(Foto: Mercedes-AMG F1)

O que é shakedown de um carro e por que ele é tão importante

Shakedown. Você com certeza já ouviu essa palavra no noticiário da F1, ainda mais nesta época de lançamentos de novos carros e pré-temporada. Mas você sabe o que acontece neste tipo de experimento das equipes?

Todo ano é a mesma coisa. As equipes da F1 apresentam seus novos modelos e seguem para o shakedown. Esse é o primeiro contato do carro com uma pista. Ou seja, fora de simulações por computador, túnel de vento ou mesa de testes na fábrica. Algumas equipes passam por esse momento já na pré-temporada, mas as que conseguem, realizam essa primeira voltinha com seu novo carro ainda antes.

Isso pode ser feito graças a uma brecha no regulamento que permite às equipes dois dias de filmagens promocionais por ano, em que os carros podem andar até 100 km. Para se ter uma ideia, é basicamente a distância de uma sprint race.

As equipes realmente aproveitam para fazerem filmagens que são utilizadas para divulgação pelo departamento de marketing e dos patrocinadores. Mas quando é realizado para o intuito do shakedown, esse teste também tem um objetivo técnico bem importante.

Apesar da pouca quilometragem permitida, esse momento serve para o time conferir diversos aspectos do novo carro antes de um teste propriamente dito. A ideia aqui não é acelerar, buscar qualquer tipo de limite ou avaliar acerto, mas simplesmente verificar se tudo está funcionando.

A Pirelli fornece pneus especiais para esse tipo de evento e que não são os mesmos que serão utilizados na temporada, o que significa que informações de desempenho nem são muito relevantes. Inclusive, não é raro os times utilizarem até mesmo pneu de chuva mesmo que a pista esteja seca. É realmente o básico do básico para se saber logo se existe algum problema de projeto ou se as funções fundamentais do carro estão em ordem.

O que é verificado no shakedown

A começar, o software. É no shakedown que a equipe sabe se o programa e os sensores do carro funcionam corretamente e estão enviando os dados esperados. E, novamente, é sempre bom pontuar que aqui estamos falando desde as funções mais básicas como temperatura, rotação do motor e seletor de marchas no volante até as mais complexas e importantes para a telemetria. Além, é claro, de todas as ligações com a unidade central eletrônica do novo modelo.

O carro então tem seu motor acionado e sai para a pista. O piloto sempre recebe a orientação de forçar nada aqui. Afinal, o shakedown é uma conferência, e não um teste de resistência ou velocidade. Normalmente, inclusive, nas primeiras voltas, o piloto sempre volta aos boxes diversas vezes. Além dos sistemas, os mecânicos observam se existe algum tipo de vazamento ou se alguma peça se movimentou de uma forma inesperada.

O piloto também fica ligado nos barulhos, vibração e qualquer tipo de comportamento que pode ser considerado fora do usual. Se as coisas forem progredindo bem, ele até consegue dar umas aceleradas, mas nada muito forte, apenas para sentir se motor e freios estão respondendo bem.

Ferrari F1-75, modelo de 2022 da equipe italiana, durante shakedown em Fiorano
Ferrari F1-75, modelo de 2022 da equipe italiana, durante shakedown em Fiorano (Foto: Ferrari)

Posição do piloto e conferência pós-teste

É bom lembrar que esse também é o primeiro contato do piloto com o carro. Essas voltas também servem para ele sentir o cockpit. Se o banco foi moldado da melhor forma, a posição dos pedais, volante, e até mesmo uma primeira ambientação ao novo espaço. Se algo nesse sentido precisar ser corrigido, agora é o melhor momento.

Após os poucos quilômetros a que têm direito de neste dia de filmagem, as equipes recolhem seus novos carros. Mas o shakedown, na prática, não terminou ainda. Os mecânicos fazem uma conferência geral. Novamente estamos falando de coisas básicas, mas muito importantes. Parafusos, apertos, vazamentos, temperatura, sistema de direção, acelerador, transmissão, cabeamento, parte elétrica, sistemas operacionais e por aí vai. Tudo tem que estar no lugar.

O shakedown é importante porque mostra logo se alguma dessas funções tão básicas para o carro apresenta qualquer tipo de problema. Caso a falha surja, a equipe pode fazer um reparo ou até um rápido ajuste em relação ao projeto antes dos verdadeiros testes começarem. Assim, ganha-se tempo de pista para trabalhar durante a pré-temporada na confiabilidade durante longas quilometragens, desempenho e acerto.

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