminou em terceiro e subiu ao pódio, porém, perdeu a posição algum tempo depois. A FIA anunciou uma punição de cinco segundos por ele ter causado a colisão com Alexander Albon, que vinha em segundo à sua frente, na antepenúltima volta.

Pierre Gasly e Lewis Hamilton cruzam a linha de chegada praticamente lado-a-lado em Interlagos
Pierre Gasly e Lewis Hamilton cruzam a linha de chegada praticamente lado-a-lado em Interlagos (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull)

O tailandês, que caminhava para o primeiro pódio de sua carreira, acabou rodando com o toque na curva 10 (Bico de Pato) e cruzou a linha de chegada apenas em 14º.

“Claro que ele não fez de propósito. Eu conheço Lewis. Eu sentia que merecia estar no pódio hoje. Claro que estou chateado. Mas corridas são assim…”, lamentou Albon na zona mista de imprensa depois da corrida. “Eu achava que se ele fosse atacar, seria na curva um. Ele tinha ritmo. Claro que ele queria me passar logo para tentar vencer a corrida. Eu entendo. Mas… Sim, é frustrante.”

O piloto da Mercedes teve cinco segundos adicionados em seu tempo total e caiu para a sétima posição. Quem subiu para terceiro, então, foi Carlos Sainz, da McLaren, que largou da última posição do grid em Interlagos após ter sofrido problemas no motor durante a classificação de sábado.

Relargada a duas voltas do final com Verstappen liderando e Hamilton, com pneus macios recém trocados, partindo para cima de Gasly e Albon (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull)

“Saí mais rápido da curva 9, vi um espaço e mergulhei. Estava pensando ainda em alcançar o Max. Acho que recebi uma punição de cinco segundos e aceito a punição. Foi totalmente um erro meu”, admitiu o hexacampeão após a prova.

Como a corrida ficou maluca?

Até a 52ª volta, a corrida seguia dentro da normalidade. Verstappen na frente, com Hamilton se aproximando graças ao melhor desempenho da Mercedes com pneus médios. Em seguida, vinham Vettel, Leclerc, Bottas e Albon.

O finlandês da Mercedes abandonou neste momento com problema de motor e ficou parado ao final da Reta Oposta. A direção de prova acionou o carro de segurança, o que desencadeou uma mudança nos pit stops. Verstappen partiu para uma terceira parada para trocar seus pneus médios por macios. Leclerc também fez a mudança dos duros para macios.

Hamilton ficou na pista e assumiu a ponta. Por pouco tempo. Na relargada, o holandês da Red Bull o deixou para trás com bela manobra na curva um. Poucos giros depois, as duas Ferraris bateram e novo SC entrou. Desta vez, Hamilton foi para o box para colocar pneus macios novos.

Assim, na relargada tínhamos Verstappen seguido de Albon e Gasly e o inglês apenas em quarto. O hexacampeão deixou o francês da Toro Rosso para trás já ao sinal verde, mas fez uma manobra desastrada em cima de Albon que resultou em toque e deixando as primeiras posições mais bagunçadas na abertura da última volta.

O que aconteceu com a Ferrari em Interlagos

Sebastian Vettel largou em segundo e perdeu a posição logo na largada, na primeira perna do “S” do Senna, para Hamilton. A partir deste momento, em nenhum momento o alemão mostrou ter ritmo para conseguir brigar pela vitória com Verstappen e Hamilton.

Enquanto o alemão seguia em terceiro, Charles Leclerc fazia sua recuperação da 14ª posição do grid, resultado de uma punição por troca de motor. Após uma segunda rodada de pit stops durante a entrada do carro do primeiro carro de segurança, entre as voltas 54 e 59, os dois apareceram juntos na quarta e quinta posições atrás de Verstappen, Hamilton e Albon.

Na volta 66, Leclerc partiu para cima do companheiro e fez a ultrapassagem na entrada do “S” do Senna. Vettel contornou em seguida a Curva do Sol na cola do monegasco e abriu a asa móvel na Reta Oposta.

Leclerc se manteve no meio da pista enquanto Vettel passou por fora. Só que antes de completar a ultrapassagem, o alemão trouxe seu carro para dentro e sua roda traseira esquerda bateu na dianteira direita do parceiro. O resultado foi que ambos os pneus estouraram e a dupla de Maranello abandonou a corrida.

Depois da prova, um apontou o outro como culpado. O chefe do time, Mattia Binotto afirmou que iria analisar o lance apenas no retorno de Interlagos. “Os dois pilotos lamentam pela equipe. Vamos analisar juntos para que não aconteça novamente. Liberdade para lutar não significa liberdade para fazer coisas bobas”, apontou. “É uma questão de reconhecer os erros. O importante é que ambos entendam o que fizeram”, seguiu.

Destaques

  • Pierre Gasly teve um final de semana completo. Largou em sexto, ficando com a melhor posição de grid fora das três melhores equipes (lembrando que Leclerc foi punido) e manteve a posição a corrida inteira atrás das Red Bull, Mercedes e Ferrari. Soube se aproveitar dos problemas de Bottas, Vettel x Leclerc e Hamilton x Albon para terminar em segundo, o melhor resultado de sua carreira e segundo pódio da Toro Rosso em 2019 e o seu pessoal na carreira. Além disso, recuperou a sexta posição no campeonato, na briga como “melhor do resto”.
  • A Honda conquistou sua primeira dobradinha desde o GP do Japão de 1991, quando Gerhard Berger venceu com Ayrton Senna em segundo, pela McLaren. “Todos os engenheiros e funcionários da Honda devem estar muito contentes com o resultado. Ainda mais sendo no Brasil, onde temos muitas lembranças com Ayrton [Senna]”, disse o diretor técnico da Honda, Toyoharu Tanabe ao Projeto Motor depois da prova.
  • Carlos Sainz conseguiu uma incrível recuperação com a McLaren saindo da última posição para terceiro ao final.
  • Quem também teve motivos para celebrar foi a Alfa Romeo. Depois de quatro provas sem marcar pontos, a equipe conseguiu terminar com Kimi Raikkonen em quarto e Antonio Giovinazzi em quinto, após largarem em oitavo e 12º, respectivamente.
  • Max Verstappen, 22 anos, Pierre Gasly, 23, Carlos Sainz, 25. O GP do Brasil de 2019 passa a ter o pódio com a média etária mais baixa da história da F1: 23 anos, 8 meses e 23 dias.
  • Com 158.213 pessoas durante todo o final de semana em Interlagos, o GP do Brasil teve em 2019 seu melhor público desde 2001.
  • A próxima etapa do Mundial de F1, a última da temporada de 2019, acontece em 1º de dezembro, em Abu Dhabi.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.