(Foto: Steven Tee/McLaren)

McLaren x McLaren: títulos decididos entre pilotos da equipe

Na parada de agosto de 2025, a F1 chega a 14 das 24 etapas do calendário já realizadas e tudo indica que o título deve ficar em uma disputa interna entre os dois pilotos da McLaren, Oscar Piastri e Lando Norris.

No momento, o australiano lidera o campeonato com 284 pontos, nove à frente de seu companheiro de equipe. O terceiro colocado na classificação geral é Max Verstappen com 187, a uma distância em que ainda tem chances matemáticas de brigar pelo título, mas com poucas chances.

Sendo assim, tudo indica para uma decisão de título em 2025 entre os dois pilotos da McLaren. Além disso, pelo equilíbrio entre eles, é possível prever que o campeonato será definido apenas nas corridas finais.

A McLaren venceu apenas um título na F1 neste século. Aconteceu em 2008, com Lewis Hamilton superando Felipe Massa, da Ferrari. Mas se voltarmos um pouco mais no tempo, o time teve duas conquistas no final da década de 90 (ambas com Mika Hakkinen) e foi dominante nos anos 80 e começo de 90.

Ao total, a equipe britânica venceu 12 campeonatos de pilotos da F1. O mais interessante para o paralelo com 2025 é que essa deve ser a quarta vez em que um título mundial deve ser decidido entre os dois pilotos da McLaren.

E mais: nas últimas três vezes, a decisão aconteceu nas duas corridas finais do campeonato. Todas tiveram boas pitadas de drama e uma delas foi decidida pela menor diferença da história da F1.

Piastri e Norris lutam pela liderança do GP da Hungria de 2025
Piastri e Norris lutam pela liderança do GP da Hungria de 2025 (Foto: Joseph Portlock/McLaren)

1984: Lauda x Prost separados por apenas 0,5 ponto

Ao final de 1980, a McLaren se fundiu com a Project Four Racing, time de Ron Dennis nas categorias de base, em uma operação apadrinhada por sua principal patrocinadora.

O time vinha de uma fase difícil e entrou em reconstrução. O primeiro passo foi a contratação do projetista John Barnard, que já tinha passado pela equipe no começo dos anos 70 e que vinha de muito sucesso na Indy.

O segundo seria se alinhar a um bom parceiro para fornecimento de motores turbo, algo que quase todas as outras equipes de ponta já estavam fazendo. Dennis conseguiu convencer a Porsche a trabalhar com a McLaren, porém, a marca alemã não queria entrar oficialmente na categoria bancando a empreitada.

Então, o dirigente da McLaren vendeu o projeto para Mansour Ojjeh, presidente da TAG. A companhia financiaria a construção do novo propulsor a ser desenvolvido pela Porsche, mas em troca, o motor seria batizado de TAG. Se você quiser mais detalhes sobre esse projeto, temos um artigo especial sobre ele aqui.

Nos cockpits, Ron Dennis persuadiu o bicampeão Niki Lauda a sair da aposentadoria ainda em 1982 para ajudar a desenvolver o projeto. Em 84, o time ainda contratou o talentoso Alain Prost, que vinha de um vice-campeonato pela Renault.

Niki Lauda com sua McLaren TAG Porsche Turbo
Niki Lauda com sua McLaren TAG Porsche Turbo (Foto: McLaren)

O resultado de toda essa reestruturação floresceu em 1984, quando a McLaren dominou a temporada. O time venceu 12 das 16 corridas. Em uma época em que o vencedor de cada prova recebia apenas nove pontos, o time venceu o campeonato de construtores com 143,5 contra apenas 57,5 da segunda colocada, Ferrari.

Entre seus pilotos, a briga foi bastante intensa. No geral, Prost era mais rápido. Tanto que conquistou sete vitórias contra 5 de Lauda, e largou na pole position em três oportunidades contra nenhuma do companheiro.

Só que o experiente piloto austríaco foi mais consistente. O campeonato teve uma prova, o GP de Mônaco, que notoriamente foi encerrada de forma antecipada por conta da chuva. Como teve menos de dois terços do percurso previsto, a etapa distribuiu metade dos pontos.

Sendo assim, Prost venceu aquela corrida (sim, é aquela que Ayrton Senna chegou em segundo com a Toleman), mas em vez dos nove pontos normais pelo triunfo, somou apenas 4,5.

Mal sabia ele naquele momento o quanto aqueles pontos fariam falta (mesmo que chegasse em segundo com o GP completo, receberia seis pontos). No final da temporada, mesmo vencendo as últimas duas corridas, o francês terminou a 0,5 ponto de Lauda na classificação geral.

O austríaco precisou fazer uma pequena recuperação para o título na corrida final, no Estoril, já que com a vitória de Prost, o segundo lugar era a única posição que lhe garantiria o tricampeonato. E saiu da 11ª posição do grid para escalar o pelotão até o segundo posto.

1988 e 89: a intensa era Senna x Prost na McLaren

Apesar de ter perdido de forma dramática o título de 1984 para um companheiro de equipe, Prost seguiu na McLaren e venceu os dois campeonatos seguintes batendo Michele Alboreto, da Ferrari, em 85, e da dupla da favorita Williams, Nelson Piquet e Nigel Mansell, em 86.

Em 87, a Williams dominou a competição, mas a McLaren voltou ao topo de forma gloriosa a partir de 88 com mais uma chacoalhada feita por Ron Dennis. Para começar, percebendo que não tinha mais a vantagem de anos antes, ele trocou o motor TAG-Porsche pelos Honda, que empurravam as Williams até o ano anterior.

Ele também contratou o engenheiro Gordon Murray para auxiliar o projetista Steve Nichols na concepção do novo carro. E para completar, o dirigente trouxe Senna, que vinha que de três temporadas na Lotus, para ser companheiro de Prost.

A receita não poderia ter dado mais resultado. A McLaren voltou a mandar na F1, mas agora impondo um dos maiores domínios na categoria. O time venceu 15 das 16 corridas do ano. E repetiu a estatística nas pole positions (15). O título de construtores foi conquistado com incríveis 199 pontos contra 65 da vice, Ferrari.

Entre os pilotos, Senna e Prost protagonizaram uma disputa de altíssimo nível, como poucas vezes se viu na história da F1. O brasileiro conquistou o título na penúltima corrida, em Suzuka, ao se recuperar de um problema na largada que o derrubou para o 14º lugar e voltar para vencer a corrida, ultrapassando Prost.

Em 1989, o conjunto da McLaren ainda tinha boa margem sobre os rivais mesmo com o banimento dos motores turbo. A diferença caiu, porém, o time ainda venceu 10 das 16 etapas e cravou 15 pole positions.

Mais uma vez, a briga pelo título ficou entre os dois pilotos da equipe, mas em um momento de maior tensão com o rompimento da relação entre eles. O título voltou a ser decidido na penúltima etapa da temporada, em Suzuka, mas de uma maneira bastante polêmica.

Senna precisava da vitória para manter suas chances vivas na corrida final, na Austrália, mas passou a prova praticamente inteira em segundo, logo atrás do companheiro.

Na 46ª das 53 voltas da prova, o brasileiro tentou um mergulho para tentar a ultrapassagem, mas teve a porta fechada por Prost, o que causou a batida entre eles.

Senna ainda tentou retornar e venceu a corrida, porém, seria depois desclassificado por cortar a chicane final do traçado japonês, em uma decisão até hoje considerada bastante polêmica. Já contamos mais detalhes dessa história neste vídeo abaixo.

A nova luta interna da McLaren: Piastri x Norris

A temporada de 2015 é a terceira em que Piastri e Norris correm juntos na McLaren. O australiano também está em seu terceiro ano na F1 como um todo enquanto o britânico já possui mais experiência, em seu sétimo campeonato.

Nos dois primeiros embates entre os pilotos, Norris se impôs sobre o companheiro. Em 2023, quando a McLaren ainda não tinha carro para brigar por vitórias, ele marcou 205 pontos contra 97 de Piastri, classificou melhor em 15 das 22 etapas e terminou 14 corridas na frente contra quatro do rival (nas outras quatro, um dos dois ou ambos abandonaram).

Em 24, após um começo difícil, a McLaren encontrou um enorme potencial no seu carro e começou a lutar de forma frequente pelas vitórias na segunda metade da temporada.

Norris terminou com 374 pontos contra 292 de Piastri, bateu o companheiro em posições de grid por 20 a 4 e recebeu a bandeira quadriculada à frente em 16 oportunidades contra oito do australiano. Norris ainda venceu quatro provas contra duas de Piastri e marcou oito pole positions diante de nenhuma do parceiro de equipe.

Só que em 2025, com um carro dominante na maior parte das corridas, essa situação de liderança de Norris não se manteve até pelo menos a 14ª das 24 corridas programadas do calendário. Piastri lidera o campeonato e classificou para o grid de largada por oito vezes à frente do companheiro de McLaren.

Até o momento são seis vitórias do australiano contra cinco do britânico e eles estão empatados em pole positions com quatro para cada lado. Um grande equilíbrio.

Resta saber como será o desempenho de ambos na reta final do campeonato e quanto a briga ainda pode esquentar entre eles. E principalmente, como a McLaren vai lidar com potenciais conflitos.

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