As 10 edições do GP do Brasil de F1 mais inesquecíveis

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A época de GP do Brasil é um dos momentos mais especiais da temporada para o fã brasileiro da F1. Para aqueles que comparecerão a Interlagos para assistir à corrida das arquibancadas, trata-se de uma chance valiosa de acompanhar carros e pilotos de perto. Até mesmo aqueles que verão as ações à distância têm motivos para ficar ansiosos, já que a prova brasileira constantemente testemunha edições que ficam marcadas na memória. 

O histórico mostra isso por si só. O GP do Brasil tem em sua coleção uma série de provas inesquecíveis, e isso ocorre nas fases mais distintas da corrida – seja em Interlagos ou em Jacarepaguá, seja na época em que a corrida era realizada no começo da temporada, ou perto do fim da campanha como acontece atualmente. 

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Para você entrar no clima do GP do Brasil de F1, separamos 10 edições inesquecíveis da corrida. Como você irá perceber, muitas provas marcantes tiveram de ficar de fora, então aproveite para utilizar nossa caixa de comentários: qual prova foi a sua favorita? E qual edição que não mencionamos que você acha que deveria entrar na lista? 

10 – Hamilton resiste, Massa emociona, Verstappen dá show (2016) 

(Duda Bairros/GP do Brasil de F1)

Havia um grande clima de tensão no ar antes da prova brasileira em 2016. A disputa entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg pelo título estava em seu ápice, e o dilúvio que caía em Interlagos naquele domingo apimentava ainda mais as ações. 

A situação era tão traiçoeira que vários pilotos se acidentaram sem poder fazer muito para reagir, como aconteceu, por exemplo, com Kimi Raikkonen, que bateu em plena reta dos boxes. Felipe Massa foi outro que encontrou o muro, protagonizando também uma cena comovente em sua despedida da F1 no Brasil – ou, pelo menos, era o que se pensava na época…

Hamilton controlou as ações do começo ao fim para vencer e estender o duelo com Rosberg até Abu Dhabi. Quem completou o pódio foi Max Verstappen, que fez um último stint avassalador: o holandês engoliu o pelotão nas voltas finais para terminar em um brilhante terceiro lugar. 

9 – O primeiro adeus de Schumacher em dia de Massa (2006)

(Ferrari)

A principal narrativa em torno da edição de 2006 era a despedida de Michael Schumacher da F1. O alemão, maior recordista a história da categoria, dava adeus à Ferrari com chances remotas de título, já que Fernando Alonso tinha vantagem de pontuação a ponto de colocar uma mão na taça em Interlagos. 

E o fim de semana foi complicado para Schumacher. O heptacampeão teve problemas no Q3 e largou apenas da décima posição do grid; depois, tocou-se com Giancarlo Fisichella, sofreu um furo de pneu e caiu para o fundo do pelotão. 

A partir dali, Schumacher deu início a uma intensa prova de recuperação. O alemão escalou o pelotão com um ritmo forte e ultrapassagens agressivas, incluindo uma manobra arrojada sobre Kimi Raikkonen no “S do Senna”, que lhe rendeu a quarta posição na prova. 

Na frente, Felipe Massa dominou as ações do começo ao fim, com direito a pole position e liderança de ponta a ponta. Sua vitória foi a primeira de um brasileiro em casa desde 1993, quando Ayrton Senna triunfou pela última vez em Interlagos. 

8 – A única de José Carlos Pace (1975)

Campeão da temporada anterior, Emerson Fittipaldi iniciou a campanha de 1975 com vitória na Argentina, de modo que ele seria o grande nome a ser observado na prova seguinte, em Interlagos. O bicampeão ficou com o segundo lugar no grid no Brasil, atrás apenas da Shadow de Jean-Pierre Jarier.

A largada viu um crescimento da dupla da Brabham, com Carlos Reutemann assumindo a ponta e José Carlos Pace pulando para terceiro, enquanto que Fittipaldi despencou para sétimo. A liderança voltou a mudar de mãos quando Jarier reultrapassou Reutemann e assumiu a ponta, sendo que o argentino também foi superado por Pace na volta 14. 

Jarier comandou as ações até a volta 32, quando sua Shadow enfrentou problemas mecânicos e o fez abandonar. Isso deu a liderança a Pace, que caminhou rumo a sua primeira (e única) vitória na F1. Fittipaldi também escalou o pelotão e ficou com o segundo lugar. Foi a primeira vez que o Brasil obteve 1-2 na F1, e isso aconteceu logo na corrida de casa. 

7 – Reviravolta incrível coroa Raikkonen (2007)

(Ferrari)

Uma disputa pelo título a três marcava o desfecho da dramática temporada de 2007. Os holofotes estavam voltados à dupla da McLaren, Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que eram os principais elementos da briga, sendo que Kimi Raikkonen, da Ferrari, corria por fora.

Na verdade, Hamilton estava em posição confortável para obter um inédito título para um estreante, já que tinha quatro pontos de vantagem para Alonso e sete para Raikkonen. Mas tudo começou a dar errado logo na primeira volta, quando foi ultrapassado pelo espanhol e escapou da pista na “Curva do Lago”, quando tentava dar o troco. 

Depois, na oitava volta, Hamilton sofreu um problema de câmbio e despencou para o fundo do pelotão, o que passou a dar uma chance realista de título até mesmo para Raikkonen, já que a Ferrari sobrava em termos de rendimento e havia despachado Alonso na pista. 

Na segunda rodada de pitstops, a Ferrari fez a manobra para que Raikkonen assumisse a ponta – uma vez que ordens de equipe pelo rádio eram proibidas. O finlandês venceu, e com o terceiro lugar de Alonso e o sétimo de Hamilton, obteve uma virada histórica para conquistar o que é, até hoje, o último título de pilotos da Ferrari na F1. 

6 – A primeira de Senna em casa com direito a sufoco (1991)

A corrida de 1991 tinha um significado importante para Ayrton Senna. Então bicampeão mundial, o piloto da McLaren queria a todo custo acabar com a maré de azar em casa e vencer o GP do Brasil pela primeira vez. E tudo parecia caminhar bem nesta direção: ele havia dominado a corrida anterior, no GP dos Estados Unidos, e largaria da pole também em Interlagos. 

Senna controlou as ações desde a largada, e ficou ainda mais próximo do triunfo quando Nigel Mansell sofreu uma quebra no novo sistema de câmbio semiautomático da Williams. Porém, a vida de Senna voltou a ficar difícil nas voltas finais, quando sua McLaren ficou travada em sexta marcha.

O brasileiro segurou as pontas dentro do cockpit, superando o desafio de contornar curvas lentas – como o “S do Senna” e “Bico de Pato” – sem deixar o rendimento cair de forma brusca. Riccardo Patrese, que vinha em segundo, também enfrentava problemas mecânicos. Assim, ao fim de 71 voltas, Senna cruzou a linha de chegada em primeiro, quebrou a maldição de Interlagos e celebrou sua glória esgotado no pódio.

5 – Vettel em dia de tensão para garantir o tricampeonato (2012)

(Red Bull Content Pool)

Na prova que decidiria o título, houve uma grande reviravolta logo nos giros iniciais. Sebastian Vettel, que tinha uma liderança relativamente confortável na pontuação, caiu para o fundo do pelotão pouco depois a largada, após sofrer um toque de Bruno Senna. Enquanto isso, Fernando Alonso realizava ultrapassagens importantes para criar uma situação que, momentaneamente, lhe daria o tão sonhado tricampeonato mundial. 

Uma insistente chuva teimava em cair durante aquele domingo, o que deixava o sinal de alerta aceso. Parecia que a qualquer momento aconteceria algum lance que mudaria novamente toda a disputa. Vettel, mesmo com o carro danificado, conseguiu se recuperar e chegar ao sexto lugar, posição que era boa o suficiente levando em conta que Alonso não conseguia incomodar Jenson Button – líder soberano após a colisão entre Lewis Hamilton e Nico Hulkenberg. 

Com sua posição, Vettel se tornava o tricampeão mais jovem da história da F1, o que deixou Alonso frustrado por, mais uma vez, nadar, nadar e morrer na praia. Em uma nota mais discreta, Michael Schumacher encerrava sua passagem pela Mercedes e se despedia de vez da F1 com um sétimo lugar. 

4 – O dia em que aconteceu de tudo em Interlagos (2003)

(Ferrari)

O que dizer de uma corrida que não teve largada parada, não teve bandeira quadriculada, nem mesmo a presença de três pilotos no pódio ou o troféu entregue ao real vencedor? Pois é: o GP do Brasil de 2003 foi tão maluco que é difícil entender de primeira todos seus detalhes.

A chuva forte que inundou Interlagos resultou em batidas múltiplas na “Curva do Sol”, o que vitimou até Michael Schumacher – que não abandonava uma corrida por acidente desde 2000. Parecia que seria o dia de consagração de Rubens Barrichello, que retomou a ponta após uma ultrapassagem sobre David Coulthard na volta 45. Mas durou pouco, já que na volta 47, o brasileiro sofreu uma dramática pane seca e abandonou. 

No entanto, acidentes fortes de Mark Webber e Fernando Alonso encerraram a disputa prematuramente, e Kimi Raikkonen foi coroado momentaneamente como vencedor. Dias depois, a cronometragem foi corrigida, de modo que Giancarlo Fisichella foi apontado como o real dono do primeiro lugar – já que ele era o líder no momento em que o resultado final foi contabilizado. Um desfecho bizarro que deu o último triunfo à Jordan na F1.

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3 – Piquet e Senna com a primeira dobradinha (1986)

A edição de 1986 permanece marcada na memória dos fãs brasileiros como uma das corridas mais especiais já realizadas pela F1 em território tupiniquim. Afinal, o dia em Jacarepaguá terminou em uma dobradinha que mostrava o quão bem servido o país estava de talentos, com um um bicampeão consagrado e um jovem que ainda daria muito o que falar nos dois primeiros lugares do pódio.

Ayrton Senna cravou a pole position e liderou as ações em um primeiro momento, inclusive sobrevivendo a um ataque feroz de Nigel Mansell no giro inicial – o que fez o inglês da Williams abandonar após bater no guard-rail interno da “Curva Sul”. Depois, o jovem da Lotus sofreu uma investida de Nelson Piquet, que consumou a ultrapassagem ainda na reta oposta. Aquela seria a primeira de oito dobradinhas entre Piquet e Senna na F1. 

2 – A inesperada consagração de Senna (1993)

(McLaren)

Um dia de drama com chuva em Interlagos. Até aí, alguma novidade? Bem, aquele domingo de 1993 se assemelhou a várias outras provas brasileiras, mas os desdobramentos e as reviravoltas colocam aquela prova em um lugar especial em nossa lista. 

Ayrton Senna tentava fazer resistência ao poderio da Williams, que havia dominado a temporada anterior e vencido a etapa de abertura de 93, na África do Sul. Alain Prost cravou a pole e comandava as ações desde o início, enquanto que Damon Hill, brevemente ultrapassado por Senna na largada, retomou o segundo lugar e consolidou a dobradinha. 

Senna ainda teve de pagar uma punição por ter feito uma ultrapassagem em bandeira amarela, o que o colocava em situação ainda mais delicada. Mas a chuva começou a cair forte em Interlagos, e Prost, que já havia passado pela entrada do pitlane, aquaplanou ao fim da reta dos boxes, rodou, foi atingido por Christian Fittipaldi e abandonou a prova – para o delírio da torcida presente nas arquibancadas. 

A chuva foi tão forte que até o safety car – que estava sem ser utilizado na F1 desde a década de 1970 – foi novamente colocado em ação. Na relargada, Senna conseguiu despachar Hill com uma manobra inteligente para assumir a ponta e obter uma vitória que parecia improvável antes do começo do evento. 

1 – Dia de roteiro de cinema no Brasil (2008)

(Ferrari)

Chuva, tensão e uma ultrapassagem na última volta, na última curva, o que decidiu o título mundial por apenas um ponto. Essa é uma corrida que, se a víssemos em um filme, pensaríamos que seu desenrolar era impressionante demais para ser verossímil… Mas, neste caso, não se tratou da imaginação fértil de um roteirista, e sim dos desdobramentos reais.  

Felipe Massa precisava de um resultado improvável para conquistar o título mundial em casa. Sua parte ele fez: largou da pole, dominou do início ao fim e cruzou a linha de chegada em primeiro. Mas isso não bastava, já que Lewis Hamilton tinha de ser sexto colocado para dar, no desempate, a taça ao brasileiro. 

Hamilton estava na posição que precisava por boa parte da corrida, mas uma chuva mais forte nas voltas finais mudou tudo. Os carros da Toyota não pararam para trocar pneus, o que fez Hamilton voltar atrás de Timo Glock quando ele próprio colocou borracha nova. Além disso, o inglês foi ultrapassado por Sebastian Vettel a três voltas para o fim, o que enfim dava a combinação necessária para que Massa se sagrasse campeão.

Mas não era para acontecer. Fãs do mundo inteiro acompanhavam em pé a perseguição desesperada de Hamilton a Vettel, mas um outro elemento interferiu assim que a chuva apertou. Os pneus de Glock não eram mais adequados à água do asfalto, o que fez com que o alemão da Toyota despencasse de rendimento e fosse alvo fácil para a ultrapassagem de Hamilton já na saída da “Junção”, na última volta. Foi um desfecho eletrizante para uma temporada tensa. 


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.