Por que a Cadillac optou por Bottas e Pérez para sua estreia na F1
Depois de meses de muitos rumores, a Cadillac finalmente anunciou a dupla de pilotos para a sua estreia na F1. Valtteri Bottas e Sergio Pérez foram os escolhidos pela marca americana para a primeira temporada, em 2026.
A decisão foi tomada através de uma troca de ideias de um grupo de importantes dirigentes que está trabalhando na formação da nova equipe Cadillac. Além do chefe do time, Graeme Lowdon, também participaram Dan Towriss, CEO da equipe de F1 e da TWG (ex-Andretti Global, responsável pela operação da equipe) e até mesmo Mark Reuss, presidente da General Motors, proprietária da marca Cadillac.
A escolha aponta para uma aposta clara de dois nomes com uma boa experiência na F1. Mas não só em termos de quilometragem, mas andando em equipes de ponta e números importantes no currículo.
Se somarmos a trajetória da Bottas e Pérez, a Cadillac entra na F1 com uma dupla que soma 527 largadas, 16 vitórias, 106 pódios, 23 poles e 31 voltas mais rápidas. É algo considerável mesmo em comparação com duplas de times que já estão estabelecidos no Mundial.
Muita gente pode torcer o nariz para o fato de ambos terem acumulado boa parte destas estatísticas como meros coadjuvantes na Mercedes e Red Bull. Mas a Cadillac procurou fazer uma escolha para este primeiro momento entendendo o contexto no qual ela está imersa.
O time americano faz sua estreia na F1 com uma operação completamente nova. Não estamos falando da compra de uma equipe que já está rodando com funcionários, processos e alguma infraestrutura, e vai só mudar de nome e administração. É algo completamente novo.
Assim, não faltam questões a serem resolvidas, desenvolvidas e que provavelmente vão apresentar problemas e exigir melhorias nos primeiros meses de funcionamento.
Por isso, o time entendeu que para 2026, após analisar diversos candidatos, foi feita a escolha por uma dupla que sabe como uma equipe grande funciona, que tem experiência para contribuir no carro e que não vai dar dores de cabeça com erros bobos.
Segundo os próprios representantes da Cadillac, na fase final da seleção, eles chegaram a ter quatro pares diferentes de pilotos na mesa para fazer a escolha. Sabe-se que entre os nomes estavam Zhou Guanyu, Felipe Drugovich, Mick Schumacher e Fred Vesti.

A comissão da Cadillac até considerou uma formação misturando experiência com juventude, entre outras características, mas no final, como explicou Towriss, CEO da equipe, a aposta para este primeiro capítulo foi em dois pilotos que pudessem contribuir com o máximo de informação possível.
“Acreditamos na experiência deles, na liderança deles e no conhecimento técnico deles que realmente precisamos. É a combinação certa, os pilotos certos para o momento certo”, explicou o dirigente.
“Há muitos pilotos incríveis por aí. Há um grupo de jovens pilotos empolgantes e muito talentosos. Então, foi uma decisão difícil de tomar. No final das contas, foram a experiência e a liderança desses dois indivíduos que se destacaram entre os demais quando tomamos a decisão de seguir em frente.”
Questionamentos sobre o passado recente de Bottas e Pérez
Apesar da experiência de Bottas e Pérez, muitas pessoas estão criticando a escolha da Cadillac pela falta de resultados dos dois pilotos em suas últimas temporadas na F1. Ambos estão fora do grid em 2025. Pérez foi demitido da Red Bull e Bottas não teve seu contrato renovado na Sauber e se tornou reserva na Mercedes.
Mark Reuss, presidente da GM, explicou que, além de questionar os dois pilotos nas entrevistas, também foi feita uma análise minuciosa, que incluiu a troca de informações com profissionais que trabalharam diretamente com os pilotos.
No caso de Bottas, levou-se em conta que o carro que a Sauber tinha até o ano passado tinha muitas limitações e o desempenho do finlandês em ritmo de classificação contra o ritmo de corrida.
O próprio Reuss, no entanto, admitiu que a situação de Pérez era um pouco mais complexa, mas que eles foram convencidos de que o mexicano tem a somar à Cadillac.
“E então, em particular, provavelmente o cenário mais complicado foi a Red Bull, certo? Tem sido uma saga interessante de acompanhar, uma equipe que é realmente construída em torno de um piloto, mas tem dois”, apontou Reuss.
“Claramente, nenhum dos outros pilotos se saiu bem naquele segundo carro sob esse ponto de vista, então dedicamos bastante tempo para conversar com o pessoal da Red Bull e obter informações.”
“O processo foi longo e minucioso sob esse ponto de vista. Acho que isso significa que, depois de analisar tudo isso, nos sentimos muito bem com o Checo [Perez], seu desejo de estar na F1, de se destacar, de mostrar o desempenho que ele tem e de deixar para trás a última temporada da Red Bull”, continuou.
Próximos passos da Cadillac
A Cadillac tem um tempo bastante curto para construir sua equipe. Segundo informações vindas do time, as contratações têm sido diárias e já existe um time técnico trabalhando no carro de 2026. Mas o tempo para refinamento e construção é bastante escasso, considerando que a organização ainda mal existe.
De qualquer maneira, o investimento da General Motors, principal montadora dos EUA, está sendo bastante grande nesta sua primeira incursão na F1. Estão sendo construídas três instalações que funcionarão exclusivamente para o time: uma em Silverstone, na Grã-Bretanha, e duas nos EUA: em Fishers, no estado de Indiana, e em Charlotte, na Carolina do Norte.
O primeiro passo, de 2026, será feito com uma parceria técnica com a Ferrari, que irá fornecer seus motores. A Cadillac, no entanto, já iniciou o projeto para a construção de sua própria unidade de potência híbrida, que deve estrear em 2029.
Tudo está sendo construído do zero: escritórios administrativos e de projetos, instalações técnicas, área de produção, túnel de vento, simuladores etc. Uma imensa construção em um período recorde para alinhar os primeiros carros em 2026.
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