Max Verstappen conquistou sua primeira vitória aos 18 anos em 2016
(Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content)

Como Max Verstappen teve uma ascensão meteórica ao estrelato da F1

Max Verstappen se estabeleceu como um dos principais pilotos do grid da F1. Mas, até atingir tal status, o holandês teve uma trajetória de muitas provações nas pistas, o que incluiu uma ascensão meteórica sem precedentes até o estrelato.

Nascido em 30 de setembro de 97, ele é filho de Jos Verstappen, ex-piloto de F1, e Sophie Kumpen, habilidosa kartista belga. Assim, o holandês teve o automobilismo como um assunto corriqueiro em sua vida.

Ele iniciou sua trajetória nas pistas em 2005 e teve uma carreira vitoriosa no kart, incluindo o título mundial da classe KZ, quando superou seu rival de longa data, Charles Leclerc.

Em 2014, Verstappen fez sua transição para os carros de fórmula. Ainda aos 16 anos de idade, ele competiu na Florida Winter Series, um torneio de férias nos Estados Unidos, e se preparava para competir na F-Renault. No entanto, um teste bem-sucedido o fez mudar de ideia e ir direto para a F3 Europeia, já que, apesar de ser um salto maior, ele se adaptou bem ao estilo do monoposto mais potente.

Mercedes e Red Bull lutaram por Verstappen

Em sua nova categoria, Verstappen se encaixou de forma imediata. Após nove rodadas triplas, o holandês havia vencido oito corridas e estava no segundo lugar do campeonato, atrás apenas de Esteban Ocon, piloto júnior da Lotus e que já estava em seu terceiro ano nos monopostos.

A velocidade e a rápida aprendizagem demonstrada chamaram a atenção dos “cachorros grandes da F1”, e Verstappen foi sondado principalmente por Mercedes e Red Bull para se juntar aos seus programas de pilotos.

A Mercedes podia oferecer a Verstappen no máximo uma vaga na GP2 (que na época ocupava o espaço que hoje é da F2) ou nova temporada na F3 Europeia em 2015, com alguns testes na F1. O próprio Toto Wolff reconheceu na época que a estrutura de seu programa não era tão competitiva como a da Red Bull. Desta forma, de forma até mesmo previsível, o jovem talento foi parar nas asas do rival.

Red Bull anunciou Verstappen quando ele tinha apenas 16 anos
Red Bull anunciou Verstappen quando ele tinha apenas 16 anos (Foto: Red Bull Content)

Em agosto de 2014, Verstappen foi anunciado como novo membro do programa da Red Bull. E mais do que isso: ele seria titular da Toro Rosso na F1 já em 2015. Foi uma notícia que pegou toda a F1 de surpresa, já que Verstappen ainda nem havia completado 17 anos, e sequer tinha no currículo uma temporada inteira nos carros de fórmula. Na época, pilotos de destaque como Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Fernando Alonso defenderam a escolha e reforçaram que a idade ficaria em segundo plano em relação ao talento.

Mesmo assim, a F1 recebeu diversas críticas pelo anúncio da chegada de um piloto tão jovem e inexperiente, então depois ela mudaria o sistema de obtenção da superlicença. Já falamos sobre este assunto aqui no Projeto Motor.

A estreia na F1 

Para o novo desafio, Verstappen se preparou como pôde. Ele, claro, concluiu sua temporada na F3 Europeia, ficando com o terceiro lugar, além de ter feito testes com um F1 de 2012 e participado de três treinos livres ainda em 2014.

Para a temporada de 2015, a estreia de Verstappen era uma das histórias que mais deixava o público intrigado, já que ele seria, com folga, o piloto mais jovem a competir na categoria. Houve momentos em que a falta de experiência foi notada, mas no geral ele deixou um impacto positivo: marcou pontos logo em sua segunda corrida, ficou dez etapas entre os dez primeiros, conquistou dois quartos lugares e terminou o campeonato confortavelmente à frente do parceiro de equipe, Carlos Sainz.

Verstappen também teve episódios em que mostrou personalidade forte, como quando se recusou a cumprir uma ordem de equipe da Toro Rosso em Singapura com um sonoro “NÃO” pelo rádio.

Promoção de Verstappen e vitória na estreia na Red Bull

Em 2016, as coisas começaram um pouco mais turbulentas. No GP de abertura da temporada, Verstappen se desentendeu com a equipe e com Sainz, o que deixou um certo clima de tensão na Toro Rosso. Além disso, havia rumores de que o holandês era alvo de novas investidas de Mercedes e Ferrari, mesmo que ele estivesse amarrado contratualmente até 2017.

Apesar disso, a Red Bull ainda assim decidiu fazer algo ousado. Em sua equipe principal, Daniil Kvyat havia iniciado a temporada com muita oscilação. Apesar de um pódio na China, o russo tinha dificuldades nas sessões classificatórias, e no GP da Rússia sofreu uma avalanche de críticas depois de bater duas vezes em Sebastian Vettel logo nos metros iniciais de prova. Como resposta a isso, a Red Bull mais uma vez surpreendeu.

No dia 5 de maio, ela anunciou que Verstappen substituiria Kvyat na Red Bull já na corrida seguinte, na Espanha, enquanto o russo assumiria o cockpit da Toro Rosso. Segundo Helmut Marko, a mudança serviria para “amenizar a tensão” que se criava na Toro Rosso, além de “aliviar a pressão que Kvyat vinha colocando em si mesmo”, já que, segundo suas palavras, o russo estava “de três décimos a meio segundo por volta mais lento que o parceiro, Daniel Ricciardo, o que não havia acontecido em 2015”.

Em Barcelona, Verstappen precisou se adaptar rapidamente ao novo carro, pois ele só guiou o modelo RB12 pela primeira vez nos treinos livres de sexta-feira. Na sessão classificatória, obteve a quarta posição no grid, 0s4 atrás do parceiro Ricciardo, e à frente das Ferrari de Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel. De qualquer forma, a corrida no domingo traria uma valiosa oportunidade.

Poucos segundos após a largada, as Mercedes de Lewis Hamilton e Nico Rosberg colidiram e ficaram fora da prova. Diante de uma rara chance de vitória, já que a dominante Mercedes estava fora da disputa, Red Bull e Ferrari decidiram dividir suas estratégias. Verstappen e Raikkonen partiram para dois pit stops, enquanto que Ricciardo e Vettel fariam três, o que a Pirelli considerava ser “teoricamente a estratégia mais rápida”.

Então, com as estratégias diferentes, Verstappen assumiu a liderança da prova, mas tinha como desafio fazer o pneu médio durar por 32 voltas – especialmente porque a Pirelli esperava que o composto tivesse vida útil de somente 26 giros. Raikkonen, que estava exatamente na mesma condição, mantinha Verstappen sob pressão intensa, o que deixava ainda mais difícil cuidar dos pneus.

Nas voltas finais, Verstappen tinha dificuldades de aderência, como se “estivesse guiando no gelo”, como descreveria posteriormente, e passou a sentir cãibras nas pernas. Mas Raikkonen, mesmo dentro da zona de DRS, também não tinha condições de armar um ataque. Assim, ao final de 66 voltas, Verstappen cruzou a linha de chegada 0s6 à frente do finlandês para obter, de forma surpreendente, sua primeira vitória na F1.

Aos 18 anos e 7 meses de idade, Verstappen se tornava de longe o vencedor mais jovem da história. Era a consagração de um piloto que, apenas um ano e meio antes, ainda competia no kart. Depois disso, Verstappen continuou com seu processo de aprendizagem.

Teve seus momentos de brilho, mas também se envolveu em controvérsias e incidentes. De qualquer maneira, foi esta trajetória surpreendente, de uma ascensão meteórica, que formou um dos pilotos de maior destaque da F1 atual.

Confira a história em versão vídeo:

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