Fórmula E é só o começo: categorias elétricas que estão chegando

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Nos próximos anos, assim como já está acontecendo no setor automotivo, os motores elétricos devem invadir de vez o esporte a motor. Por demanda de mercado, questões de tecnologia e também marketing e meio ambiente, diversas novas categorias estão e devem surgir.

A Fórmula E tem um claro papel nesta pequena revolução do automobilismo, já que, criada em 2014, provou poder atrair a atenção de montadoras, patrocinadores, público e mídia. Ela ainda está muito longe da F1, por exemplo, com pelo menos oito vezes menos audiência mundial. Mesmo assim, conseguiu passar uma primeira fase sempre difícil para qualquer campeonato novo e está se estabelecendo.

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Em vista de tudo isso, e pela própria exigência de novas regulamentações que devem acabar com o motor a combustão em alguns países (principalmente na Europa) até o final da próxima década, novidades no automobilismo elétrico estão surgindo no turismo, no off road e até mesmo no motociclismo para tentar repetir o sucesso inicial da Fórmula E.

Se isso é possível ou se a série elétrica de monopostos já pode ser considerada um exemplo sustentável a longo prazo, ainda teremos que esperar mais alguns anos para termos certeza. E ainda existe a dúvida se o caminho é seguir com a formação de novos campeonatos ou abrir (ou transformar) os mais tradicionais para eletrificação. E mais do que isso: em que velocidade.

De qualquer maneira, listamos alguns dos principais campeonatos paralelos à Fórmula E que já usam propulsão elétrica ou irão nascer nos próximos anos.

Jaguar I Pace E Trophy

O campeonato monomarca da Jaguar estreou na temporada de 2018-19 e segue como evento suporte da Fórmula E. Ele utiliza o modelo I Pace da montadora britânica preparado para competição.

Novo modelo elétrico Jaguar I-Pace foi utilizado como base para o campeonato (Foto: José Mário Dias/Jaguar Brazil Racing)

O carro gera cerca de 400 cavalos de potência, faz 0-100 km/h em 4s5 e tem velocidade máxima de 200 km/h.

A primeira temporada foi vencida pelo brasileiro Sergio Jimenez.

Moto E

O campeonato estreou em 2019 com motos elétricas como evento suporte da Moto GP em pistas europeias. A competição é monomarca e todas as equipes utilizam o modelo Energica Ego Corsa, fabricada pela italiana Energica Motor Company.

O motor gera 110 kW (147 cv), o que está na mesma linha das atuais Moto 2, e tem velocidade máxima de 250 km/h.

O italiano Matteo Ferrari foi o campeão da primeira temporada, com o brasileiro Eric Granado terminando na terceira posição.

ETCR

O ETCR será uma competição promovida em paralelo ao TCR, campeonato internacional de carros de turismo. A ideia é fazer uma grande competição multimarcas de modelos elétricos.

Para a primeira temporada, três carros já estão confirmados: a Seat vai entrar com seu Cupra e-Racer enquanto a Hyundai correrá com o Veloster N ETCR. O grid ainda terá a Alfa Romeo Giulia, porém, em programa de desenvolvimento independente da marca, realizado pela equipe italiana Romeo Ferraris, que já fazia este tipo de trabalho com carros da empresa de Turim no TCR.

Os carros terão o design feito por cada marca, porém, utilizarão um kit padrão com motor, inversor, bateria (desenvolvida pela Williams), ECU e refrigeração. O sistema de propulsão é composto por dois motores elétricos no eixo traseiro.

Modelo Cupra desenvolvido pela SEAT irá participar do novo ETCR (Foto: Cupra)

O modelo é um pouco polêmico, já que diferente do que acontece na Fórmula E, as montadoras não poderão desenvolver suas próprias unidades de potência. Desta forma, algumas companhias, como a Ford fez publicamente, negaram interesse em participar da competição por não terem a chance de correrem com sua própria tecnologia.

Por outro lado, a ideia do campeonato é manter os custos baixos, com operações de equipes utilizando modelos das montadoras, e não times oficiais das marcas.

A ideia é que as primeiras provas aconteçam ainda em 2020, mas nenhum evento foi confirmado até o momento. O primeiro campeonato completo deve acontecer em 21.

OFF ROAD

O off road também vai ver seus primeiros carros elétricos competirem em breve. Duas novas competições exclusivas da modalidade estão nascendo nos próximos meses com planos até mesmo mais ousados para o futuro. Confira:

Projekt E (RallyCross)

A ideia inicial era colocar os carros elétricos para competirem com outros modelos à combustão dentro do Mundial de RallyCross (WRX) em 2018, para em um segundo momento, em 2021, o evento se tornar totalmente elétrico. Porém, o plano não vingou por que – curiosamente – as próprias montadoras acharam que seria um passo ousado demais. Mesmo assim, FIA e organização do campeonato resolveram caminhar com o projeto de outra forma, formando uma nova competição paralela.

Testes conduzidos pela Stark com o Project E para 2020 (Foto: WRX)

O Projekt E será um campeonato de RallyCross com carros elétricos que será inaugurado em 2020, competindo em algumas etapas europeias do Mundial. Os modelos irão utilizar um kit com uma bateria de 420V, e três motores elétricos (dois no eixo traseiro e um no dianteiro) que combinados irão gerar 450kW (613 cv) e torque instantâneo de 1100Nm. A velocidade máxima dos carros será de 240 km/h.

Muitos consideram RallyCross uma modalidade perfeita para o desenvolvimento elétrico por exigir muito torque, pouca velocidade final e baixa autonomia, já que as baterias são curtas.

Assim como o ETCR, porém, o fato de se utilizar uma unidade de potência padrão afastou algumas montadoras. Mesmo assim, com custos baixos e a possibilidade de simplesmente se instalar o kit em um modelo convencional do WRX, a expectativa é de que a competição atraia equipes independentes e as marcas venham em seguida atrás da visibilidade de seus carros.

Extreme E

Parece até lançamento de filme. “Dos mesmos organizadores da Fórmula E…”. A Extreme E é nova aposta de Alejandro Agag, promotor que criou a categoria de monopostos elétrica em 2014. A ideia aqui é um evento global de rali utilizando SUVs elétricas que irá estrear em 2021.

O modelo será padrão, o Odyssey 21. A ideia inicial aqui não foi atrair montadoras para a competição, mas apostar no marketing para incentivar a adoção de veículos elétricos ao mesmo tempo em que a categoria visita lugares que estão ameaçados pelas mudanças climáticas pela qual a Terra está passando por conta das emissões de gases que contribuem para o Efeito Estufa.

O Odyssei 21 irá enfrentar desafios desde o gelo até o deserto, passando pela Floresta Amazônica (Foto: Extreme E)

Por isso, o calendário foi formulado com cinco etapas que representam diferentes cenários do planeta diretamente ligados a este problema:

Oceano – Lac Rose (Senegal)
Deserto – Al-Ula (Arábia Saudita)
Geleira – Kali Gandaki Gorge (Nepal)
Ártico – Russell Gracier (Groelândia)
Floresta – Amazônia (Brasil)

Os eventos terão percursos entre seis e dez quilômetros com uma série de portões virtuais pelos quais os competidores terão que passar. A competição será dividida em fases, com as equipes se enfrentando em eliminatórias até a grande final.

O Odyssey 21 está sendo projetado e fabricado pela Spark Racing Technology, mesma empresa responsável pelo chassi da Fórmula E. Ele terá baterias produzidas pela Williams e irá gerar potência de 400kW (550 cv) e faz 0-100 km/h em 4s5.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.