7 corridas que fizeram a F1 parecer amadora para os olhos do mundo
A F1 é sinônimo de excelência, tecnologia, desenvolvimento e performance, e se estabeleceu como o auge do automobilismo mundial. A reputação da categoria faz com que ela seja cobiçada pelos melhores pilotos e engenheiros, de modo que o talento farto faz com que a o patamar siga constantemente alto.
Mas nem sempre as coisas funcionam dentro dos conformes. Por diferentes motivos, a categoria também pode ser palco de cenas mais constrangedoras, que não fazem jus à excelência pregada pela própria F1. Ao longo de todos esses anos de história, já houve corridas e acontecimentos que fizeram a F1 parecer amadora diante dos olhos do mundo.
Neste vídeo, o Projeto Motor vai relembrar de oito corridas em que as coisas saíram um pouco do script e deixaram a F1 em situação embaraçosa.
GP do Bahrein na Malásia – 2026

Começamos pelo episódio mais recente desta lista. No GP do Bahrein de 2026, que aconteceu em Sepang, na Malásia, os carros partiram para a volta de apresentação atrás do Safety Car por conta da chuva, quando algo incomum foi visto pelos fãs do mundo todo.
A partir da saída da curva 9, vários carros começaram a perder potência, um de cada vez, então eles pisavam no acelerador e nada acontecia. Primeiro foi o pole position, Max Verstappen, depois Lewis Hamilton e Charles Leclerc, da Ferrari, sendo que depois vários outros carros também foram afetados, de modo que eles sequer conseguiam acompanhar o carro de segurança, que puxava a fila.
Hamilton e os pilotos de Haas e Cadillac, por exemplo, chegaram a encostar na lateral da pista para reiniciar o sistema, e só depois seguir em frente. Ver tantos carros sofrendo com problemas semelhantes, ao mesmo tempo, parecia ser uma enorme coincidência.
Depois, veio a explicação. Houve um problema no funcionamento do software que é fornecido pela FIA a todos os carros. Como estava chovendo, e a volta de apresentação foi feita em velocidades extremamente baixas, a rotação do motor baixou, os carros perderam mais potência do que o esperado, e aí o acelerador parou de responder.
E que, para evitar que a situação se repita, uma nova versão atualizada do software ficará disponível a partir do GP do Estados Unidos, três semanas depois.
GP da Europa – 1999

A antepenúltima etapa da temporada de 99 aconteceu em meio à grande tensão na luta pelo título. Mika Hakkinen, Eddie Irvine, Heinz-Harald Frentzen e David Coulthard tinham chances matemáticas na luta pelo título, então a expectativa era de que a prova em Nurburgring renderia mais uma disputa eletrizante entre os protagonistas.
Só que já na largada houve um enorme anticlímax. As luzes vermelhas se acenderam para o começo da prova, mas elas não se apagaram, sendo que mesmo assim os ponteiros, de forma instintiva, partiram rumo à primeira curva. A tensão da disputa pelo título ganhava até um elemento cômico.
Inicialmente, parecia que a largada tinha sido adiada por conta de um problema técnico com as luzes, mas, na verdade, foi uma decisão da direção de prova por conta de um problema de alinhamento dos carros na parte final do grid. O contratempo serviu para quebrar o nervosismo dos pilotos, antes de uma corrida que seria caótica.
GP da China – 2014

Lewis Hamilton liderava com tranquilidade o GP da China de 2014, e quando ele se preparava para abrir a quinquagésima sexta e última volta da prova, teve uma surpresa: ele recebeu a bandeira quadriculada por engano, sendo que ainda havia pela frente mais um giro pela pista para poder vencer.
O inglês estranhou o ocorrido e levantou imediatamente a questão para a Mercedes pelo rádio, e o time recomendou que o piloto completasse a volta de número 56 normalmente, como se nada tivesse acontecido. Mas a direção de prova não podia ignorar o erro. De acordo com o regulamento desportivo, se um piloto recebesse a bandeira quadriculada antes da distância total prevista pela prova, a corrida deveria ser concluída uma volta antes.
Ou seja, a corrida em Xangai deveria ter terminado ao fim da volta 56, Hamilton recebeu a bandeirada na volta 55, e o resultado final levou em conta a classificação da volta 54. Então, por exemplo, a ultrapassagem de Kamui Kobayashi sobre Jules Bianchi pela 17ª posição não contou, porque o resultado considerou a volta anterior. Isso não teve grande consequência no campeonato, mas de toda forma, a corrida na China terminou antes do que deveria por um erro da organização de prova.
GP dos EUA – 2005

Este é um episódio bastante conhecido da história da F1, e até temos um material específico sobre essa corrida em todos os detalhes. Mas o GP dos Estados Unidos de 2005 não podia ficar de fora desta lista, já que passou uma imagem da categoria muito diferente do nível de excelência que ela quer transmitir.
Durante os treinos livres, os pneus da Michelin apresentaram problemas, o que era particularmente grave, já que o regulamento da época proibia a troca de pneus durante as corridas. Ou seja, a fabricante francesa se viu em uma situação em que o seu produto não era seguro o suficiente para completar toda a corrida.
Sendo assim, a F1 viu 14 de seus carros desistindo da prova já ao fim da volta de apresentação, com o grid definitivo para a largada contando somente com seis competidores. Foi uma das maiores crises de imagem que a categoria já viu, e que criou uma mancha em sua reputação que demorou muito tempo para ser superada.
GP da Bélgica – 1981

Os eventos do GP da Bélgica de 81 merecem um material à parte mais detalhado aqui no Projeto Motor, já que eles foram frutos de uma F1 que era muito mais turbulenta nos bastidores.
O fim de semana em Zolder vinha sendo marcado pelo atropelamento no pitlane de um mecânico da equipe Osella, que, depois, faleceria por conta das lesões. Isso provocou protestos de mecânicos e alguns pilotos pouco antes da corrida, o que também afetou todo o procedimento da volta de apresentação e deixou os carros fora de ordem.
Diante da confusão, Nelson Piquet, o segundo colocado no grid, parou fora de sua posição, e, por isso, iniciou uma segunda volta de apresentação, enquanto que vários outros pilotos permaneceram parados, esperando pela largada. Nisso, a temperatura dos motores destes que ficaram parados foi subindo.
Quando a ordem foi restabelecida, Riccardo Patrese, o quarto no grid, acenava freneticamente, já que seu motor estava desligado.Um de seus mecânicos na Arrows, Dave Luckett, entrou na pista para auxiliar o piloto, pensando que a largada seria adiada. Mas não foi o caso. O início da prova foi autorizado mesmo com um mecânico na pista, e Siegfried Stohr, que largou em 13º com a outra Arrows, bateu na traseira de Patrese e atropelou Luckett.
Para piorar, a direção de prova não interrompeu as ações, então coube aos fiscais de pista terem de acenar aos pilotos para eles reduzirem a velocidade, enquanto o mecânico era atendido pela ambulância. Foi um show de horror. Apesar do susto, Luckett sofreu fraturas nas pernas e alguns cortes, mas se recuperou totalmente.
GP da Bélgica de 1985
A década de 80 não foi nada tranquila para o GP da Bélgica, e em 85 houve mais um capítulo que gerou dor de cabeça em termos de organização. A pista de Spa-Francorchamps foi recapeada para receber a F1 no mês de junho, com o objetivo de melhorar o escoamento de água em caso de chuva na região, o que é bastante comum.
No entanto, as obras na pista foram concluídas apenas 10 dias antes do evento, de modo que não daria temp o de o novo asfalto se estabilizar. Durante os treinos de sexta-feira, os pilotos notaram o pavimento se desmanchando, o que levantou sérias preocupações quanto à segurança. Por conta disso, a corrida foi adiada, e passaria a ser realizada três meses depois, em setembro.
GP de Las Vegas – 2023

Enfrentar problemas pontuais com a estrutura da pista não é exclusividade da F1 mais antiga. Até mesmo atualmente isso pode acontecer, mesmo que as exigências sobre os novos autódromos sejam muito maiores. Mas, quando retornou a Las Vegas, em 2023, a F1 passou por um grande susto.
Logo nos primeiros minutos da primeira sessão na nova pista de rua, a Ferrari de Carlos Sainz foi atingida em alta velocidade por uma tampa de bueiro que estava solta no meio da reta, o que causou grandes danos em seu carro. Sendo assim, a sessão foi cancelada depois de apenas nove minutos, para que fossem feitos trabalhos de manutenção – não só para reparar aquela tampa específica, mas também para inspecionar cerca de 40 outras tampas que havia por toda a pista. Essa mesma pista voltou a ter problemas semelhantes dois anos depois, em 2025.
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