(Foto: Penske Entertainment: Joe Skibinski)

Herta se consolida como a aposta americana da Cadillac na F1

Há muito tempo se fala na possibilidade de Colton Herta correr na F1. E com o anúncio de que ele será piloto de testes da Cadillac no Mundial, essa transição da Indy parece mais próxima do que nunca.

O piloto de 25 anos chegou a gerar interesse na Red Bull para correr na equipe satélite do grupo (atual RB) em 2022, mas não conseguiu se transferir por não ter os pontos necessários para a Superlicença na F1.

O plano da Cadillac agora é realmente investir para que ele consiga completar todos os trâmites da FIA. Apesar de ainda não ser oficial, a indicação de bastidores é que Herta fará uma mudança para a F2 em 2026 com o apoio oficial da marca americana.

Assim, ele pretende buscar a Superlicença e ainda terá o papel de piloto de testes na F1 para já começar a ganhar experiência de trabalho na categoria. Obviamente, a operação de um time do Mundial é muito diferente da que existe em equipes da Indy.

Parece uma loucura ter que fazer esse caminho. Herta tem uma carreira de sete anos na Indy em que soma nove vitórias, 20 “pódios” (a Indy não tem o pódio como na F1, mas a estatística aponta para seus resultados entre os três primeiros), 16 poles, um vice-campeonato (em 2024), além de um terceiro (2020).

Colton Herta pela Andretti na etapa de Mid-Ohio da Indy
Colton Herta pela Andretti na etapa de Mid-Ohio da Indy (Foto: Penske Entertainment: Joe Skibinski)

Só que os resultados na Indy lhe renderam 35 pontos em sua licença da FIA, cinco a menos do que ele precisa para correr na F1. Isso quer dizer que um oitavo lugar na F2 de 2026 ou até mesmo um sexto na Indy lhe garantiriam a permissão para correr na F1 em 2027.

Só que, aparentemente, a Cadillac já quer que Herta faça seu retorno ao automobilismo europeu em 2026 para iniciar sua adaptação. Isso também mostra que Valtteri Bottas e Sergio Pérez, titulares da estreia da marca na F1 em 2026, estão longe de ter seus empregos tranquilos no médio prazo.

Se ainda não pode correr, com os pontos que tem hoje, o americano já pode pelo menos participar de treinos livres das sextas-feiras. Inclusive, para cada sessão em que ele andar sem receber penalizações ou advertências, ele soma mais um ponto na Superlicença, o que pode diminuir ainda mais a exigência de resultado na F2.

No passado recente, o próprio Herta chegou a mostrar certo conformismo com as poucas chances de se transferir para a F1 ao dizer que estava feliz na Indy. Mas em sua declaração no comunicado oficial da Cadillac agora, ele volta a falar da categoria como um grande objetivo de carreira, algo que não é muito comum entre os pilotos americanos.

“Esta é uma oportunidade dos sonhos, pela qual venho trabalhando há muito tempo. Fazer parte da entrada da Cadillac F1 em um momento tão crucial é algo que eu não poderia deixar passar. Meu sonho sempre foi correr na F1 e vejo esta mudança como um grande passo em direção a esse objetivo. Por enquanto, meu foco é dar tudo o que posso à Cadillac F1, ajudando a construir uma equipe competitiva”, declarou.

A experiência de Herta na Europa

Dizer que Herta só passou a pensar na F1 nos últimos anos, após ser cogitado pela Red Bull, seria um exagero. Quando ainda tinha 15 anos, antes de ir para a Indy, ele já demonstrou esse interesse.

Após iniciar sua carreira nos carros ainda nos Estados Unidos, em 2014, na USF2000, ele se transferiu no ano seguinte para a Grã-Bretanha e competiu na F4 Britânica (que na época era batizada de MSA). Competindo pela tradicional equipe Carlin, ele terminou o campeonato na terceira posição. O campeão daquela temporada foi Lando Norris.

Em 2016, ele participou da Euroformula Open (que utiliza chassis da F3), terminando em terceiro lugar com quatro vitórias e seis pódios. Ele também correu em duas rodadas triplas da GB3 (campeonato britânico), com uma vitória e três pódios em seis corridas. Naquele ano, ele ainda competiu no tradicional Masters de F3, em que ficou em 13º.

Colton Herta na Euroformula de 2016
Colton Herta na Euroformula de 2016 (Foto: Divulgação)

Sem espaço para evoluir nas categorias de base da F1, Herta acabou retornando aos EUA em 2017, quando conquistou o terceiro lugar na Indy Lights. Na temporada seguinte, ele competiu novamente na categoria de base da Indy, terminando com o vice, atrás de Patricio O’Ward.

Em 2019, ele fez sua estreia na Indy chamando bastante a atenção ao conquistar duas vitórias e três pole positions mesmo como um novato e correndo pela equipe Harding Steinbrenner Racing.

Alvo na F1

Herta teve um início incrível na Indy, mas com o passar dos anos, passou a ter altos e baixos. É verdade que isso também foi consequência de temporadas mais inconstantes da equipe Andretti.

Quando Michael Andretti iniciou sua campanha para entrar na F1 com sua equipe, ele sempre deixou claro que Herta seria um dos seus nomes. A Cadillac herdou o processo de inscrição do ex-piloto e parece que agora resolveu também apostar no jovem americano.

O último piloto dos Estados Unidos na F1 foi Logan Sargeant, que correu pela Williams entre 2023 e 24 sem resultados importantes. A última vitória foi com Mario Andretti, no GP da Holanda de 1978, ano em que ele também foi campeão pela Lotus.

Na Indy, a equipe Andretti já se despediu de Herta. Para seu lugar, foi feita a contratação de Will Power, bicampeão da categoria e que corria pela Penske desde 2009.

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