“Spygate”, o caso de espionagem que abalou a F1 em 2007

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A temporada de 2007 da F1, acirrada dentro da pista, foi marcada por um gigantesco escândalo envolvendo as duas principais equipes do grid. Informações sigilosas da Ferrari foram vazadas para a McLaren, o que deu origem ao escândalo de espionagem que resultou na desclassificação do time inglês no ano.

A figura chave de todo o caso é Nigel Stepney. O inglês, membro da Ferrari desde a década de 90, foi o responsável por repassar informações confidenciais da equipe italiana a Mike Coughlan, então designer chefe da McLaren.

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Todo o escândalo, aliás, só veio à tona por um motivo inusitado. Stepney entregou a Coughlan um extenso dossiê, de 780 páginas, com informações detalhadas sobre o modelo F2007, guiado naquele ano por Kimi Raikkonen e Felipe Massa. A esposa de Coughlan foi a uma papelaria na cidade de Woking, na Inglaterra, para digitalizar os documentos e gravá-los em dois CDs. No entanto, o funcionário do estabelecimento estranhou as informações tão detalhadas e entrou em contato com a Ferrari, que pôde se mobilizar juridicamente sobre o assunto.

Todo o caso também teve papel decisivo na derrocada da relação entre Fernando Alonso e a McLaren em 2007. Após a classificação para o GP da Hungria, em agosto, o espanhol usou o episódio para tentar buscar vantagem interna: ou a equipe prejudicaria Lewis Hamilton, ou ele iria revelar à FIA e-mails que comprometeriam a McLaren no episódio.

No fim, a McLaren foi desclassificada do Mundial de Construtores e recebeu uma multa de US$ 100 milhões, que é até hoje um valor recorde no automobilismo.

Como de fato tudo aconteceu? Contamos todos os detalhes em mais um vídeo da série “F1 em 5 Minutos”, posicionado no topo desta página. Abaixo, você também encontra a ficha completa do caso, com informações sobre os envolvidos e os acontecimentos em ordem cronológica.

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A FICHA COMPLETA DO CASO

Personagens da F1 envolvidos:

Bernie Ecclestone: Então diretor executivo da Formula One Management, grupo que controlava os direitos comerciais da F1. Ecclestone fez o meio de campo político na gestão de crise do escândalo de espionagem e, informado por Flavio Briatore, foi quem comunicou a Max Mosley sobre a existência de e-mails que comprometeriam a McLaren no caso.

Fernando Alonso: Bicampeão em 2005 e 2006, se juntou à McLaren em 2007 em um contrato inicialmente válido por três anos. No fim de semana do GP da Hungria, chantageou Ron Dennis para ter vantagens internas no duelo contra Lewis Hamilton. Seus e-mails revelados à FIA ajudaram a evidenciar a culpa da McLaren no escândalo.

Flavio Briatore: Chefe da Renault e ex-patrão e empresário de Fernando Alonso. De acordo com Max Mosley, foi o primeiro a ficar sabendo da existência de e-mails que comprometeriam a McLaren no caso de espionagem. Ao ouvir a história, contou a Bernie Ecclestone, com quem tinha na época uma sociedade no clube de futebol inglês Queens Park Rangers.

Funcionário da papelaria em Woking (anônimo): Foi a pessoa que deu a dica à Ferrari da existência do vazamento de sua propriedade intelectual. Foi surpreendido com o pedido de Trudy Coughlan para a digitalização de um extenso dossiê com informações técnicas do modelo F2007. Posteriormente, a Ferrari o agradeceu e até o convidou à Itália para acompanhar pessoalmente a festa de encerramento da temporada da equipe italiana.

Jonathan Neale: Diretor geral da McLaren. Ocupa cargo de chefia no time desde 2001 e foi um dos primeiros de Woking a tomar conhecimento da posse do dossiê. Segundo a versão inicial da McLaren, Neale pediu para que Mike Coughlan destruísse o documento, além de pedir para que a equipe instalasse um firewall para evitar a chegada de e-mails de Nigel Stepney. Ao fim do caso, foi condenado a pagar 150 mil € à justiça italiana – sua multa foi paga pela McLaren.

Kimi Raikkonen: Havia deixado a McLaren ao fim de 2006 para se juntar à Ferrari. Com uma arrancada na reta final da temporada, conquistou o título de pilotos na etapa decisiva do campeonato, no GP do Brasil.

Lewis Hamilton: Fazia sua estreia na F1 na temporada de 2007. Desenvolveu uma rivalidade ferrenha com Fernando Alonso ao longo do ano, e um descumprimento de uma ordem de sua parte durante a classificação para o GP da Hungria desencadeou as polêmicas daquele fim de semana. Porém, Hamilton não compartilhou seus e-mails com a FIA, de modo que seu envolvimento direto com o caso de espionagem nunca tenha ficado claro. Com erros e problemas na reta final da temporada, perdeu o título para Kimi Raikkonen e ficou com o vice.

Mario Almondo: Antigo diretor industrial e responsável por contratações na Ferrari (tanto do departamento esportivo quanto dos carros de rua), Almondo se tornou diretor técnico no início da temporada de 2007, substituindo Ross Brawn.

Max Mosley: Presidente da FIA entre 1993 e 2009. Mosley foi figura chave no julgamento completo do caso e foi a quem Ron Dennis recorreu quando foi alvo de chantagem de Fernando Alonso no fim de semana do GP da Hungria. No entanto, Mosley diz que já tinha conhecimento do caso através de Bernie Ecclestone, que havia sido informado por Flavio Briatore, que, por sua vez, ouviu as informações de Alonso.

Mike Coughlan: Se juntou à McLaren em 2002 no cargo de designer chefe. Era amigo próximo de Nigel Stepney, com quem havia trabalhado na Ferrari na década de 90 e comparecido a uma reunião da Honda durante 2007. Foi o pivô do escândalo de espionagem, já que recebia as informações sigilosas de Nigel Stepney (por meio de ligações telefônicas, mensagens de texto e o dossiê de 780 páginas) e repassava à McLaren. Ainda em 2007, foi demitido da equipe. Ao fim do caso, foi condenado a pagar 180 mil € à justiça italiana.

Nick Fry: Diretor executivo da Honda, se encontrou com os envolvidos no caso em duas ocasiões: uma no fim de maio, quando falou apenas com Nigel Stepney, e outra em junho, quando conversou com Stepney e Mike Coughlan. Segundo Fry, a reunião só aconteceu a pedido da dupla, que queria sondar possibilidades de trabalho na Honda. No entanto, as conversas não foram adiante por falta de interesse da equipe japonesa. A FIA analisou o caso e liberou a Honda da investigação, já que a entidade não viu seu envolvimento direto no escândalo de espionagem.

Nigel Stepney: Funcionário da Ferrari desde 1993, passou por diversos cargos nos bastidores, incluindo o de mecânico chefe e diretor de corridas. Em 2007, se queixou publicamente das mudanças internas da Ferrari (com a saída de Ross Brawn e a chegada de Mario Almondo ao posto de diretor técnico), e, assim, pediu para ser realocado a uma função na fábrica, passando a ser chefe de desenvolvimento e performance. Foi suspenso da equipe em maio, acusado de tentar sabotar os carros com um pó branco nos tanques de combustível. Posteriormente, foi acusado de vazar informações sigilosas da Ferrari a Mike Coughlan, o que deu origem a todo o caso. Stepney sempre negou seu envolvimento com o escândalo e prometia dar sua versão dos fatos em um livro que nunca foi publicado. Faleceu em maio de 2014, em um acidente de carro.

Paddy Lowe: Ocupava a posição de diretor de engenharia da McLaren na época do escândalo. Lowe foi uma das figuras ouvidas durante as audiências da FIA em Paris, na França. Ao fim do caso, foi condenado a pagar 150 mil € à justiça italiana – sua multa foi paga pela McLaren.

Pedro de la Rosa: Piloto de testes da McLaren entre 2003 e 2011. O espanhol acabou se tornando uma figura importante no caso de espionagem, já que era ele que ouvia em primeira mão as informações obtidas por Mike Coughlan, com quem já havia trabalhado na Arrows. Seus e-mails revelados à FIA ajudaram a evidenciar a culpa da McLaren no escândalo.

Rob Taylor: Havia se juntado à McLaren em 2006, ocupando a posição de designer. Foi uma das figuras do time que viram o dossiê da Ferrari em primeira mão – mesmo que a equipe tenha dito que Taylor apenas folheou o documento, sem examiná-lo em detalhes. Ao fim do caso, foi condenado a pagar 150 mil € à justiça italiana – sua multa foi paga pela McLaren.

Ron Dennis: Ocupava a posição de chefe da McLaren desde 1981. Durante praticamente todo o caso, Dennis negava o envolvimento da equipe no escândalo e dizia que o episódio era resultado de uma iniciativa individual de Mike Coughlan. No fim de semana do GP da Hungria, tomou a iniciativa de contatar Max Mosley quando se deparou com a tentativa de chantagem de Fernando Alonso. Deixou a McLaren ao fim de 2016.

Ross Brawn: Entre 1997 e 2006, ocupou a posição de diretor técnico da Ferrari e era muito próximo de Nigel Stepney. Deixou o cargo em 2007, substituído por Mario Almondo – a mudança provocou insatisfação de Stepney. Hoje, Brawn é diretor técnico da F1.

Trudy Coughlan: Esposa de Mike Coughlan, então designer chefe da McLaren. Trudy foi a responsável por levar o dossiê da Ferrari de 780 páginas a uma papelaria para digitalizá-lo e gravá-lo em dois CDs. Foi isso que deu origem ao escândalo de espionagem, já que o funcionário da papelaria comunicou a Ferrari do vazamento de sua propriedade intelectual.

A linha cronológica:

17 de maio de 2007: Um pó branco foi encontrado nos tanques de combustível dos carros da Ferrari antes destes serem transportados ao GP de Mônaco. O suspeito principal era Nigel Stepney – um material semelhante foi encontrado no bolso de sua calça; além disso, ele tinha sido visto por duas vezes andando perto dos tanques dos carros na época do ocorrido. A Ferrari o suspende e entra na justiça em Modena, na Itália, por tentativa de sabotagem.

24 de junho de 2007: A Ferrari fica sabendo do vazamento de sua propriedade intelectual. Um funcionário de uma papelaria em Woking, na Inglaterra, comunica a equipe que uma mulher foi ao seu estabelecimento para digitalizar um extenso dossiê com informações técnicas do modelo F2007.

03 de julho de 2007: O escândalo de espionagem vem a público. A imprensa inglesa revela que uma busca policial na casa de Stepney encontrou uma série de indícios que mostram o envolvimento do engenheiro no caso do pó branco, além de outras informações técnicas da F2007. Assim, Stepney é demitido da Ferrari. A McLaren também suspende Mike Coughlan em meio a suspeitas de que ele teria recebido, no fim de abril, um conteúdo técnico da Ferrari.

04 de julho de 2007: A FIA oficialmente abre sua investigação sobre o caso. A McLaren insiste em sua inocência – ela argumenta que toda a iniciativa de qualquer irregularidade veio de Mike Coughlan como indivíduo, e não da equipe como um todo.

06 de julho de 2007: A equipe Honda confirma que realizou duas reuniões com os envolvidos no caso: uma ao fim de maio, somente com Nigel Stepney, e outra em junho, que também contou com Mike Coughlan. No entanto, a equipe insiste que nenhum assunto suspeito foi abordado e que os contatos foram encerrados de imediato, uma vez que não havia possibilidades imediatas de trabalho para a dupla.

07 de julho de 2007: Stepney se pronuncia oficialmente sobre o caso pela primeira vez. Ele nega as acusações e diz que era vítima de perseguição interna da Ferrari por se opor à mudança no posto de diretor técnico, com a saída de Ross Brawn e a chegada de Mario Almondo. Stepney também alegou que sofreu perseguições de carro na Itália, então decidiu deixar o país, temeroso por sua integridade física.

12 de julho de 2007: A FIA comunica a McLaren de que a equipe teria de prestar depoimento no dia 26. Segundo a entidade, a McLaren tinha um documento que podia ser usado para “projetar, gerenciar, construir, checar, testar, desenvolver e rodar o carro da Ferrari de 2007 da F1”. A equipe, porém, negava veementemente que qualquer outro membro além de Coughlan tinha posse dos documentos.

19 de julho de 2007: Vem à tona a informação de que Nigel Stepney avisou Mike Coughlan por e-mail, em março, antes da temporada começar, para ficar de olho no comportamento do assoalho e da asa traseira da F2007. A McLaren, então, pediu esclarecimentos à FIA: a entidade disse que a asa respeitava todas as regras, mas o assoalho não. A FIA modificou a forma de fazer testes de verificações na peça, o que obrigou a Ferrari a mudar o design de seu assoalho – o que também prejudicou o seu rendimento.

26 de julho de 2007: Em reunião do Conselho Mundial, a FIA diz que a McLaren de fato é culpada por ter dados privilegiados da Ferrari, mas não aplicou punições pela falta de evidências de que a equipe tenha usado as informações. Porém, ela deixou em aberto a possibilidade de convocar o time novamente caso novas evidências surgissem. A McLaren comemorou a decisão e disse que ela foi justa; já a Ferrari ficou revoltada com a falta de punição.

01 de agosto de 2007: Ron Dennis confirma que Nigel Stepney havia vazado a informação sobre o assoalho da Ferrari antes do GP da Austrália. Para o dirigente, tais comportamentos deveriam ser incentivados, e não reprimidos. Contudo, Dennis também confirmou que a equipe se sentiu incomodada com as insistentes tentativas de contato por parte de Stepney. Assim, Jonathan Neale pediu na época a instalação de um firewall nos computadores da sede da McLaren para evitar a chegada de e-mails de Stepney.

04 de agosto de 2007: Controvérsia na McLaren durante a classificação do GP da Hungria. Lewis Hamilton desrespeitou uma ordem no começo do Q3, e, assim, Fernando Alonso o segurou ao fim da sessão, impedindo que o inglês melhorasse seu tempo. Alonso fez a pole, mas foi punido em cinco posições no grid pelo incidente.

05 de agosto de 2007: Dia do GP da Hungria. Fernando Alonso, ainda incomodado, dá um ultimato a Ron Dennis: se a McLaren não deixar Lewis Hamilton sem combustível na corrida, ele irá vazar à FIA e-mails que comprometeriam a McLaren no escândalo de espionagem. Dennis não cai na chantagem e decide ele mesmo telefonar para Max Mosley e avisar do fato. Mosley diz, no entanto, que ele já tinha conhecimento dos e-mails: Alonso havia contado para Flavio Briatore, seu ex-chefe e empresário, que falou a Bernie Ecclestone, que comunicou a Mosley. A FIA, então, marca a data para um segundo julgamento da McLaren.

07 de setembro de 2007: Pouco antes da segunda audiência sobre o caso, Max Mosley escreve aos pilotos da McLaren (Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Pedro de la Rosa) para que os três entreguem todas as evidências que possuem sobre o caso – como e-mails, mensagens, etc. O dirigente diz que, caso os pilotos colaborem, podem receber imunidade; senão, poderão sofrer “sérias consequências”. Hamilton responde e diz que não possui nenhum e-mail sobre o assunto que a FIA pediu, enquanto que Alonso e De La Rosa enviam o que têm.

13 de setembro de 2007: O veredito é dado: a McLaren perde todos os pontos no Mundial de Construtores em 2007 e tem uma multa de US$ 100 milhões. Além isso, nenhum funcionário da McLaren (exceto os pilotos) seria autorizado a subir ao pódio para receber troféus em caso de vitória, e a FIA examinaria o carro de 2008 do time para garantir que não haveria irregularidades.

13 de setembro de 2007: Ainda no dia do julgamento, a FIA divulga as evidências que levantou sobre o caso, como os e-mails dos pilotos e registros telefônicos que mostraram um contato intenso entre Nigel Stepney e Mike Coughlan entre março e julho. O esquema apresentado mostrava que Stepney passava as informações a Coughlan, que as repassava a Pedro de la Rosa. O espanhol fazia testes no simulador ou retransmitia as informações a Fernando Alonso.

25 de setembro de 2007: Nigel Stepney promete revelar sua versão completa do caso em uma autobiografia que lançaria em 2008. No entanto, poucos dias após o anúncio, a editora do livro cancelou seu lançamento, e a história nunca foi contada publicamente.

24 de outubro de 2007: O valor de US$ 100 milhões que a McLaren deveria pagar de multa já incluía o dinheiro que a equipe deixaria de receber como premiação pelo Mundial de Construtores do qual foi excluída. Ao somar a pontuação dos pilotos, a McLaren seria a campeã daquela temporada, então, em tese, deveria receber cerca de US$ 50 milhões. A multa real que a equipe teve de pagar seria, portanto, os US$ 50 milhões restantes.

02 de novembro de 2007: A McLaren anuncia que Fernando Alonso deixa a equipe de imediato, mesmo que o contrato entre as partes fosse inicialmente de três anos. Uma semana mais tarde, o espanhol confirma seu retorno à Renault.

13 de dezembro de 2007: A FIA faz uma análise preliminar do carro de 2008 da McLaren e conclui que a equipe iria aplicar conceitos diretamente inspirados nos dados sigilosos que obteve da Ferrari – sobretudo no uso dos freios e do uso de CO2 para encher os pneus. A McLaren se desculpa oficialmente com a FIA, Ferrari, F1 como um todo e os fãs, e a entidade cancela a vistoria do carro e coloca um ponto final ao caso.

19 de dezembro de 2007: A Ferrari confirma que convidou o funcionário da papelaria de Woking a ir à Itália para agradecê-lo pessoalmente. O convite foi para acompanhar a festa de encerramento da temporada, no circuito de Mugello, além de fazer um tour completo pela fábrica de Maranello.

19 de dezembro de 2008: No processo civil que corria na Itália, Mike Coughlan recebe multa de 180 mil €. Já Paddy Lowe, Jonathan Neale e Rob Taylor recebem multa de 150 mil € cada – a McLaren arcou com os valores dos três.

29 de setembro de 2010: Nigel Stepney é condenado a 20 meses de prisão na Itália, mas não cumpriu a pena.

02 de maio de 2014: Nigel Stepney morre em um acidente de carro na Inglaterra, aos 55 anos.


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.