Pit stop é um momento essencial na estratégia da F1
(Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content)

O que vai mudar no pit stop da F1 com diretiva técnica e por quê

A FIA chamou a atenção na semana passada antes do GP da Estíria ao publicar uma nova diretiva técnica sobre pit stop. A entidade colocou alguns limites de tempo para certos procedimentos nas paradas na F1.

A questão é que a FIA está incomodada com o nível de automação de certos movimentos das trocas de pneus, o que pode estar fazendo com que as equipes façam pits cada vez mais rápidos. A Red Bull vem sendo a equipe mais veloz neste quesito, com trocas em torno de 2 segundos, às vezes abaixo disso.

A entidade regulamentadora começou a mostrar preocupação que essa automação que acelera o pit stop, em caso de uma falha, possa gerar alguma situação de perigo. Algo como um piloto ser liberado sem uma porca estar presa corretamente ou com algum mecânico ainda em posição que possa ser acertado pelo carro.

O que a FIA observou é que algumas equipes estariam utilizando sensores nas pistolas de troca de pneus, que acionam a sinalização para o piloto deixar a posição do pit de forma mais imediata. Ou seja, assim que as quatro pistolas prenderem suas respectivas porcas, o sinal verde para o piloto acelerar é dado. Já os responsáveis pelos macacos fazem apenas o movimento coordenado e ensaiado, sem necessariamente olharem o que está acontecendo.

A utilização deste tipo de equipamento cairia, na visão da FIA, em uma zona cinza no regulamento, que dependeria de alguma interpretação e que poderia ser defendida pelas equipes. No artigo 12.8.4 do regulamento técnico da F1 é dito que “dispositivos que são usados para encaixar ou retirar as porcas das rodas podem funcionar apenas com ar comprimido ou nitrogênio. Qualquer sistema de sensor pode funcionar apenas passivamente.”

Essa última frase é um problema, pois é difícil definir neste caso se o sensor que avisa o piloto para sair do local do pit está agindo de forma passiva ou ativa. Os times podem defender que ele é apenas um aviso e que não está influenciando diretamente na troca.

O que vai mudar no pit stop

Diante deste dilema colocado pelo próprio regulamento, a FIA resolveu atacar por um outro lado. Basicamente, a ela se embasou em estudos de reflexos humanos para exigir que certos movimentos tenham um tempo mínimo de duração no pit stop.

A nova diretiva técnica não muda a regra, mas impõe um tempo de reação mínimo para os mecânicos. A partir do GP da Hungria será observado e exigido que se passe 0s15 do momento em que a roda esteja presa até que o carro seja colocado no chão pelo responsável pelo macaco. Em um segundo momento, 0s2 do instante em que o carro encosta no chão e que ele seja liberado para deixar sua posição.

Pit stop terá novas regras na F1 a partir do GP da Hungria de 2021
Pit stop terá novas regras na F1 a partir do GP da Hungria de 2021 (Foto: Steve Etherington/Mercedes)

Parece pouco, mas já estamos falando em 0s35 em paradas que têm durado até 2 segundos. É equivalente a 17,5% do tempo total em que o carro fica parado na posição de pit stop. Caso algum time esteja fazendo esses movimentos em menos tempo ou pouco acima, já estamos falando de uma perda de tempo considerável aqui.

No paddock existiu uma divisão de opinião sobre a diretiva, o que indica que alguns times realmente estão se beneficiando de dispositivos enquanto outros estão incomodados de não conseguirem igualar o tempo de parada dos rivais.

A alegação da FIA é de que ela está tentando melhorar a segurança em um local em que mecânicos ficam bastante expostos aos carros. A rodada de Valtteri Bottas, na última semana, dentro do pit lane, ao realizar um teste em que tentava diminuir a perda de tempo no momento de saída da posição de troca de pneus, é uma mostra de como as equipes estão forçando as linhas neste ponto.

Fica agora a dúvida apenas de como a FIA vai realizar a fiscalização em todas as paradas de trocas de pneus (já tivemos provas este ano com mais de 40), se existirá algum tipo de margem nas primeiras provas em que os tempos de reação passam a ser exigidos (começa no GP da Hungria) e como e qual seria a punição no caso de uma transgressão.

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