(Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content)

Das voltas lançadas ao mata-mata: qual é a melhor classificação para F1?

Durante sua história, o formato de classificação da F1 já passou por algumas alterações. Algumas mais radicais, outras apenas ajustes. Isso aconteceu principalmente a partir dos anos 90, quando se sentiu a necessidade de melhorar o entretenimento para os fãs e televisão.

O atual modelo de classificação está vigente desde 2006, mas vira e mexe é questionado, principalmente por dirigentes que acreditam que poderiam criar um estilo mais emocionante para a sessão dos sábados.

A última mudança aconteceu em 2016 e durou apenas duas provas, após se mostrar um enorme fracasso. Foi a quarta vez, num espaço de 20 anos, que a estrutura passou por alteração. Da classificação em 12 voltas por sessão até o atual formato, houve experiências interessantes e funestas. Por conta disso, o Projeto Motor resolveu relembrar para você como funcionaram os últimos formatos de treino classificatório na F1. A ideia da pauta surgiu do leitor Antônio Bernardes, a quem agradecemos a sugestão.

Classificação clássica (até 1995)

Muitos sentem falta deste formato, que perdurou na F1 desde o início do campeonato nos anos 50 até a temporada de 1995.

Nesta época, a qualificação era dividida em duas sessões de uma hora: a primeira na sexta-feira, à tarde, e a outra no sábado, no mesmo turno. No fim, o grid era definido pelo melhor tempo de cada piloto, independentemente do dia. O limite era de 12 giros por sessão.

Dentro desta configuração, surgiram variações. Na virada dos anos 80 para os anos 90, por exemplo, o número de carros era muito volumoso, o que levou a FIA a organizar uma pré-classificação. Nesta sessão, iam à pista os times que sustentassem as piores marcas num período de seis meses, assim como as escuderias novatas. Os quatro melhores da pré-qualificação avançavam à qualificação propriamente dita, onde os 26 mais rápidos guardavam um posto no grid. Este formato durou até 1992.

As voltas voadoras ao final da classificação de uma hora se tornaram uma marca registrada de Ayrton Senna nos anos 80 e começo dos 90
As voltas voadoras ao final da classificação de uma hora se tornaram uma marca registrada de Ayrton Senna nos anos 80 e começo dos 90

Vantagens: O sistema era o mais justo possível, pois dava chance e tempo a todos os pilotos para encontrarem seu melhor rendimento na pista. 
Desvantagens: O fato de o primeiro treino ser na sexta-feira atrapalhava a transmissão de TV, o que permitia que o fã não tivesse a oportunidade de ver ao vivo a volta da pole position.

Qualificação em uma tomada de tempos (1996-2002)

A partir de 1996, a FIA passou a organizar a sessão classificatória apenas em um dia – no caso, o sábado. Os princípios eram os mesmos do formato anterior, à exceção do acréscimo da regra do 107%.

Este regimento, criado para coibir carros pouco competitivos de alinhar no grid, estabelecia que o piloto que excedesse em 107% o tempo registrado pelo pole position ficaria fora da corrida. A determinação só não seria cumprida em caso de sessões afetadas por chuva.

Vantagens: Assim como em sua “versão estendida”, o treino prezava pela justiça e dava a chance de todos os pilotos encontrarem seu melhor ritmo.
Desvantagens: Muitos carros, especialmente os de ponta, somente iam à pista na fase final do treino, o que por muitas vezes deixava a pista vazia por um longo tempo.

Voltas lançadas (2003-05)

Devido ao domínio da Ferrari no início da década, a FIA mudou drasticamente o regulamento técnico e esportivo da F1 para o ano de 2003 e o sistema de classificação foi um dos itens afetados.

A partir daquela temporada, aos moldes da Cart nos anos 90, os pilotos teriam direito apenas a uma volta classificatória, um de cada vez (veja no vídeo abaixo). A ordem de entrada na pista seria definida por uma pré-qualificação disputada na sexta-feira, em que os pilotos preparariam sua volta de acordo com sua posição no campeonato.

Em 2004, a sessão da sexta-feira foi transferida para sábado e a ordem foi designada de acordo com o resultado da corrida anterior. Já no ano seguinte, a estrutura foi novamente modificada, com as duas sessões agora sendo realizadas na tarde do sábado e na manhã do domingo – e ambos os tempos valendo para a grelha de largada.

A partir do GP da Europa, a impopularidade do formato acabou forçando a FIA a extinguir a sessão do domingo para voltar ao que era no ano anterior.

Vantagens: Sistema simples e de fácil compreensão; todos os carros contavam com exposição televisiva idêntica.
Desvantagens: o público via os grandes nomes do grid em ação por um período muito curto de tempo; mudanças climáticas podiam ter grande peso no resultado da sessão.

Classificação em três estágios ou “mata-mata” (2006-atual)

Insatisfeitas com o formato de voltas lançadas, as equipes propuseram uma inovadora fórmula eliminatória para 2006. O treino classificatório seria dividido em três partes, com os pilotos mais lentos de cada segmento (os cinco ou seis piores, dependendo do número de carros do grid) sendo eliminados até que dez sobrem para disputar a pole position na fase final.

Atual recordista da F1, Lewis Hamilton conquistou sua primeira pole no GP do Canadá de 2007, já sob o regulamento de mata-mata

Inicialmente, a fórmula contava com algumas aberrações. Por exemplo: os carros participantes do Q3 (na época, de 20 minutos de duração) deveriam sair da garagem com o combustível com que iniciariam a corrida, repondo antes da largada somente a quantidade gasta naquela fase. Então, para deixar o carro mais leve, os pilotos passavam os 10 ou 12 minutos iniciais do Q3 “queimando combustível” para, em seguida, irem aos boxes, colocarem pneus novos e enfim marcarem tempos mais competitivos.

Isso foi corrigido em 2008, quando os pilotos do Q3 largariam na prova com o combustível com que terminaram aquela fase. A partir de 2010, com o fim do reabastecimento, os participantes do Q3 poderiam disputar a pole position com pouca gasolina.

[Atualização 03/03/2021] Em 2016, o formato de eliminações em três partes sofreu um peque ajuste. Os pilotos passaram a cair com a fase ainda em andamento. A partir dos sete minutos do Q1 e Q2, a guilhotina começará a funcionar e ceifará o piloto mais lento a cada 90s.

Só que a mudança foi descartada após apenas duas etapas quando se mostrou falha. Alguns pilotos desistiam antes da hora ao verem que não tinham chance de passar de fase para economizarem pneus. Entre os dois primeiros, ainda mais a Mercedes dominando com Hamilton e Rosberg, o problema ficou ainda mais escancarado. Assim, foi retomado o antigo formato que segue até hoje.

Vantagens: O sistema eliminatório proporciona um item a mais de emoção na definição dos grids.
Desvantagens: O formato por muitas vezes colocavam as favoritas em posição de conforto, enquanto que as equipes menores precisavam se arriscar mais para seguirem adiante.

*Colaborou Bruno Ferreira

Comunicar erro

Comentários

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial