Embate entre Senna e Prost em 1989 é um dos tapetões mais polêmicos da história da F1
(Reprodução)

A força do tapetão: 10 GPs da F1 que não terminaram na bandeirada

Na história da F1, já vimos diversas corridas que não terminaram na bandeira quadriculada. Elas seguiram depois disputadas por dirigentes, engenheiros e comissários nos bastidores, em discussões sobre legalidades e possíveis quebras de regulamento. Algumas, até com certa influência política.

O GP da Itália de 2015, foi um dos últimos que teve esses contornos. Por uma irregularidade com um pneu de sua Mercedes, Lewis Hamilton correu sério risco de ser desclassificado, o que tornaria em vão toda a performance avassaladora que demonstrou na pista.Quando o caso ainda era julgado e Hamilton não sabia se teria sua vitória mantida, houve diversas reclamações nas redes sociais pela possibilidade de o resultado da competição ser alterado horas depois de seu desfecho.

Outro caso mais recente, foi do GP da Áustria de 2019, em que uma manobra de Max Verstappen pela liderança sobre Charles Leclerc foi discutida e analisada por horas depois da prova, até que o resultado fosse finalmente confirmado.

Realmente, algumas punições extrapolam o limite do bom senso e mais atrapalham do que ajudam. E uma mudança nos resultados dessas duas provas que citamos, por mais polêmicas que fossem não seriam casos isolados. O Projeto Motor relembra dez episódios em que as corridas não terminaram exatamente com a bandeira quadriculada – inclusive com algumas situações que tiveram consequências importantes. Confira!

BÉLGICA, 2008: Hamilton perde vitória para o “bundão” Massa

Hamilton já sabe como é a experiência de perder uma vitória na F1 depois de receber a bandeirada em primeiro. No GP da Bélgica de 2008, o inglês venceu um eletrizante duelo com Kimi Raikkonen e obteve sua nona vitória na categoria. Horas depois, Hamilton teve 25 segundos acrescentados em seu tempo de prova por ter cortado caminho e levado vantagem enquanto tentava ultrapassar o finlandês. A vitória acabou com Felipe Massa, que declarou ter guiado “como um bundão” nas voltas finais.

JAPÃO, 1989: o “tapetão” mais famoso da história da F1

Talvez seja o caso mais famoso em que o resultado de uma prova foi alterado depois da bandeirada. No clímax de sua rivalidade com Prost, Senna sobreviveu a uma batida com o francês em Suzuka para vencer a corrida, o que o deixaria ainda com chances de título na corrida final do campeonato, na Austrália. Mas ele foi desclassificado antes mesmo da cerimônia do pódio, por ter perdido a chicane logo depois do choque com Prost. Muitos dizem, erroneamente, que isso “roubou” o título do brasileiro, mas ainda assim se trata de um dos momentos mais controversos da história da F1.

BRASIL, 1982: a polêmica das “caixas d’água” em Jacarepaguá

Nelson Piquet venceu pela primeira vez no Brasil em corrida desgastante no Rio de Janeiro, em que inclusive chegou a desmaiar no pódio. Porém, tanto ele quanto o segundo colocado, Keke Rosberg, foram desclassificados por conta das polêmicas “caixas d’água”. Resumindo: na época, o regulamento permitia que as equipes repusessem os fluidos dos carros após a bandeirada, antes da pesagem oficial. Brabham e Williams, então, fizeram a malandragem de colocar um tanque falso, que corria vazio para deixar o carro mais leve, mas era preenchido com água depois das corridas para poder bater o peso mínimo. Depois de vários protestos das concorrentes, a vitória caiu no colo de Alain Prost, o terceiro colocado.

Curiosamente, no GP do Brasil do ano seguinte, novamente Piquet e Rosberg foram primeiro e segundo. E novamente o finlandês foi desclassificado, desta vez por ter recebido auxílio externo nos boxes, o que deixou a corrida brasileira oficialmente sem um segundo colocado.

PORTUGAL, 1958: o fair play que decidiu o campeonato da F1

Pouco depois de terminar em segundo lugar nas ruas da cidade do Porto, Mike Hawthorn foi avisado pelos comissários que seria desclassificado da corrida. O motivo: por um problema em seu motor, o piloto da Ferrari teve andar por uma área de escape no sentido contrário da pista. Porém, seu grande rival no campeonato, Stirling Moss, interveio em seu favor, alegando que o lance não provocou perigo para os demais concorrentes. Assim, Hawthorn manteve os sete pontos da prova (seis pelo segundo lugar, um pela volta mais rápida), e acabou derrotando Moss ao fim do ano por apenas um tento.

ESPANHA, 1976: o imbróglio que durou dois meses

James Hunt cruzou a linha de chegada em primeiro lugar no circuito de Jarama, no início de maio, mas foi imediatamente desclassificado pela direção de prova pelo fato de sua McLaren estar mais larga do que permitia o regulamento. A equipe inglesa apelou, mas viu a vitória ficar com Niki Lauda. Somente em julho o caso teve seu desfecho, com Hunt recebendo novamente os nove pontos pela vitória. Ao término daquele ano, como todos sabem, o inglês ficou com a taça por um mísero ponto.

MALÁSIA, 1999: o quase bi antecipado de Hakkinen

Festa do bi de Hakkinen quase foi antecipada em 1999 (Foto: McLaren)

A primeira corrida de F1 em Sepang foi dominada completamente pela Ferrari, que fez dobradinha com Eddie Irvine e Michael Schumacher. Pouco depois, entretanto, os carros vermelhos perderam a vitória por uma irregularidade na medida de seus defletores. Mika Hakkinen, promovido ao primeiro lugar, comemorava ali o bicampeonato mundial, com uma prova de antecipação.

Cinco dias depois, uma reviravolta: a Ferrari foi declarada vencedora. A FIA afirmou, em comunicado que gerou discórdia entre as equipes, que a peça dos carros estava dentro de “uma tolerância de 5 mm”, além de ter dito que o método de mensuração utilizado foi inadequado. O segundo título de Hakkinen só foi confirmado no Japão, quando o finlandês venceu a prova em Suzuka. Tudo dentro de um roteiro da já maluca temporada de 1999.

SAN MARINO, 1985: no fim, deu De Angelis pela segunda vez

A quatro voltas para o fim da corrida em Ímola, Elio de Angelis vinha fora das posições por pódio com sua Lotus. No entanto, isso mudou quando Ayrton Senna e Stefan Johansson sofreram pane seca, o que promoveu o italiano para segundo. Parecia ótimo para ele, não? Mas ainda melhorou. Alain Prost, que havia vencido, foi desclassificado depois da corrida por estar com seu carro dois quilos abaixo do peso mínimo permitido. Assim, De Angelis venceu pela segunda (e última) vez na F1 sem poder subir no topo do pódio.

BÉLGICA, 1994: sobrou para Schumacher (de novo)

Michael Schumacher viveu em pé de guerra contra os comissários em 94. Primeiro, foi desclassificado em Silverstone por se manter à frente de Damon Hill durante a volta de apresentação, o que lhe rendeu uma suspensão de duas corridas. Como já sabia que ficaria de fora dos GPs da Itália e de Portugal, o alemão chegou a Spa tentando vencer para minimizar o prejuízo do tempo em que ficaria afastado. O objetivo foi cumprido, mas Schumacher foi desclassificado logo em seguida por estar com um desgaste maior que o permitido na prancha de madeira sob o carro. A Benetton alegou que isso ocorreu devido a uma rodada de Schumi durante a prova, ou seja, algo não intencional. Não teve jeito: a vitória ficou com Hill.

BRASIL, 1995: a irregularidade dos combustíveis Elf

Campeão da temporada anterior, Schumacher começou a campanha de 95 já vencendo a prova de abertura, em Interlagos. Porém, tanto ele quanto o segundo colocado, David Coulthard, acabaram desclassificados, já que havia um problema com o combustível da Elf, fornecedora de Benetton e Williams. Isso porque a gasolina utilizada na corrida não batia com as amostras fornecidas antes do início da temporada. Apesar da ilegalidade do ato, a FIA não pôde provar que isso trouxe benefícios práticos para os competidores. Assim, Schumacher e Coulthard foram restituídos de suas posições, mas suas equipes acabaram não marcando pontos para o Mundial de Construtores.

BRASIL, 2003: Kimi ou Fisichella? Nem a F1 sabia

Confusão sobre momento da bandeira vermelha colocou cronometragem da F1 à prova no GP do Brasil de 2003
Confusão sobre momento da bandeira vermelha colocou cronometragem da F1 à prova no GP do Brasil de 2003 (Foto: Jordan GP)

Poucas provas na história da F1 resumem melhor o conceito de “corrida maluca” do que o GP do Brasil de 2003. E isso foi visto em seu desfecho, com uma bandeira vermelha depois dos fortes acidentes de Mark Webber e Fernando Alonso na Curva do Café. A vitória da corrida foi dada a Kimi Raikkonen, que supostamente ocupava o primeiro lugar no momento da interrupção.

Quase uma semana depois, o resultado foi revisto. A FIA percebeu que, na verdade, era Giancarlo Fisichella que estava em primeiro no momento da bandeira vermelha. O italiano, que enfim vencia na F1 depois de 110 GPs, nem teve o gostinho de estourar o champanhe, já que somente recebeu o troféu na corrida seguinte, em Ímola.

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