Vitórias que abriram novas fases da Honda na F1

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A vitória de Max Verstappen no GP da Áustria de 2019 deixou muitos torcedores holandeses e da Red Bull (equipe local e proprietária do autódromo em que a prova é realizada), mas difícil acreditar que alguém tenha ficado mais satisfeito do que a turma da Honda. A fornecedora de motores esperou 13 anos desde seu último triunfo na F1, passando experiências duras com sua equipe própria nos anos 2000 e depois com a sua última parceira, a McLaren.

A Honda já é uma tradicional participante da F1, com inscrições como equipe, mas principalmente como fornecedora de motores desde 1964. Ao todo, carros equipados com propulsores da marca japonesa já largaram em 430 GPs, venceram 73 corridas e somaram seis títulos de construtores para seus times e levaram cinco mundiais de pilotos.

Em todo este tempo, além de sua própria equipe, em duas passagens pela F1, a Honda já trabalhou com 10 construtores diferentes. Depois de uma primeira experiência com time próprio nos anos 60, a primeira cliente foi a pequena Spirit, em 1983. Depois veio a Williams, onde os japoneses cresceram e se tornaram uma potência.

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Na segunda metade dos anos 80, a Lotus se tornou outro time a vencer com o “H” em seu carro. Mas foi no final daquela década em que a Honda encontraria uma de suas mais icônicas parceiras, a McLaren, com quem reinou na F1 por alguns anos até a despedida de 92. Paralelamente, também chegou a trabalhar por uma temporada com a Tyrrell.

O retorno nos anos 2000 foi bastante irregular, com uma parceria com a novata BAR, formada sobre a compra da Tyrrell, e depois com a Jordan.

Quem está na chuva é para se molhar, certo? A Honda resolveu em 2006 comprar a BAR e entrar de novo na F1 com equipe própria. Para aumentar a aposta, ainda patrocinou uma espécie time de satélite, a Super Aguri, que teria como chefe o ex-piloto japonês Aguri Suzuki.

O começo até que foi animador, com direito a vitória, porém, o resto da história não poderia ser pior, com a equipe andando constantemente nas últimas posições do grid até resolver abandonar a categoria em 2008. Para piorar, sob seus espólios, surgiu a Brawn GP, campeã da temporada seguinte e que se tornaria o embrião da Mercedes.

Verstappen mostra o “H” da Honda no pódio do GP da Áustria de 2019 (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Racing)

Com o novo regulamento de motores híbridos, a Honda resolveu voltar a apostar na F1 e fechou uma parceria com a McLaren. Tudo deu errado e o casamento terminou em briga feia, com uma não querendo mais olhar para a cara da outra. A marca encontrou então no Grupo Red Bull uma nova casa. Primeiro na equipe satélite Toro Rosso e depois no time principal da empresa.

E o triunfo na Áustria, no primeiro ano da parceria não poderia vir em hora melhor. Tanto Verstappen, ao mostrar o “H” em seu macacão no pódio, quanto a própria Red Bull, ao enviar o diretor técnico da Honda, Toyoharu Tanabe, para receber o troféu de construtores pela equipe, fizeram questão de homenagearem a empresa.

Diante deste triunfo que abre uma nova fase para a Honda na F1, relembramos outras vitórias que marcaram momentos diferentes da marca na categoria. Confira:

GP do México de 1965

A F1 chegava ao seu final de campeonato com o campeão já definido, Jim Clark. A Honda estava em sua segunda temporada na categoria, a primeira completa, e enfrentava um ano difícil, cheio de abandonos por falhas mecânicas.

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Richie Ginther, no entanto, estava em um final de semana inspirado no México. Ele conquistou a terceira posição no grid e pulou na ponta logo na largada. Dan Gurney, da Brabham, foi seu principal perseguidor, mas o americano da Honda fez uma corrida sem erros, liderando do começo ao fim.

A vitória se tornou marcante para todos os envolvidos. Foi a primeira (e única) de Ginther na F1, da Honda (como motor e equipe) e também da fornecedora de pneus Goodyear.

GP dos EUA (Dallas) de 1984

Em 1983, a Honda resolveu voltar à F1 após um hiato de 15 anos. Na primeira temporada, ela se aliou à pequena Spirit. Para a temporada seguinte, no entanto, ela fechou uma parceria promissora com a Williams, que já tinha no currículo dois títulos de pilotos e dois de construtores.

Após um hiato de 15 anos, a Honda voltou à F1 como parceira da Spirit, em 1983 (Foto: Honda Racing)

Só que o começo do casamento não foi dos melhores, com muitas desistências por conta da falta de confiabilidade no motor. E num final de semana de muito calor em Dallas – durante a corrida a temporada chegou aos 38°C – poucos poderiam imaginar que a Williams-Honda poderia brigar por algo ou até mesmo terminar.

A corrida quase não aconteceu por conta de um acidente em uma prova da Can-Am realizada no sábado que danificou as barreiras de proteção e o asfalto da pista. A organização trabalhou por toda noite nos reparos e conseguiu terminar apenas trinta minutos antes do horário da largada. Os pilotos da McLaren, Niki Lauda e Alain Prost, chegaram a tentar costurar um boicote por parte dos pilotos, mas Keke Rosberg foi um dos principais opositores da iniciativa e conseguiu convencer a maioria dos companheiros.

A Honda voltou a vencer na F1 em 1984 com a Williams, pelas mãos de Keke Rosberg (Foto: Honda Racing)

Na prova, Mansell pulou na frente com sua Lotus e liderou a primeira metade da corrida, enquanto Rosberg, com sua Williams-Honda, vinha galgando posições após começar em oitavo. Na volta 36, o finlandês tomou a ponta e não perdeu mais, cruzando a linha de chegada com confortáveis 22s4 de vantagem para o segundo colocado, René Arnoux, da Ferrari. A outra Williams-Honda ainda terminou em quarto com Jacques Laffite.

Além de ser a primeira vitória nesta segunda passagem da Honda pela F1, também foi a primeira da marca com um motor turbo, tecnologia que a levaria ao domínio da categoria alguns anos depois.

GP de Mônaco de 1987

Vitórias dos motores Honda se tornaram algo comum durante a década de 80, principalmente a partir de 86, com o crescimento da Williams. Em 87, a marca se aliou também à Lotus e passou a ter duas clientes vencendo corridas.

E o GP de Mônaco daquela temporada ficou marcado pelo primeiro triunfo da nova parceria. Ayrton Senna venceu pela primeira vez nas ruas de Monte Carlo em um domingo de muita comemoração para os japoneses, que também viram outro brasileiro, Nelson Piquet, terminar na segunda posição com a Williams, outro carro equipado com seus motores.

Aquela seria também o primeiro triunfo dos japoneses na prova mais famosa da F1 e marcava de vez o início de uma grande fase para a Honda, que aos poucos se tornaria o grande bicho papão do Mundial no final dos anos 80.

GP do Brasil de 1988

Nada melhor do que já começar uma nova parceria com uma vitória, certo? E foi assim que o primeiro casamento entre McLaren e Honda iniciou.

Alain Prost liderou a corrida desde a largada e venceu com tranquilidade. Na outra McLaren-Honda, Senna teve problemas na volta de apresentação, ainda tentou utilizar o carro reserva quando a primeira largada foi cancelada, porém, foi desclassificado por ter trocado de carros depois da bandeira verde da volta de aquecimento.

Junto com a McLaren, a Honda dominaria a F1 no final dos anos 80 (Foto: Honda Racing)

Aquela seria uma temporada especial tanto para a McLaren quanto para Honda, que venceriam 15 das 16 corridas. A dupla passaria a dominar a F1 vencendo os campeonatos de 88, 89, 90 e 91. Uma fase incrível para ambas.

No declínio de competitividade de 92, a Honda resolveu não só deixar a equipe, mas também a categoria, colocando fim a sua segunda passagem pelo Mundial como fornecedora oficial. A marca seguiria na categoria, mas utilizando a preparadora Mugen como parceira independente para levar seus propulsores para times clientes até o final da década de 90.

GP da Hungria de 2006

Desde 1998, a Honda vinha tateando a ideia de retornar à F1 com uma equipe própria. O primeiro projeto foi abortado após a morte do projetista Harvey Postlethwaite, que liderava o projeto.

No começo dos anos 2000, a marca se aliou à BAR como fornecedora de motores. Em 2004, em meio à melhor temporada da equipe, a marca se empolgou e comprou 45% do time. Um ano depois, resolveu adquirir os outros 55% e anunciou que entraria em 2006 com inscrição própria pela primeira vez desde 1968.

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A primeira temporada não foi talvez no nível esperado, de brigar regularmente por vitórias e pódios, mas também foi longe de ser um fracasso. O time alcançou, porém, seu momento mágico no GP da Hungria.

Em uma corrida maluca por conta da chuva e o tempo instável, Jenson Button mostrou sua habilidade de leitura da pista e ainda contou com a sorte do abandono do líder Fernando Alonso, da Renault, para vencer pela primeira vez. Era o retorno da Honda ao alto do pódio, desta vez não só como fornecedora de motores, mas como equipe.

O bom momento, no entanto, não se repetiria tão cedo. Nos anos seguintes, a Honda só caiu de desempenho até a decisão de deixar a F1 ao final de 2008.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.