(Foto: Julien Delfosse / DPPI /WEC)

Kubica: “Somos capazes de coisas incríveis e não devemos nos limitar”

Robert Kubica explicou durante suas entrevistas nas 6 Horas de São Paulo, etapa brasileira do WEC (Mundial de Endurance), que muito além de sua trajetória esportiva, sua história deveria servir para inspirar pessoas no geral.

O polonês sofreu um forte acidente durante uma prova de rali em 2011, quando era considerado um dos pilotos mais promissores da F1. Com lesões na mão, braço e perna, a carreira de Kubica parecia ter terminado, mas ele conseguiu surpreender o mundo ao reagir.

Seu retorno às competições se iniciou no rali, chegando a competir em alto nível no Mundial (WRC). E depois de provar que também se mantinha competitivo em circuitos através de corridas em GT e provas de endurance, ele conseguiu completar o ciclo de voltar a correr na F1 em 2019 pela Williams, além novas aparições pela Alfa Romeo em 2021.

Seu ressurgimento teve um novo capítulo em 2025 com a vitória nas 24 Horas de Le Mans, o que lhe garantiu um posto na história do automobilismo pela importância da prova francesa para o esporte a motor no geral.

Kubica contou à imprensa em Interlagos que foi procurado durante os anos para participar de documentários que mostrassem sua trajetória após o acidente de 2011, mas que sempre rejeitou as propostas porque acredita que ainda tem “novas páginas para escrever” em sua carreira no automobilismo. Mas que lamenta que o foco em sua história sempre seja em seu acidente.

Para ele, o mais importante seria focar em como seu exemplo pode mostrar para as pessoas no geral que elas não deveriam se limitar em momentos de dificuldade na vida, se mantendo focadas em seus objetivos.

“Estou contente que consegui voltar ao esporte, voltar a cuidar da minha saúde, a fazer coisas que eu amo. Acho que esse é mais o aspecto que eu preferia destacar. Porque há muitas pessoas que enfrentam dificuldades e, na maioria das vezes, nós que colocamos limites em nós mesmos.”

“Acho que nosso cérebro é muito mais poderoso do que imaginamos e que nós, como seres humanos, somos capazes de fazer coisas incríveis. Mas, na maioria das vezes, não é fácil. É uma grande luta. Isso é algo que eu poderia ajudar um pouco”, afirmou o polonês.

Momento na carreira de Kubica

Kubica entrou no WEC em 2021 na classe LMP2 (que atualmente compete apenas nas 24 Horas de Le mans). Em 24, foi contratado para competir na Hipercarros (classe principal) pela AF Corse, time que faz toda a operação de pista da Ferrari na categoria, mas em um terceiro carro que não está inscrito pelo time oficial da marca.

“No passado, quando era da Renault ou BMW [na F1], era um piloto oficial da marca. É bem diferente. As equipes de fábricas têm uma operação um pouco diferente. Mas temos um grupo muito bom. Esse projeto começou só no ano passado, trabalhamos muito e estamos indo bem”, explicou o polonês em entrevista exclusiva ao Projeto Motor.

Com experiência na F1, WRC, GTs, entre tantos outros tipos de corrida, o piloto de 40 anos analisou sua adaptação às corridas de endurance. Ele explicou que não sentiu necessidade de grandes mudanças no seu estilo de pilotagem, mas sim, à operação geral da modalidade por conta das provas mais longas.

“Endurance é uma abordagem diferente de corridas de monoposto como F1 porque o trabalho com a equipe é diferente. Você tem seus companheiros de equipe [no mesmo carro], tem que se adaptar mais. Você compete em corridas mais longas, então, as condições das corridas variam mais do que numa corrida de uma hora e meia. Mas no final das contas, o DNA do piloto é sempre o mesmo. De tirar o máximo de você mesmo e de seu pacote, e levar o carro o mais rápido possível de um ponto A até um ponto B, que é a bandeirada de chegada”, contou o piloto.

Kubica se prepara para entrar em sua Ferrari durante a etapa de Interlagos do WEC
Kubica se prepara para entrar em sua Ferrari durante a etapa de Interlagos do WEC (Foto: Julien Delfosse / DPPI/WEC)

Kubica admitiu a jornalistas em Interlagos que ficou surpreso com a repercussão de sua vitória nas 24 Horas de Le Mans e que as semanas depois da prova foram de muitas entrevistas e respostas de pedidos de patrocinadores.

“É surpreendente o quanto de atenção que essa corrida está chamando dentro do automobilismo. Nossa Le Mans esse ano foi um pouco mais longa que a corrida, tivemos muita procura da mídia e outras atividades. Mas é um preço a se pagar. É um bom preço para se pagar por vencer.”

Ele ainda elogiou o crescimento recente do WEC desde a introdução da classe dos Hipercarros, que atraiu diversas montadoras e está impulsionando o campeonato cada vez mais a competir ao redor do mundo.

“Não há muito tempo, há quatro anos, tinha apenas duas montadoras. E agora tem um grid muito grande, com muitas montadoras. O campeonato está crescendo e entrando em uma nova era. Estou muito contente de fazer parte disso”, concluiu.

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