F1 volta à tela da Globo após cinco temporadas
F1 e Grupo Globo anunciaram nesta sexta-feira (11) que a emissora carioca voltará a ser a detentora dos direitos de transmissão da categoria no Brasil. Desde 2021, as corridas do Mundial estavam sendo exibidas pela Band.
O novo contrato de exclusividade da Globo com a F1 se inicia em 2026 e tem três anos de duração, encerrando-se ao final da temporada de 28.
A emissora se compromete a transmitir pelo menos 15 corridas ao vivo em sua TV aberta. O Sportv, canal fechado do grupo, irá transmitir todas as 24 etapas ao vivo, além de todos os treinos livres, classificações e corridas sprint. As nove provas que não passarão ao vivo no canal aberto, terão uma reprise em horário alternativo na Globo.
Criticada nos últimos anos de sua última fase como emissora da F1 no Brasil por não investir em uma cobertura mais extensa, a Globo promete desta vez mais reportagens e conteúdo sobre o campeonato, principalmente no Sportv, no seu site GE.com e no Globoplay (streaming do grupo).
“A ampla capacidade de produção da Globo elevará ainda mais a experiência de visualização dos fãs, com uma equipe de produção local dedicada a fornecer cobertura de alto nível antes e depois das corridas, análises especializadas e as entrevistas mais recentes do mundo da F1, para que os fãs nunca percam um momento”, desta o comunicado oficial da F1
“A parceria também permitirá que a F1 seja totalmente integrada ao amplo portfólio de notícias e programação de entretenimento da Globo em diversos canais, marcando um grande avanço para a visibilidade do esporte no país”, continua o informe oficial.
A Band segue exibindo a temporada de 2025 até a etapa final, o GP de Abu Dhabi, em dezembro. A emissora paulista fechará assim o ciclo de cinco temporadas em que transmitiu a F1 pela segunda vez em sua história.
A história da F1 na TV brasileira e na Globo
Como já contamos em outro artigo aqui no Projeto Motor, a história da F1 na TV brasileira começou em 1970. A primeira transmissão ao vivo foi realizada em 18 de julho daquele ano em uma parceria da TV Record, de São Paulo, com a TV Rio, do Rio de Janeiro, ambas integrantes da Rede de Emissoras Independentes, a REI.
A corrida exibida para o público brasileiro naquele dia foi o GP da Grã-Bretanha, em Brands Hatch, que marcou a estreia de Emerson Fittipaldi. Wilson Fittipaldi, pai de Emerson e Wilsinho, foi responsável pela narração, algo que ele já fazia nas transmissões do rádio na Jovem Pan.
Só que as transmissões na época não eram de todas as provas. Inclusive, os brasileiros não conseguiram ver ao vivo a primeira vitória de um piloto do país na F1, com Emerson Fittipaldi, em Watkins Glen, ainda naquele ano.
Na época, os acordos eram feitos por GPs de forma independente, e não em um contrato com a categoria. Nenhum canal chegou a se consolidar como a verdadeira casa brasileira da F1.
Com o jornalista Tércio de Lima na locução, a Tupi, de São Paulo, passou os GPs da Bélgica e Mônaco de 72, em cadeia com a Globo. A Record ainda transmitiu o GP da Itália que consagrou Fittipaldi como primeiro campeão brasileiro da F1.
Com o passar dos anos, a Globo foi aos poucos realizando mais acordos para ter a F1. Mas quando não tinha interesse de mostrar as corridas, fazia um sublicenciamento para outras emissoras. Desta forma, a Tupi chegou a mostrar o GP da Áustria de 1976 e a Band, os GPs dos EUA e Canadá de 78.
Por conta da falta de vitórias brasileiras entre 1975 e 79, a Globo perdeu o interesse na transmissão. Em 1980, a Band se tornou a primeira emissora a exibir todas as corridas de uma temporada da F1 ao vivo e na íntegra. Naquele ano, ela ainda teve a companhia da TV Cultura, que também mostrou o GP do Brasil, realizado em Interlagos.
Na mesma temporada de 80, o país viu a ascensão de Nelson Piquet, que, com três vitórias, terminou com o vice-campeonato e voltou a chamar a atenção do público para a F1.
De olho na possibilidade de ter um brasileiro brigando por títulos, a Globo retomou os direitos de transmissão para 1981. Luciano do Valle comandou as transmissões até deixar a emissora em 82, quando Galvão Bueno se tornou então o titular da F1 no Brasil ao lado do comentarista Reginaldo Leme, formando a dupla mais tradicional das transmissões da categoria.
A emissora seguiu com os direitos até o final de 2020, quando após uma negociação fracassada para renovação do contrato, perdeu os direitos para a Band.
Na época, o grupo Liberty, proprietário dos direitos comerciais da categoria, estava tentando mudar parte das relações da F1 com o Brasil, o que inclusive resultou na mudança do promotor local do GP de Interlagos.
Em 2024, após rumores de dívidas da Band com a F1 e uma nova demonstração de interesse da Globo, as partes voltaram a se aproximar. Uma primeira tentativa de transferir os direitos de transmissão para a emissora carioca já para 2025 chegou a acontecer, mas a Band conseguiu quitar seus débitos e exigiu o cumprimento de seu contrato.
Para 26, no entanto, a emissora paulista foi batida na concorrência e a F1 retorna ao canal que por mais tempo transmitiu o Mundial no Brasil.
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