Verstappen segue na Red Bull em 2026. Por que anúncio agora?
Max Verstappen finalmente confirmou publicamente que permanece na Red Bull em 2026. Depois de meses desviando do assunto, ele resolveu dar repostas mais contundentes durante as entrevistas pré-GP da Hungria desta quinta-feira (31).
O holandês se mostrou incomodado com a situação, dizendo que sempre trabalhou de forma próxima com o time visando a próxima temporada e que agora era hora de encerrar essa discussão sobre uma possível transferência.
“A questão é que as pessoas estão conjecturando muito durante toda a temporada, enquanto o único que realmente pode ou deveria falar está em silêncio. Sou eu. E faço isso de propósito porque não faz sentido começar a jogar as coisas para todos, e na verdade isso deveria ser igual para todos”, disse Verstappen.
“Algumas pessoas simplesmente gostam de criar polêmica, outras simplesmente gostam de criar drama, mas para mim isso sempre foi bem claro, e também para o próximo ano. Já estou discutindo com a equipe os planos, as coisas que queremos mudar no próximo ano, então isso significa que também vou ficar com a equipe no próximo ano.”
“Acho que é hora de basicamente acabar com todos os rumores. E para mim, sempre foi bastante claro que eu continuaria de qualquer forma”, completou.
A repórter que fez a pergunta a Verstappen chegou a fazer uma brincadeira sobre os rumores sobre sua negociação com a Mercedes. Há algumas semanas, espalhou-se pela internet uma teoria de um encontro entre o piloto e o chefe do time alemão, Toto Wolff, na Itália, baseada na informação de ferramentas de localização online de que os aviões de ambos estavam juntos na região da Sardenha, ilha italiana.
Verstappen não deixou passar em branco a menção feita pela jornalista ao dizer que sua relação com Wolff não precisava ser necessariamente sobre o futuro na F1 e que ambos podem apenas gostar de ter seus barcos no mesmo lugar.
“Se meu barco fica próximo ao de Toto, então, o barco fica ao lado do de Toto. Você pode ter uma relação pessoal com alguém mesmo que não tenha uma relação profissional com ele”, apontou.
Onde o discurso de Verstappen fica estranho
O rumor de que Verstappen poderia deixar a Red Bull em 2026 vem de algum tempo. Aliás, em 24, já existiam discussões sobre o assunto, principalmente após vir a público o fato do pai do holandês, Jos, ter uma relação ruim com o então chefe do time, Christian Horner.
Até mesmo o cunhado do piloto, Nelsinho Piquet, várias vezes falou em seu podcast “Pelas Pistas” sobre a aproximação entre Verstappen e Wolff desde o ano passado. Em uma edição recente, publicada em 8 de julho, durante um comentário sobre o desempenho ruim da Mercedes em Silverstone, ele chegou a dizer “quem sabe ano que vem com o Max lá…”.
Depois, ao ser questionado pelo apresentador Thiago Alves se a informação já era algo concreto, o piloto da Stock Car completou: “que eles estão conversando, estão. Todo mundo sabe. Falta saber se eles vão se acertar contratualmente.” E ainda completou dizendo que achava que Verstappen iria para a Mercedes.
O holandês sempre driblou as perguntas sobre o tema utilizando um pouco do seu personagem “sem paciência para a imprensa” durante as coletivas e sessões com a mídia. Mas a verdade é que ele nunca tinha dado uma resposta tão firme como agora.
E até mesmo George Russell mostrou certo alívio com a declaração de Verstappen. O britânico admitiu que estava sentindo o seu emprego ameaçado na Mercedes, o que mostra que, ao contrário do que o holandês disse, as coisas não eram tão claras assim.
“Estes últimos seis meses foram uma situação muito singular, em que não tenho muito poder nesse tipo de acordo, e talvez os interesses não estivessem alinhados há algum tempo. O que, claro, me colocou em risco durante estes últimos seis meses. Então, era meu trabalho agir e reduzir esse risco”, comentou Russell sobre a situação.
“Ainda confio em Toto [Wolff] e ainda confio na equipe, que sempre me apoiará enquanto eu estiver mostrando desempenho, então é nisso que preciso me concentrar. Mas é claro que, tanto para Kimi quanto para mim, esses últimos meses não foram os mais promissores para o nosso futuro — e isso tem sido um pouco conflitante”, continuou.
O que pode ter mudado?
Curiosamente, esse novo posicionamento de Verstappen acontece justamente após algumas coisas importantes terem acontecido. A primeira foi ainda antes da última corrida, na Bélgica, com o afastamento de Horner da direção da equipe da Red Bull na F1.
É difícil saber o peso desse movimento para uma mudança de pensamento de Verstappen. Mas queira ou não, é fato que existia uma crise interna de poder dentro da equipe da Red Bull entre Horner e a parte austríaca dos acionistas da empresa. E toda crise política leva a pessoas importantes questionarem sua permanência em uma companhia.

Mas o segundo acontecimento talvez tenha mais importância. Segundo informações da imprensa internacional, o contrato de Verstappen com a Red Bull vai até o final de 2028. Porém, o acordo teria cláusulas que o permitiriam romper unilateralmente sem a necessidade de pagamento de uma indenização. E uma dessas é sobre desempenho.
Segundo essas reportagens, Verstappen não poderia chegar até as tradicionais férias de agosto da F1 (que em 2025 acontecem após o GP da Hungria, 14ª etapa) fora das três primeiras colocações do campeonato de pilotos. Caso contrário, ele poderia alegar que o time não lhe dá condições de brigar por títulos e, assim, deixar a equipe.
Em nenhum momento da temporada de 25, Verstappen ficou abaixo da terceira posição. Só que enquanto a dupla da McLaren dispara à sua frente nas suas primeiras colocações, ele foi pressionado pelo quarto lugar, George Russell, em vários momentos.
Após as seis primeiras etapas, a vantagem do holandês para o britânico era de apenas seis pontos. Na 11ª, ainda era de somente nove. Mas nas últimas duas corridas, a Mercedes sofreu uma clara queda de desempenho e Verstappen abriu 28 pontos de Russell. Isso significa que o tetracampeão não pode mais ser alcançado pelo adversário na Hungria.
Desta forma, a não ser que a Mercedes comprasse o contrato de Verstappen (assim como times de futebol fazem para tirarem de jogadores de outras equipes), teoricamente, o rompimento do holandês com a Red Bull legalmente não poderia mais ser feito para 2026.
E o futuro?
Claramente, apesar de ter contrato até o fim de 2028, Verstappen tem pesado seu próximo passo na F1. Aguardar tanto tempo após rumores de uma transferência para dizer que permanece na Red Bull é uma mostra disso.
Ademais, em sua declaração, ele fala apenas em “ano que vem”. É bom lembrar que a temporada de 2026 marca uma enorme mudança no regulamento da F1, tanto no chassi quanto nos motores. É difícil saber quem serão as grandes forças dos próximos anos.
A regra de rompimento por falta de desempenho, em teoria, volta a existir no ano que vem. Esperar mais uma temporada para ver quem sai na frente nessa nova era da categoria, mesmo que custe mais um ano fora da briga do título, não seria o pior dos cenários para um piloto de apenas 27 anos e que teria portas abertas em qualquer outro time.
Além disso, ele segue ainda em um time que certamente irá trabalhar duro para fazer suas vontades e que, após mudanças profundas em sua administração e setor técnico por conta de saídas de nomes que por ali estavam nas últimas duas décadas, terá todo o interesse de manter um de seus pilares primordiais. Verstappen certamente terá o que quiser na Red Bull.
É verdade que o futuro da equipe austríaca nos próximos anos é bastante imprevisível. Não só pela mudança na chefia com a saída de Horner e a chegada de Laurent Mekies. Mas também como será o primeiro carro após a saída de Adrian Newey e o resultado do projeto da construção do motor próprio, por mais que receba aporte financeiro e técnico da Ford.
Sendo assim, manter Verstappen agora era mais que essencial.
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