Barrichello, Di Grassi, Zonta e mais: “meu carro de corrida mais legal”

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O Projeto Motor andou no paddock da Stock Car durante a temporada de 2019 e perguntou para alguns dos pilotos mais importantes e experientes da categoria qual o carro de corrida mais legal que eles já guiaram na carreira.

Obviamente que as respostas variaram bastante dependendo das oportunidades que cada piloto teve. Além disso, apesar da pergunta ter sido feita no sentido de prazer na pilotagem, alguns preferiram destacar algum momento marcante com um carro específico.

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Max Wilson, por exemplo, campeão da Stock Car de 2010, com passagem pela V8 Australiana (atual Supercars), Indy e que chegou a ser piloto de testes da Williams na F1, relembrou suas primeiras experiências com fórmulas, ainda no início de sua carreira.

“Eu morava a dois minutos aqui do autódromo. Automobilismo sempre foi um esporte muito caro e minha família era de classe média. Então, eu correr de kart já foi um sacrifício muito grande para minha família e de carro parecia algo inatingível. Eu vim diversas vezes neste autódromo aqui [Interlagos] e olhava os F-Ford andando e eu ficava babando”, recordou. “Então, a primeira que tive a oportunidade [de andar de F-Ford]eu diria que foi até mais emocionante do que andar de F1”, revelou.

O piloto de 47 anos, porém, apontou seu segundo passo na carreira, na F3, como ainda mais marcante, por ser um carro produzido especificamente para provas de automobilismo, com um chassi importado e motor com preparação especial.

carro de Max Wilson na F3 de 1995
Max Wilson na F3 Sul-Americana de 1995

“O F3 foi o primeiro carro de corrida que era de carro de corrida de fato. Era um carro de fibra de carbono com motor feito para corrida. Com todo o respeito ao F-Ford, que era um motor num primeiro momento do Escort, com chassi tubular. F3 não, era um Dallara, um carro italiano, um motor que tinha barulho de corrida.”

Outro que também lembrou de um momento importante de sua trajetória foi Ricardo Zonta. Campeão da F3000, do Mundial GT da FIA pela Mercedes e da World Series, com passagens também pela F1 como titular por BAR e Toyota, Le Mans e Daytona, o paranaense recordou de sua experiência como piloto de testes da McLaren na F1, quando teve a chance de andar com um carro campeão do mundo.

Na época ele foi um dos responsáveis por desenvolver o modelo MP4-13, que levaria Mika Hakkinen ao título de 1998 e apontou um motivo específico para aquela máquina ser tão especial. “Eu saía dos boxes e era o mais rápido sempre na tabela. E isso foi muito importante para minha carreira”, destacou.

Lucas di Grassi, atualmente na Fórmula E, mas que também passou pela F1, categorias GT e Stock Car, preferiu destacar um dos modelos mais potentes e com mais pressão aerodinâmica que teve chance de andar fora da F1: o protótipo R18 e-tron da Audi, com o qual ele competiu no WEC e em Le Mans.

Audi R18 e-tron de 2016
Audi R18 e-tron de 2016 com o qual Lucas di Grassi competiu no WEC e nas 24 Horas de Le Mans

“O último R18, de 2016, chegou a ter mais de 1.200 cavalos. Era um carro muito rápido, muito forte, muito downforce. Tração nas quatro, era muito legal de guiar”, destacou.

O Projeto Motor também conversou sobre o assunto com Rubens Barrichello, que depois de uma longa carreira nos fórmulas, incluindo 19 temporadas de F1, tem aproveitado os últimos anos para novas experiências que incluíram Indy, Le Mans, Daytona, GTs, e atualmente como regular na Stock Car.

Mesmo como toda essa bagagem mais recente, o vice-campeão mundial de 2002 e 2004 não esconde que dificilmente algo se equivale à experiência de andar com um F1, seja em um grande carro como os vitoriosos quanto carro pouco competitivos.

“Não tem como ser mais legal que um F1”, disse. “Os melhores anos da minha vida foram nos carros de 2002, 2003 e 2004 da Ferrari e 2009 da Brawn. Então esses quatro anos foram os melhores”, continuou.

E por que o carro de F1 é tão prazeroso e desafiador para um piloto? “É um carro leve, ultrapotente, que te permite ir além da força física que você tem. A força G que exerce no corpo é uma coisa… Quando você sai da curva você está respirando [faz uma respiração puxando fôlego]. Isso significa que você tirou o máximo da curva e do seu corpo. Isso é inacreditável”, explicou.

Confira a matéria completa sobre os carros mais legais de cada piloto, contando ainda com depoimentos de Felipe Fraga, Caca Bueno, Ricardo Maurício e Daniel Serra, no vídeo que está no algo deste texto ou diretamente no nosso canal no Youtube.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.