WEC e IMSA divulgam primeiros detalhes de classe conjunta

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Em um comunicado conjunto, o WEC (Mundial de Endurance) e a IMSA (Associação Internacional de Automobilismo, que organiza o campeonato endurance nos EUA e Canadá) anunciaram as primeiras regras gerais da nova classe LMDh, que poderá competir pela vitória na classificação geral em ambos os campeonatos.

O anúncio da nova classe foi feito em janeiro, durante a semana das 24 Horas de Daytona. Nos últimos meses, técnicos das duas categorias e da FIA estudaram a melhor forma de colocarem em prática a ideia. O objetivo principal é de incentivar a entrada de montadoras nas duas competições.

E se o plano já parecia óbvio há alguns meses, com a chegada da pandemia do novo coronavírus, que pode reduzir drasticamente o investimento das marcas automotivas em marketing e automobilismo no geral, a chamada convergência entre WEC e IMSA se torna quase que um caminho obrigatório para a sobrevivência.

“Desde a pandemia do coronavírus, a maneira como o automobilismo será pensado no futuro foi sem dúvida afetado. Nossa estratégia para a LMDh é tentar encontrar a melhor resposta para os anseios técnico e de competitividade das montadoras, assim como oferecer a elas a maior visibilidade global para suas marcas”, declarou Gérard Neveu, CEO do WEC.

A regras da convergência entre WEC e IMSA

Como era esperado, a nova classe LMDh será baseada na atual DPi da IMSA. Sendo assim, a receita é praticamente a mesma da utilizada nos últimos anos pela categoria americana, e que conseguiu atrair as marcas Cadillac, Mazda e Acura.

O novo carro seguirá usando como base o chassi da classe LMP2, a segunda da hierarquia do WEC, porém, permitindo modificações em zonas específicas da carenagem para estilização da marca. O pacote aerodinâmico, no entanto, será único. Desta forma, as montadoras interessadas em participar terão que se aliar ou comprar um carro de uma das quatro fabricantes homologadas pela FIA (Dallara, Ligier, Multimatic e Oreca) para desenvolverem seus modelos. O peso mínimo do carro será de 1.030 kg e a classe utilizará uma fornecedora única de pneus escolhida em concorrência da FIA.  

Protótipos Acura que competem na IMSA
Protótipos Acura que competem na IMSA (Foto: Team Penske)

Ao contrário da LMP2, que utiliza uma fornecedora única de motores, a Gibson, na LMDh, assim como já acontece na DPi, as montadoras poderão desenvolver e utilizar seus próprios propulsores. A novidade é que a classe também passa a utilizar sistema híbrido, com recuperação de energia, seguindo a linha mais próxima ao que é feito na categoria principal do WEC. A diferença aqui é que o sistema será único e obrigatoriamente no eixo traseiro. O pico máximo de potência somando o motor a combustão interna (ICE) e o sistema híbrido poderá de ser de 500 kW.

Apenas montadoras de grande porte poderão competir sob esse regulamento. Equipes privadas deverão obrigatoriamente correrem na classe LMP2 ou, na LMDh, sob a bandeira de uma dessas marcas.

IMSA, WEC e FIA irão trabalhar ainda em um sistema de Balanço de Performance para equilibrar a competição dentro os LMDh e os novos LMH, os hipercarros do WEC. O objetivo é deixar a competição o mais equilibrada possível para que as duas classes possam brigar por vitórias na classificação geral das corridas do Mundial, incluindo 24 Horas de Le Mans.

Modelo GR Super Sport que está sendo desenvolvido pela Toyota para a classe dos hipercarros do WEC (Foto: Toyota Gazoo Racing)

O WEC já se comprometeu que a LMDh poderá competir em todas as suas etapas. Em relação ao outro lado, o comunicado afirma que a “IMSA, com as 24 Horas de Daytona como seu evento principal, darão boas vindas aos carros LMDh enquanto está aberta para a participação dos LMH das principais montadoras automotivas assim que o desempenho nos circuitos da IMSA puder ser validado”. Ou seja, dá a entender que apenas irá aceitar os novos modelos da competição da FIA se eles não forem dominantes dentro das pistas.

Cronograma de introdução

A ideia para a chegada da LMDh é para a temporada de 2022. No comunicado conjunto, porém, as entidades reguladoras admitem que a pandemia do novo coronavírus pode causar algum adiamento.

“Esse cronograma claramente precisa ser melhor validado em parceria com as montadoras automotivas, construtoras de chassis e fornecedoras chave já que a pandemia do Covid-19 irá determinar se o adiamento da introdução se tornará necessária.”

Essas regras anunciadas nesta quinta-feira (07) ainda passarão por um maior detalhamento nos próximos meses após novos estudos. A promessa é que o regulamento final da LMDh será apresentado durante a semana das 24 Horas de Le Mans de 2020, que atualmente está marcada para setembro, data que ainda pode ser revista por conta da atual crise de saúde mundial.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.