A saga da Force India pelos primeiros pontos que terminou em pódio

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Hoje carregando o nome de Racing Point, com uma nova mudança para Aston Martin programada para 2021, a Force India não há muito tempo era uma das equipes mais simpáticas do grid da F1.

E os resultados pesavam a favor, com uma bela trajetória ascendente dentro do campeonato de construtores. Sétimo em 2010 e 12, Sexto em 2011, 13 e 14, quinto em 2015 e quarto em 2016 e 17. Na temporada de 2018, o time entrou em administração judicial no meio do ano e foi comprado por um consórcio liderado pelo empresário canadense Lawrence Stroll, que efetuou a mudança de nome.

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A história da equipe, no entanto, vem também de outros tempos, de outro time dos mais carismáticos da F1: Jordan. A equipe norte-irlandesa chegou inclusive a vencer corridas, mas nos anos 2000 caiu de desempenho e foi ficando para trás aos poucos, até se tornar financeiramente inviável. Em sua última temporada, em 2005, o time marcou apenas 12 pontos e ficou em penúltimo entre os construtores.

No final daquele ano, a Jordan foi comprada pelo grudo Midland, do empresário canadense Alex Shnaider, holding comparticipação em negócios de diversos setores como mineração, agricultura, imobiliário, indústrias e etc. A equipe foi rebatizada com o nome da empresa, mas o desempenho piorou ainda mais, fechando 2006 com nenhum ponto.

Então, foi a vez de mais uma troca de proprietário, com a chegada da Spyker, uma pequena marca holandesa de carros esportivos. Mesmo com um nome mais sexy e ligado ao mercado de esportivos, o projeto não decolou. A companhia não tinha muito dinheiro para investir e a equipe terminou 2007 com apenas um ponto.

Foi quando chegou o excêntrico empresário indiano Vijay Mallya, que comprou a escuderia de F1 (a Skyper continuou com uma participação de 15% por um tempo) e a rebatizou com o questionável nome de Force India.

Chances desperdiçadas em 2008

E aí, começa nossa saga pelo primeiro ponto da equipe. A dupla de pilotos de 2008 era boa para uma concorrente do pelotão intermediário, formada por Adrian Sutil e Giancarlo Fisichella, já com três vitórias em seu currículo.

Na época, para se marcar pontos, era preciso terminar entre os oito primeiros. No GP da Espanha, quarta etapa, Fisichella chegou a passar perto, recebendo a bandeira quadriculada em décimo.

Sutil anda em quarto com a Force India, logo à frente da Ferrari de Raikkonen, no GP de Mônaco de 2008
Sutil anda em quarto com a Force India, logo à frente da Ferrari de Raikkonen, no GP de Mônaco de 2008 (Foto: Force India)

Mas a grande chance viria duas provas depois, em Mônaco, em um dia bastante inspirado de Sutil. Era um domingo chuvoso em Monte Carlo, e Sutil largou com sua Force India em 18º, lugar bastante comum para a equipe. Saindo tão atrás em uma pista como Mônaco, não é de se esperar muito, não? Só que a corrida com chuva foi bem maluca e o alemão soube aproveitar todas as chances que se apresentaram.

Kovalainen teve que sair dos boxes e aí ele já ganhou uma posição. Nas três primeiras voltas, Sutil ultrapassou Piquet e Bourdais. Button, Rosberg, Glock, Trulli e Alonso se envolveram em toques e precisaram parar para reparos: mais algumas colocações para o piloto da Force India. A grande jogada, no entanto, foi na estratégia, confiando que a pista não secaria antes da 53ª volta, quando ele parou. Parando tão tarde, ele de repente apareceu em quarto para o trecho final da prova.

Não seriam apenas os primeiros pontos da Force India, mas um belíssimo quarto lugar em Mônaco. Só que a oito voltas do final, Kimi Raikkonen, que vinha logo atrás com sua Ferrari, perdeu o controle do carro na saída do túnel e bateu na traseira de Sutil. Os dois ficavam fora da prova.

Não existia dúvida nenhuma que foi uma grande chance desperdiçada por um erro de outro piloto. E pelo histórico recente sob outros nomes e o início complicado, não se sabia quando a equipe teria outra chance dessas. Até o final de 2008, o melhor resultado do time a partir dali foi um 13º lugar do próprio Sutil, na Bélgica. E assim, ainda mais com um nome tão nacionalista e um dono fora dos padrões normais da F1, a credibilidade da equipe não terminou a temporada exatamente nas alturas.

Force India começa a surpreender

A Force India voltaria em 2009 querendo mostrar alguma melhora. E logo na primeira corrida, na Austrália, bateu na trave dos pontos com uma nona posição de Sutil e Fisichella em 11º. Mais uma chance de pontuar veio na terceira etapa, em um chuvoso GP da China. Mais uma vez Sutil escalou o pelotão saindo da 18ª colocação e era sétimo na 50ª, a seis do final. O alemão, no entanto, acabou perdendo o controle de sua Force India e bateu forte na curva cinco. Mais uma vez os pontos escaparam entre os dedos.

O restante da primeira metade do campeonato foi dentro do normal esperado, com o Force India sempre andando fora dos dez primeiros colocados e no meio do pelotão.

Fisichella lidera à frente de Raikkonen as primeiras voltas do GP da Bélgica de 2009
Fisichella lidera à frente de Raikkonen as primeiras voltas do GP da Bélgica de 2009 (Foto: Force India)

Então, chegamos ao GP da Bélgica. Com um motor Mercedes e um carro desenhado pela equipe técnica de James Key para ter pouca pressão aerodinâmica, a Force India surpreendeu o mundo em Spa-Francorchamps. No sábado, Fisichella marcou a pole position. Na corrida, ele segurou a ponta na largada, mas a corrida foi interrompida com safety car logo na primeira volta. Na relargada, Raikkonen conseguiu ultrapassar o italiano.

Fisichella pressionou o finlandês da Ferrari durante toda a prova, recebendo a bandeira quadriculada apenas 0s9 atrás do vencedor. A vitória não veio, mas, enfim, a equipe não só marcava seus primeiros pontos, como ainda subia ao pódio com um segundo lugar. Foram 30 GPs de espera para entrar na tabela de classificação do campeonato.

O desempenho ainda valeu ao piloto italiano um chamado da Ferrari já para a corrida seguinte, pois a equipe estava desfalcada de seu titular, Felipe Massa, que sofreu um acidente na Hungria, e o substituto Luca Badoer não estava rendendo o esperado.

Fisichella no pódio do GP da Bélgica de 2009 pela Force India
Fisichella (à esquerda) no pódio do GP da Bélgica de 2009 pela Force India (Foto: Ferrari)

Duas semanas depois, a F1 foi para Monza, e, mesmo sem Fisichella, a Force India continuou mostrando sua força em pistas de alta. Sutil conseguiu nova primeira fila no grid, em segundo, e fechou a corrida em quarto. Depois de tanta espera, dois resultados entre os quatro primeiros mostravam um novo horizonte para o time, que vinha se arrastando nos anos anteriores.

A Force India não marcou mais pontos em 2009, mas em 10 terminou na zona de pontuação em 12 das 19 etapas, marcando o início de sua ascensão dentro da F1 até que os problemas financeiros de seu dono colocaram um ponto final da história.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.