Williams preta? Brabham com motor exposto? Pinturas raras da F1 – Parte 6

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Ele está de volta! O especial do Projeto Motor sobre pinturas utilizadas em seletíssimas ocasiões chega à sexta parte. Desde o quinto fascículo até este passaram-se seis meses. Não pense o douto leitor que tal demora ocorreu porque esquecemos da seção. Tal espaço foi necessário porque encontrar uma combinação rara que ainda não tenha sido mencionada está cada vez mais difícil. É preciso tempo e paciência para pesquisa.

Relembre as demais partes:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5

Todavia, coletamos material suficiente para este novo fragmento da série. Alguns dos achados aqui são muito, muito raros, portanto aprecie sem qualquer tipo de moderação.

Brabham BT44 branco e descarenado (1974)

Reutemann Brabham Argentina treinos livres 1974

Sabemos que no passado não era tão incomum assim um bólido participar de testes sem capô do motor, a fim de averiguar diferenças de temperaturas, refrigeração e comportamento com distintos níveis de pressão atmosférica. O que surpreende nesta imagem de Carlos Reutemann com o Brabham BT44, do princípio de 74, é o fato de ele ter saído para andar assim na sessão de treinos livres para o GP da Argentina, em Buenos Aires. Vai falar que não parece mais um kart gigante? Isso, claro, além do fato de que o restante da carenagem está todo branco, ainda sem ostentar o patrocínio da Martini.

Lotus 88 “pelado” (1982)

lotus 88 mansell 82 kyalami

Durante uma famosa bateria de testes em Kyalami, na semana anterior ao GP África do Sul de 1982 – que abririra a temporada -, a Lotus surgiu com esta configuração do polêmico modelo 88, de chassi duplo, desprovida de pintura no chassi superior. Vale lembrar que o carro já havia sido proibido de competir pela FISA desde meados do ano anterior. Mas, então, que raios ele fazia passeando pelo traçado sul-africano? A resposta é que Colin Chapman vinha desenvolvendo outro modelo, o 91, que utilizaria parte dos conceitos do 88 aplicados a um chassi monobloco. O 91 estrearia no segundo GP da temporada, o do Brasil.

Brabham BT51 parcialmente descarenado (1982)

Brabham Piquet 1982

Um é pouco, dois é ótimo! Que tal termos Brabham branca e com motor desnudo em dose dupla? Esta é uma das poucas fotografias que se tem do BT51, projeto original de Gordon Murray para a estação de 83 e que acabou abortado por conta da proibição do efeito solo. Modelo ainda contava com diversas partes híbridas do BT50, mais o motorzão BMW 4-cilindros turbo e uma transmissão improvisada da Alfa Romeo. O circuito não conseguimos identificar.

Toleman TG185 branco, preto, azul e vermelho (1985)

Stefan 1985 Toleman Silverstone

Antes de anunciar um interessante acordo de patrocínio com a grife de roupas Benetton, que promoveu uma verdadeira revolução estética em seus carros, tornando-os alviverdes e recheados de simpáticas bandeiras, a Toleman iniciou a pré-temporada de 1985 com este discreto livery para o recém-desenvolvido TG185. Stefan Johansson e o veterano John Watson foram responsáveis pelos primeiros testes, realizados em Silverstone.

Benetton B186 branco, verde, vermelho e preto (1986)

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Por falar em Benetton, foi com uma disposição muito similar àquela usada pela Toleman que a agora escuderia apresentou o B187, modelo com o qual Thierry Boutsen e Teo Fabi correram em 87. Para as corridas, porém, a pintura ficou muito mais colorida e chamativa (embora não tão elegante).

AGS JH22 MGN branco (1989)

AGS teste motor W12 MGN meados de 1989 Grand Sambuc

Em meados de 1989, a pequenina AGS colocou o velho JH22, utilizado em 87, para experimentar o pouquíssimo conhecido motor W12 da MGN (sigla em francês para Moteur Guy Nègre, sendo Guy Nègre o dono da empresa; infelizmente, esse obscuro projeto fracassou e culminou na falência da companhia, caso que merece ser mais bem destrinchado n’outra ocasião). O não menos anônimo Philippe Billot foi o responsável por colocar o bólido com usina exposta e coloração quase 100% opalina em ação no escondido autódromo francês de Grand Sambuc. São muitos elementos rejects numa só história, não?

Eurobrun ER189 Alpha preto (1989)

Eurobrun ER189 preta GPs Japão e Austrália de 1989

Ainda navegando pelos profundos mares de 89 chegamos a este belo Eurobrun ER189 preto, cortesia da fabricante nipônica de chaves e fechaduras Alpha, que patrocinou a esquadra nos GPs do Japão e Austrália. De nada serviu a nova roupagem, visto que Oscar Larrauri não conseguiu sequer se pré-classificar em nenhuma das etapas.

Tyrrell 018 Rothmans Goodyear (1990)

Tyrrell 1990 ROthmans

Considere este um dos grandes mistérios da F1. No princípio de 1990, a Tyrrell realizou a apresentação de seu novo livery, uma sóbria combinação de branco com azul, exibindo um renovado grupo de patrocinadores, entre eles a marca de cigarros Rothmans (já conhecida das competições de resistência e que futuramente se aliaria à Williams). Por algum motivo jamais esclarecido, porém, a parceria acabou desfeita antes mesmo da primeira etapa do Mundial. Repare também como o monoposto estava calçado com pneus Goodyear, sendo que, poucas semanas depois, a equipe se tornaria cliente da Pirelli.

Fondmetal FA1M-E preto e cinza (1991)

Fondmetal Phoenix 1991

Adquirinte do espólio da Osella, a companhia italiana de peças em ligas metálicas Fondmetal ingressou na F1 como time próprio em 1991 ainda “tateando” o novo ambiente. Enquanto seu primeiro modelo, o F1, não ficava pronto, a operação colocou para andar nas provas de Phoenix e Interlagos o velho Osella FA1M-E. Os grafismos da pintura também não haviam sido definidos até então, restando apelar ao “pretinho básico” com faixas acinzentadas no topo de asa dianteira e casulos laterais.

Williams FW13 preto (1992)

Williams FW13 Estoril 1991

Durante uma sessão de filmagens para um comercial da Renault, realizada em meados de 1992 no circuito português do Estoril, a Williams colocou o semirrevolucionário FW14 (91) para acompanhar uma versão totalmente dark do FW13 (89/90). Johnny Robinson era o piloto de capacete negro a bordo do bólido à frente, enquanto Tiff Needell o perseguia fingindo ser Nigel Mansell (por isso o casco com desenho igual ao do inglês). Assista ao comercial:

Brabham BT60B Galmer (1992)

Brabham Galmer 1992

Esta é contada pelo imperdível site Unraced F1. Após decretar falência, em meados de 1992, a Brabham teve seu espólio vendido para a Galmer, empresa de engenharia anglo-americana que já havia ingressado na CART naquele ano, fornecendo o chassi G92 para a Galles-Kraco. Foi, inclusive, coroada com a vitória das 500 Milhas de Indianápolis daquele ano, pelas mãos de Al Unser Jr. (naquela que, até hoje, é a chegada mais apertada da história da corrida). Entre setembro de 92 e janeiro do ano seguinte, a Galmer realizou testes com o famigerado BT60B – conforme mostra a imagem de Damon Hill andando com o bólido reestilizado em azul e branco em local não identificado -, a fim de iniciar a concepção de seu sucessor, o BT61. Entretanto, a promessa de receber US$ 500 mil de investidores se transformou em calote, e a operação não pôde ser continuada por falta de dinheiro.

Larrousse LH94 “Cores do Reggae” (1994)

Larrousse Beretta Paul Ricard 1994

Depois de arranjar um novo patrocinador para 1994, o conglomerado cervejeiro francês Kronenbourg, a Larrousse passou a estudar novas possibilidades de pintura para seus sempre coloridos bólidos. A primeira ideia a ser colocada em prática foi esta, exibida em testes no autódromo de Ímola e que estampava faixas horizontais em verde, branco, amarelo e vermelho. Ficou parecendo que a equipe fora adquirida por um grupo de reggaeros jamaicanos, e a combinação acabou substituída por uma mais discreta, em verde e azul com decalque da Tourtel, uma das cervejas do grupo. Porém, conforme o Projeto Motor já contou na segunda parte deste especial, nos páreos de Aida, Ímola e Monte Carlo o livery foi um vermelho e branco quadriculado, que promovia a própria cerveja Kronenbourg.

 

Debate Motor #68: A F1 está condenada a uma era sem ultrapassagens?

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.

  • Luiz S

    Aquela foto do Brabham BT44…o piloto ficava praticamente “fora” do carro !!

    • MPeters

      É que no caso ele não está só sem a carenagem do motor, mas também sem a do cockpit.

      • Luiz S

        Eu vi, mas também não devia proteger lá grandes coisas….Rsrsr