Vettel, Hamilton, Alonso e mais: eles celebraram 200 GPs na F1 com estilo

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Durante quatro décadas a marca de 200 GPs na F1 parecia um tabu. Veja o exemplo de Graham Hill: esteve na categoria por 18 anos, entre 1958 e 75, e ainda assim não passou da casa de 175 provas oficiais disputadas. Hoje o cenário é muito diferente. Desde que Riccardo Patrese registrou pela primeira vez a 200ª participação de um ás no certame, no GP da Grã-Bretanha de 1990, o campeonato vem sendo cada vez mais inchado, com média próxima a 20 corridas por temporada.

Em resumo, já não é mais tão difícil atingir a marca, e Sebastian Vettel se tornou o 18º volante a alcançá-la no GP do Bahrein de 2018.

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A celebração veio com estilo. Após tomar tempo do companheiro de Ferrari, Kimi Raikkonen, durante praticamente todos os treinos livres e até na primeira volta lançada do Q3, o alemão acordou na “hora do vamos ver”, reagiu e roubou do finês a pole position, feito que se provou decisivo para que o tetracampeão pudesse controlar a corrida, desvencilhar-se da armadilha tática da Mercedes e terminar o domingo conquistando uma das mais contundentes vitórias da carreira.

Curioso observar que comemorar a 200ª presença na grelha de largada da F1 estourando champanhe no alto do pódio tem se tornado algo comum entre os volantes de ponta do século 21. Vejamos: Jenson Button foi o primeiro, no famoso GP da Hungria de 2011. Sob chuva intermitente e numa tarde cheia de alternativas, o britânico comprovou mais uma vez por que deveria ser considerado o adversário mais temido naquelas condições, dando uma aula de controle do carro e inteligência tática.

Jenson Button celebra vitória no GP da Hungria de 2011
Jenson Button celebra vitória no GP da Hungria de 2011

Na sequência veio Fernando Alonso. O espanhol dominou com autoridade o GP da China de 2013, de maneira tão imponente que chegou a dar pinta de que seria o favorito ao título daquele ano. Doce ilusão. O bicampeão até obteria outro triunfo na Espanha, mas não apenas sucumbiria à superioridade do conjunto Red Bull-Renault-Vettel na referida estação como aquelas seriam as duas últimas vitórias contabilizadas na carreira até os dias de hoje. Lá se vão cinco anos…

Alonso festejando conquista do GP da China de 2013. Quem diria que ele estaria prestes a entrar num longo jejum...
Alonso festejando conquista do GP da China de 2013. Quem diria que ele estaria prestes a entrar num longo jejum…

Nico Rosberg também celebrou seu 200º páreo da carreira com estilo. A etapa era a de Singapura de 2016, logo na pista em que a Mercedes mais tem exposto suas fragilidades desde que iniciou sua segunda era de domínio na categoria, em 2014. O germânico ignorou os problemas, largou da pole e liderou praticamente de ponta a ponta, mas teve de se segurar dos ataques de um ávido Daniel Ricciardo, que partira para a alternativa de uma troca extra de pneus. Um triunfo muito similar a esse obtido por Vettel em Bahrein-2018, com meros quatro décimos de vantagem sobre o australiano da Red Bull na linha de chegada.

Triunfo em Marina Bay talvez tenha sido o mais difícil de Rosberg na campanha do título de 2016
Triunfo em Marina Bay talvez tenha sido o mais difícil de Rosberg na campanha do título de 2016

Por fim, Lewis Hamilton. O também tetracampeão mundial atingiu a segunda dezena de GPs na etapa da Bélgica de 2017. Foi justo no templo de Spa-Francorchamps que o bretão travou com Vettel a disputa de mais alto nível entre ambos durante a campanha que culminou no quarto título do inglês. Ambos rodaram 44 vezes pelo traçado de 7 km travando uma intensa batalha de cronômetro, que teve como cereja do bolo duas tentativas de ultrapassagem na entrada da Les Combes impedidas  com maestria por Hamilton. O ápice de um duelo de gigantes.

Hamilton cruza linha de chegada para sacramentar vitória no GP da Beélgica de 2017
Hamilton cruza linha de chegada para sacramentar vitória no GP da Beélgica de 2017

O que essas histórias nos ensinam? Que os pilotos de F1 não estão apenas chegando com mais facilidade à casa das 20 dezenas de GPs. O fato de estrearem cada vez mais cedo e ainda o de haver mais corridas por temporada levaram o quinteto acima mencionado a correr o 200º páreo de F1 em suas vidas ainda no auge. Bem diferente da realidade do próprio Patrese em 90, assim como daquela vivida por Nelson Piquet (Itália-91), Andrea de Cesaris (Canadá-94), Gerhard Berger (San Marino-97) e Jean Alesi (EUA-2001).

Todos eles celebraram o “GP 200” já num estágio avançado da carreira, sem muitas pretensões de resultados gloriosos. Tanto que, dessa turma, Piquet foi o único a conseguir terminar a prova na zona de pontuação, com um sexto lugar. Parece bom, mas ocorreu justamente na prova de estreia de Michael Schumacher pela Benetton. O então novato teutônico ofuscou totalmente o veterano tricampeão, concluindo exatamente um posto à frente, em quinto. Dizem que aquela atuação foi decisiva para Flavio Briatore decidir não renovar com o brasileiro.

Nos anos 2000 vale destaque o curioso caso do próprio Schumacher. Oficialmente sua 200ª corrida oficial transcorreu no GP de Mônaco de 2004. Como todos sabem, aquele foi o campeonato mais dominante e hegemônico já protagonizado por um ás na história da F1. Entrementes, a rodada de Monte Carlo calhou de ser a prova em que a Ferrari mais encontrou dificuldades: o heptacampeão não apenas perdeu a pole position para Jarno Trulli no sábado como colidiu com Juan Pablo Montoya no domingo e abandonou. Foi a única das 13 primeiras rodadas do ano que Schumi não completou em primeiro lugar.

Por outro lado, o já calejado David Coulthard obteve um inesperado pódio (e ainda vestido de “super-homem”) em seu 200º GP, o de Mônaco de 2006, a bordo de uma ainda limitada Red Bull. Outros ases que chegaram à casa das 200 participações oficiais na categoria foram: Rubens Barrichello (San Marino-2005, Ferrari, abandonou); Giancarlo Fisichella (Mônaco-2008, Force India, abandonou); Jarno Trulli (Austrália-2009, Toyota, terceiro); Mark Webber (Bahrein-2013, Red Bull, sétimo); Kimi Raikkonen (Canadá-2014, Ferrari, 10º); Felipe Massa (Grã-Bretanha-2014, Williams, abandonou).

BATE-PRONTO GP do Bahrein 2018 – Vettel, na tática (e no braço)

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.