Vitória deu novos recordes a Raikkonen. Não que ele ligue para isso…

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Com a vitória no GP dos Estados Unidos, Kimi Raikkonen passou a poder colocar em seu currículo alguns recordes bem diferentes da F1 e que perduravam por 28 e 12 anos respectivamente.

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Como a última vez que o finlandês tinha vencido foi no GP no Austrália de 2013, ainda de Lotus, há 113 provas, ele passou a ser o piloto da categoria com a maior quantidade de GPs entre duas vitórias. Além disso, ele também é o piloto com maior número de corridas e tempo entre seu primeiro e último triunfo (calma, ele ainda pode ampliar esta marca).

Sim, sim, é verdade que Raikkonen não é um cara muito de comentar números e estatísticas. Se perguntado sobre esses recordes provavelmente ele diria, “ah, isso não muda muito minha vida”. De qualquer momento, é algo interessante que nos permite fazer uma análise de como a carreira do campeão de 2007 se estendeu – até mesmo de forma inesperada – na F1 e como ele conseguiu, desde logo o princípio de sua passagem no Mundial, se manter em condições de conquistar vitórias.

Antes de Austin-2018, a última vitória de Raikkonen tinha sido no GP da Austrália de 2013, de Lotus

A marca de mais GPs entre duas vitórias era de Riccardo Patrese desde que o italiano venceu a etapa de Ímola de 1990, de Williams. A última vez que ele tinha conseguido o lugar mais alto do pódio tinha sido 98 provas antes, no GP da África do Sul de 83, de Brabham. Aquele seria o terceiro dos seis triunfos de Patrese, que aproveitaria o ótimo modelo FW14 e sua evolução B para ganhar mais duas provas em 91 e uma em 92.

Patrese, no entanto, mantém a marca de mais tempo entre duas vitórias. Isso por que entre suas duas longevas conquistas, passaram-se 6 anos, 6 meses e 28 dias. Raikkonen, aliás, não está nem perto desta marca, ficando em quinto nesta estatística. Isso acontece, lógico, pela quantidade muito maior de etapas em cada temporada que temos nos dias de hoje.

Na frente do finlandês ainda estão, em ordem, Bruce McLaren (6 anos e 6 dias entre uma vitória e outra), Jack Brabham (5 anos, 10 meses e 19 dias) e Mario Andretti (5 anos, 7 meses e 18 dias). Só aí então chega a vez de Raikkonen com 5 anos, 7 meses e 4 dias entre seus últimos dois triunfos.

A marca que talvez signifique mais para o atual piloto da Ferrari, no entanto, é a de mais tempo entre sua primeira e última vitória. Isso por que mostra que durante todo este tempo, de alguma forma, ele se manteve relevante para a categoria, já que nem o seu primeiro nem o seu triunfo nos Estados Unidos foram por motivos excepcionais. Ele competia em grandes equipes e era, como é hoje, um dos principais pilotos da F1.

Primeira vitória de Raikkonen na F1 foi no GP da Malásia de 2003, de McLaren

Raikkonen conquistou a primeira vitória em sua terceira temporada no Mundial, quando ainda tinha 24 anos, em seu segundo ano pela McLaren. Aconteceu no GP da Malásia de 2003. Ele largou em sétimo e terminou na frente com uma larga vantagem de 39 segundos para Rubens Barrichello, segundo. Outro piloto que começava a brilhar na categoria, Fernando Alonso, ficou em terceiro.

Entre esta vitória e a de Austin, em 2018, se passaram 15 anos, 6 meses e 28 dias, sendo que ele competiu neste período em 254 corridas. Esse número poderia ser ainda maior, pois ele ficou duas temporadas fora da F1 em 2010 e 11, deixando de competir em 38 corridas no total.

Para vermos como neste quesito apenas grandes pilotos conseguem se manter na F1 por tanto tempo vencendo, ele superou Michael Schumacher, que é o segundo em ambas as marcas com 230 GPs entre o primeiro e último triunfo durante 14 anos 1 mês e 1 dia. Depois, em tempo, seguem Alain Prost (12 anos e 20 dias, com 191 provas) e Niki Lauda (11 anos, 3 meses e 28 dias, com 175 provas).

Lewis Hamilton, que ainda tem idade para bater as duas marcas já é o quinto em período de tempo entre os triunfos (11 anos, 3 meses e 27 dias), mas já é o terceiro em quantidade de corridas (218), muito por conta da maior quantidade de corridas, como explicamos anteriormente. Tanto Kimi quanto Hamilton ainda podem ampliar seus números, pois possuem contratos para as próximas duas temporadas.

Raikkonen ainda passou a liderar uma estatística finlandesa ao se tornar o piloto do país com mais vitórias na F1. Com seu 21º triunfo, ele deixou para trás o compatriota Mika Hakkinen, que pode, no entanto, seguir orgulhoso como único bicampeão da Finlândia. Kimi segue com um título, assim como Keke Rosberg, que também tem cinco triunfos. Outros dois representantes da terra do Papai Noel ganharam corridas: Valtteri Bottas, três, e Heikki Kovalainen, uma.

Raikkonen estreou na Ferrari em 2007 com uma vitória em Melbourne. No total, são 10 triunfos pela equipe

Outros números

Kimi ainda tem outras marcas interessantes. Ao final do ano, ele se despedirá da Ferrari como o segundo piloto da história com mais GPs pela marca de Maranello, 151, atrás apenas de Michael Schumacher, 180, e logo à frente dos brasileiros Felipe Massa e Rubens Barrichello, 139 e 102, respectivamente. Em termos de vitória pela escuderia italiana, ele é o sétimo, com 10, apenas uma atrás de Fernando Alonso e Felipe Massa (será que dá tempo?). Schumacher também lidera esta estatística com 72.

O futuro, no entanto, pode reservar um número ainda maior para Raikkonen. Caso ele realmente complete as duas temporadas pela Sauber pelas quais se comprometeu, em 2019 e 20, ele certamente irá superar o recorde de piloto com mais GPs na história da F1, que hoje é de Rubens Barrichello, com 322. Raikkonen, hoje, tem 289 provas.

Com seu estilo despojado, de quem parece pouco se importar com tudo isso, até parece que Raikkonen ficará no topo de algumas estatísticas da F1 por algum tempo.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.